Suspeita de fingir câncer para lucrar com doações é indiciada por estelionato

Lucas Maciel
Uma mulher, de 37 anos, foi indiciada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por estelionato e falsidade ideológica, após fingir ser portadora de câncer com o objetivo de obter vantagens financeiras em Divinópolis e outras cidades da região.
De acordo com as investigações, a suspeita promoveu campanhas de arrecadação por meio de rifas, vaquinhas virtuais, eventos beneficentes e doações espontâneas. A mulher alegava estar em estágio avançado de tratamento oncológico, o que sensibilizou familiares, amigos e até pessoas de outras localidades, que contribuíram acreditando se tratar de uma causa legítima.
O inquérito foi concluído na última segunda-feira, 30, e os detalhes foram divulgados pela assessoria da corporação na tarde de quarta-feira, 2.
Laudo médico
Durante a apuração, a Polícia Civil requisitou prontuários e exames a hospitais da região, clínicas especializadas e ao plano de saúde da investigada.
Todos os documentos foram analisados por um médico-legista da própria instituição, que constatou a inexistência de qualquer diagnóstico ou tratamento oncológico.
Prejuízos
A investigação também apurou que a mulher teria feito empréstimos bancários em nome do companheiro, sem autorização, e utilizando nomes de terceiros em consórcios informais. O destino dos valores arrecadados continua sendo objeto de apuração complementar.
Com base nas provas reunidas, a investigada foi formalmente indiciada. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário, que dará prosseguimento às providências legais cabíveis.
Alerta
A delegada responsável pelo caso, Adriene Lopes, destacou o impacto social do crime, principalmente por explorar a boa-fé das pessoas e comprometer a credibilidade de campanhas reais.
— Casos como este abalam a confiança da população em campanhas de arrecadação e acabam prejudicando diretamente aqueles que realmente enfrentam doenças graves e necessitam de apoio — afirmou.
Ela também reforçou a importância de verificar informações antes de contribuir com doações.
— Orientamos que as pessoas tenham cautela e busquem formas de confirmar a veracidade das campanhas, seja por meio de familiares, instituições de saúde ou perfis oficiais — acrescentou.
Segundo caso
Este é o segundo caso de falsificação de laudo de câncer em Divinópolis. Em junho do ano passado, três pessoas, incluindo uma assessora lotada na Vara da Fazenda Pública e Autarquias no Fórum em Divinópolis, foram presas na operação “Efeito Colateral", que desarticulou um esquema de estelionato contra o Estado de Minas Gerais. Os suspeitos causaram prejuízo superior a R$ 656 mil aos cofres públicos.
A investigação durou cerca de dois meses, e envolveu a assessora de 27 anos, seu namorado de 30 anos, além de uma pessoa em situação de rua. O casal ingresou com uma ação judicial para custear o tratamento de um morador de uma barraca, de 46 anos, no bairro Bom Pastor, que jamais teve a doença.
Os três seguem presos no Floramar.
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