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Saúde

UPA em Divinópolis continua superlotada e ocupação da pediatria sobe para 200%

Por Bruno
UPA em Divinópolis continua superlotada e ocupação da pediatria sobe para 200%

Lucas Maciel

A situação da saúde pública em Divinópolis segue crítica, especialmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, que continua enfrentando superlotação em meio ao avanço dos casos de doenças respiratórias. A chegada do tempo mais seco e do frio, tem intensificado a procura por atendimentos, pressionando a capacidade da unidade e deixando pacientes em longa espera por vagas hospitalares.

Diante do agravamento do cenário, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), durante um encontro com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, cobrou apoio imediato do governo de Minas para conter a sobrecarga da unidade de saúde, que já vinha operando acima do limite e agora vive um novo pico de demanda, especialmente na ala pediátrica.

Atualmente, a unidade continua operando com taxa de ocupação bem acima da capacidade ideal, com destaque para o setor pediátrico, que atingiu um preocupante índice de 200%. A fila de pacientes à espera de transferência também aumentou, refletindo o impacto direto da alta nos casos respiratórios tanto na rede pública quanto, de forma mais controlada, nos atendimentos particulares.

Números

Os dados atualizados da UPA, repassados ao Agora na tarde desta segunda-feira, 2, confirmam a situação crítica enfrentada pela unidade. A taxa de ocupação geral da unidade está em 160%. Essa sobrecarga impacta diretamente na qualidade e no tempo de atendimento oferecido à população.

No setor adulto da enfermaria, a ocupação também está em 160%, refletindo a alta demanda por atendimento hospitalar. Já o cenário mais alarmante é o da pediatria, que apresenta uma taxa de ocupação de 200%. Isso significa que o setor está operando com o dobro da sua capacidade, o que acende um sinal vermelho para as condições de atendimento das crianças e para a necessidade urgente de ampliação de recursos e leitos.

Além da superlotação, a única porta de entrada pelo SUS na cidade, enfrenta uma fila crescente de pacientes que aguardam vaga para transferência para unidades hospitalares. Atualmente, 74 pessoas estão na fila, entre elas três crianças, que precisam de cuidados mais especializados.

Comparativo

Os números, comparados ao último balanço, divulgado pela Prefeitura na quinta-feira da última semana, 29, demonstram que a situação na unidade segue pressionada e com aumento significativo em alguns setores. 

Naquela data, a taxa de ocupação geral estava em 169%, com o setor adulto da enfermaria atingindo 180% e a pediatria em 157%. Atualmente, embora a ocupação geral tenha apresentado leve queda para 160%, a pediatria registrou um salto preocupante, chegando a 200% da capacidade.

Além disso, a fila de pacientes aguardando transferência hospitalar aumentou de 62 para 74 pessoas, incluindo agora três crianças. 

Unidades particulares

A alta nos casos de doenças respiratórias também tem sido percebida na rede privada de saúde em Divinópolis. Segundo informações repassadas por um hospital particular da cidade, os atendimentos no Pronto Atendimento (PÁ) para queixas respiratórias cresceram significativamente nas últimas semanas, com destaque para os casos de influenza, que têm sido os mais frequentes.

— Neste momento, não temos internações, mas os casos aumentaram bastante, principalmente de influenza —  informou a instituição. 

O hospital registrou na semana passada, os  três pacientes internados com a doença, mostrando que, apesar do aumento, a rede privada ainda consegue manter o controle sobre a demanda.

Apesar do crescimento na procura, a pressão por leitos na rede particular não atinge o mesmo nível crítico enfrentado pela UPA.

Ajuda

Durante a visita ao Hospital Regional na última sexta-feira, 30, Gleidson Azevedo aproveitou a oportunidade para tratar de diversas demandas da saúde pública da cidade. 

Em um encontro com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, além de debater melhorias para o Hospital Regional, o prefeito destacou a situação crítica da UPA Padre Roberto e cobrou ações urgentes do Governo de Minas para conter a superlotação da unidade.

Em entrevista ao Agora, durante a visita, Baccheretti falou dos esforços da Central de Regulação para encaminhar pacientes e ressaltou a importância do Hospital Regional, cuja inauguração está próxima, para aliviar a demanda na cidade.

— Nós conseguimos levar muitos pacientes para a região, Belo Horizonte e lugares mais longe, neste momento de sazonalidade de doenças respiratórias. Mas essa grande transformação passa por esse hospital regional também, tão sonhado e que em breve o governador Romeu Zema irá entregar — comentou. 

Orientação 

Diante da sobrecarga enfrentada, a Prefeitura de Divinópolis reforça a orientação para que a população procure a UPA somente em situações de urgência e emergência. 

A recomendação é que casos de menor complexidade, como dores de cabeça, viroses, alergias, resfriados e outros sintomas gripais leves, sejam direcionados às Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), localizadas nos bairros.

Essa ação, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é fundamental para desafogar o atendimento na UPA e garantir que os pacientes que realmente necessitam de cuidados imediatos sejam atendidos de acordo com a necessidade.

— A compreensão e colaboração da comunidade são fundamentais para que possamos superar esse momento com empatia, respeito e cuidado coletivo— diz a nota oficial, publicada na última semana.

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