UPA enfrenta superlotação e atrasos no atendimento com alta de doenças respiratórias

Da Redação
A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Padre Roberto de Divinópolis enfrenta, neste momento, um cenário crítico de superlotação. Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, as mudanças bruscas de temperatura, o ar mais seco e a maior circulação de vírus respiratórios são comuns nesta época do ano.
Divinópolis enfrenta um aumento nos casos de síndromes respiratórias. De acordo com comunicado divulgado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), a unidade opera com uma taxa de ocupação de 169%. Apenas no setor de enfermaria adulta, o índice chegou a 180%, enquanto na pediatria a taxa alcançou 157%, isso.
Prefeitura cobra o Estado
Com esse aumento repentino, a UPA encontra-se, atualmente, com 62 pacientes aguardando vaga de transferência hospitalar. Destes, 55 são adultos, que incluem casos clínicos e ortopédicos, além de 7 crianças que também necessitam de encaminhamento para unidades hospitalares. Esses pacientes já passaram pela classificação e aguardam transferência, que depende exclusivamente da regulação estadual, responsável por disponibilizar e autorizar leitos nos hospitais da rede SUS em todo o estado
Em nota, a Prefeitura de Divinópolis informou que acionou o Ministério Público, cobrando providências. Segundo o município, não há autonomia para definir ou acelerar as transferências, responsabilidade que cabe exclusivamente à Central de Regulação do Estado de Minas Gerais. Diante da gravidade da situação, a Prefeitura afirmou ter solicitado medidas urgentes tanto ao Ministério Público quanto à Central de Regulação.
Casos graves
Diante da superlotação, a Semusa reforça que o atendimento na unidade segue o protocolo de classificação de risco do Ministério da Saúde, que organiza os pacientes de acordo com a gravidade dos casos. Dessa forma, situações emergenciais e potencialmente fatais recebem prioridade no atendimento. Pacientes que apresentam sintomas considerados leves ou quadros clínicos que não oferecem risco imediato à vida podem enfrentar um tempo de espera maior até serem assistidos.
Estrutura médica
Mesmo sob forte pressão, a unidade mantém sua estrutura de atendimento. Conforme informado pela Secretaria de Saúde, a UPA conta, neste momento, com quatro médicos generalistas atuando simultaneamente no pronto atendimento de pacientes adultos, além de dois médicos dedicados exclusivamente ao atendimento pediátrico.
Números
Em 2025, até o dia 7 de maio, os hospitais de Minas Gerais registraram cerca 29.723 internações, cerca de 241 por dia e 438 mortes pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Em Divinópolis, neste ano, a UPA já realizou 2.560 atendimentos. Somente em abril foram registrados 637 atendimentos, enquanto em maio, até a última quinta-feira, 29, esse número chegou a 827 — um aumento de 29,83% em relação ao último mês.
Orientação
Diante da sobrecarga enfrentada, a Prefeitura de Divinópolis reforça a orientação para que a população procure a UPA somente em situações de urgência e emergência. A recomendação é que casos de menor complexidade, como dores de cabeça, viroses, alergias, resfriados e outros sintomas gripais leves, sejam direcionados às Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), localizadas nos bairros.
Essa ação, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é fundamental para desafogar o atendimento na UPA e garantir que os pacientes que realmente necessitam de cuidados imediatos sejam atendidos de acordo com a necessidade.
— A compreensão e colaboração da comunidade são fundamentais para que possamos superar esse momento com empatia, respeito e cuidado coletivo— enfatiza a nota oficial.
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