SUS passa a incluir novo teste para rastreamento do câncer colorretal
Divinópolis registra 1.913 pacientes em quimioterapia no ano em consequência da doença

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal, exame que busca identificar alterações ainda antes do surgimento de sintomas. Em Divinópolis, dados do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) mostram a dimensão da assistência relacionada à doença: em 2025, foram registrados 3.592 pacientes em quimioterapia colorretal, além de 1.209 sessões de radioterapia. Em 2026, até junho, foram 1.913 pacientes em quimioterapia e 608 sessões de radioterapia.
A inclusão do procedimento na tabela do SUS foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 10. A norma já está em vigor, mas o novo procedimento será registrado nos sistemas do SUS a partir do próximo mês. O exame será disponibilizado para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, na modalidade ambulatorial, como procedimento de atenção básica.
Exame preventivo
O FIT consiste na pesquisa de sangue oculto nas fezes por meio de um teste imunoquímico. O paciente recebe um kit para realizar a coleta em casa e retira uma pequena amostra das fezes com uma haste própria, que é colocada em um tubo coletor e posteriormente encaminhada para análise laboratorial.
O exame utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano e apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações, segundo o Ministério da Saúde. Entre as características do procedimento estão a ausência de preparo intestinal e de dieta restritiva, além da possibilidade de realização com apenas uma amostra.
A estratégia será realizada a cada dois anos para o rastreamento do câncer colorretal. O procedimento incluído na tabela do SUS é destinado exclusivamente a pessoas assintomáticas e não deve ser utilizado para investigação diagnóstica de pacientes que apresentam sintomas ou suspeita clínica da doença.
O Agora conversou com oncologista da Acom, Neto Pereira, que destacou que a incorporação do exame representa uma medida importante para o rastreamento do câncer colorretal.
— O FIT é uma medida muito importante para o rastreamento do câncer colorretal no Brasil. Segundo o Inca, excluindo o câncer de pele não melanoma, ele é o segundo câncer mais frequente tanto em homens quanto em mulheres. São mais de 50 mil novos casos estimados por ano no país — afirmou.
O médico explicou que o teste consegue identificar pequenas quantidades de sangue que não são perceptíveis a olho nu e permite avaliar pessoas que ainda não apresentam sintomas.
— A grande vantagem do exame é justamente conseguir avaliar pessoas que ainda não apresentam sintomas. No câncer colorretal identificar a doença mais cedo aumenta as possibilidades de tratamento com intenção de cura e, muitas vezes, permite tratamentos menos complexos — destacou.
Atenção básica
A inclusão do FIT na atenção básica também pode modificar a estratégia de identificação da doença, segundo o oncologista. Para ele, esse nível de atendimento tem contato direto com uma parcela significativa da população e pode ser utilizado para organizar o rastreamento.
— Em vez de esperar a doença dar sinais, passamos a procurar alterações mais precocemente em pessoas que se sentem bem — explicou.
Pereira, porém, destacou que a disponibilização do teste precisa estar acompanhada das etapas seguintes de investigação. Segundo ele, pacientes com resultado positivo precisam ter acesso à colonoscopia em tempo adequado e, caso seja encontrada alguma alteração, à continuidade da investigação e ao tratamento.
O que o teste identifica
O FIT não identifica diretamente um câncer ou um pólipo. O exame detecta sangue microscópico nas fezes, que pode estar relacionado ao câncer, a alguns pólipos ou a outras lesões do intestino.
Pereira explicou que o resultado pode levar à descoberta de alterações precursoras antes que elas se transformem em câncer. Segundo o médico, muitos tumores colorretais se desenvolvem a partir de pólipos ao longo de vários anos e, quando essas lesões são encontradas durante a colonoscopia, podem ser retiradas no próprio procedimento.
— Nesse sentido, o rastreamento não serve apenas para encontrar um câncer mais cedo. Em alguns casos, ele permite agir antes mesmo que o câncer apareça — afirmou.
Resultado positivo
Um resultado positivo no FIT não significa que o paciente tenha câncer. De acordo com o oncologista, o teste funciona como um primeiro filtro para identificar quem precisa passar por uma investigação mais detalhada.
— FIT positivo não significa diagnóstico de câncer. Significa que foi detectado sangue nas fezes e que precisamos investigar de onde ele está vindo — explicou.
A investigação deve ser feita por meio de colonoscopia. O procedimento permite visualizar diretamente o cólon e o reto, identificar pólipos ou outras lesões, realizar biópsias quando necessário e, em muitos casos, retirar pólipos durante o próprio exame.
Segundo Pereira, a colonoscopia é responsável por esclarecer a causa do resultado positivo e definir a condução adequada diante do que for encontrado.
Divinópolis
Os registros do São João de Deus Complexo de Saúde apontam que os pacientes submetidos à quimioterapia colorretal em 2025 tinham entre 42 e 65 anos. No mesmo ano, foram contabilizadas 1.209 sessões de radioterapia colorretal.
Em 2026, foram registrados 1.913 pacientes em quimioterapia colorretal, com faixa etária entre 40 e 65 anos. O complexo também contabilizou 608 sessões de radioterapia colorretal no período informado.
Os dados abrangem pacientes em tratamento e sessões relacionadas ao câncer colorretal no complexo de saúde, enquanto o novo procedimento incorporado pelo SUS tem finalidade diferente: o rastreamento de pessoas que não apresentam sintomas.
Complexo de Saúde
Sobre a inclusão do novo teste no SUS, o Complexo de Saúde São João de Deus esclarece que acompanha a medida anunciada pelo Ministério da Saúde.
Conforme o hospital, embora a inclusão do teste imunoquímico fecal (FIT) tenha sido anunciada, ainda não foram publicados os instrumentos necessários para sua efetiva operacionalização na rede pública, incluindo a definição do fluxo assistencial e a atualização da tabela de procedimentos do SUS. Inicialmente, segundo o CSSJD, os Kits serão disponibilizados nas UBS dos Municípios, onde os pacientes receberão as orientações de coleta.
Dessa forma, a unidade de saúde, diz que neste momento, o exame ainda não está disponível pelo SUS na instituição. Diz ainda que o São João de Deus aguarda as regulamentações e orientações do Ministério da Saúde para que, após a definição do fluxo, possa avaliar e iniciar sua oferta conforme as diretrizes estabelecidas pelo sistema público de saúde.
Encerra, afirmando que instituição reforça seu compromisso com à assistência oncológica e com a ampliação do acesso da população aos serviços de diagnóstico e tratamento.
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