Faltas em consultas do SUS geram desperdício de 14 mil atendimentos

Da Redação
A ausência de pacientes em consultas e exames agendados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem causado prejuízos significativos à rede pública de Saúde de Divinópolis. Durante a Prestação de Contas da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), referente a 1º quadrimestre de 2025, realizada no dia 29 do mês passado, na Câmara Municipal, a vereadora Ana Paula do Quintino (Avante) chamou a atenção para um dado alarmante: quase 14 mil atendimentos deixaram de ser realizados em um único quadrimestre devido à ausência injustificada de pacientes.
O dado representa cerca de 30% do total de agendamentos no período analisado. A diretora de Regulação da Semusa, Cristiane Joaquim, destacou que o número inclui exclusivamente pacientes que receberam contato telefônico da Central de Regulação, confirmaram e, mesmo assim, não compareceram no dia da consulta.
Conscientização
Durante a prestação de contas, Ana Paula, que já havia se manifestado anteriormente sobre o tema, voltou a cobrar mais conscientização da população.
— Não adianta a gente cobrar agilidade das consultas, se quando aparece a gente não vai. A população precisa entender que as faltas tiram a vaga de uma pessoa que está realmente precisando. Sempre cobro melhorias nas unidades, mas essas ausências prejudicam demais o funcionamento — afirmou.
Segundo a parlamentar, os números são alarmantes e refletem um problema estrutural.
— São 14 mil consultas jogadas fora. Imagina quantas pessoas poderiam ter sido atendidas? Toda essa situação prejudica o fluxo de atendimento — acrescentou.
Solução
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Dr. Delano (PL), também se manifestou sobre o problema. Para ele, embora penalidades sejam cogitadas por alguns setores, o caminho mais eficaz está na conscientização coletiva.
— Nós estamos abertos a sugestões. A melhor sugestão que teria é mexer no bolso. Porém, a gente sabe o quanto é complicado fiscalizar. Criar uma lei que mexa no bolso não é um problema; o problema é definir quem serão os fiscalizadores, aí é que mora a dificuldade — explicou.
O parlamentar reforçou que a comissão está aberta a ouvir sugestões da sociedade.
— Nós estamos abertos a acatar opiniões, mas eu acho que temos que ir pelo lado da compaixão. Uma pessoa que não vai a um exame, que não comparece a uma consulta, precisa se colocar no lugar do outro. Porque, para cada pessoa que falta, tem outra esperando. Ou seja, se 14 mil marcaram, e uma falta, tem 13.999 esperando que ela vá, para liberar a vaga para o próximo. Então, se compadecer do sofrimento do outro é o mais importante para tentar diminuir o absenteísmo — afirmou.
Diagnóstico
A secretária municipal de Saúde, Sheila Salvino, apresentou dados que ajudam a dimensionar o problema de forma mais ampla. Segundo ela, a média de absenteísmo em Divinópolis gira em torno de 30%, podendo chegar a 40% em serviços contratados de consultas especializadas. Isso contrasta com outra realidade enfrentada pela pasta: a da capacidade instalada e da demanda reprimida, que mantém uma fila significativa de pacientes aguardando por encaminhamentos para especialidades ou realização de exames.
Ela explicou que, a cada 10 pacientes agendados, três não comparecem, mesmo após terem confirmado presença junto à Central de Regulação. Trata-se de uma oferta desperdiçada diante de uma demanda crescente por assistência. Sheila ressaltou também que esse índice de 30% refere-se apenas aos pacientes que foram acionados, confirmaram o comparecimento e, mesmo assim, não compareceram. Casos em que o contato não foi possível — como número desatualizado ou ausência de resposta — não entram no cálculo.
Sheila acrescentou que a secretaria iniciou um processo de mapeamento das causas dessas ausências, buscando identificar fatores como dificuldades sociais, isolamento ou falta de apoio.
A secretária informou também que a Semusa iniciou um processo de mapeamento das causas dessas faltas para compreender melhor o fenômeno. A ideia é identificar se as ausências são motivadas por fatores que podem ser trabalhados por meio de campanhas de sensibilização ou se envolvem outras questões, como problemas sociais ou falta de apoio.
Prestação de contas
Durante a Prestação de Contas da Semusa referente ao 1º quadrimestre de 2025, também foram apresentados dados sobre investimentos, gastos, atendimentos e demais serviços prestados pela pasta.
O diretor financeiro Carlos Bruno destacou que o município arrecadou R$ 244.091.903,46 em receitas resultantes de impostos e transferências, das quais R$ 90.569.217,49 foram destinados ao Fundo Municipal de Saúde. Entre os serviços com maior volume de recursos liquidados estão a Assistência Hospitalar e Ambulatorial, com R$83,2 milhões, e a Atenção Primária, com R$ 34,6 milhões. O total de despesas liquidadas foi de R$ 139,5 milhões, o que representa 22,9% da receita municipal, superando os 15% exigidos por lei.
Sheila Salvino também apresentou os dados sobre a cobertura vacinal e alertou para o aumento nas consultas na UPA Padre Roberto, que registrou 42.229 atendimentos no primeiro quadrimestre. Segundo ela, o crescimento está relacionado à alta nos casos de dengue e doenças respiratórias. A secretária reforçou a importância do uso adequado da rede de Atenção Primária para evitar a superlotação da unidade de urgência.
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