Vapes oferecem até 6 vezes mais risco que cigarros comuns, aponta Secretaria de Saúde

Da Redação
O consumo de cigarros eletrônicos, também chamados de vapes ou dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), vem despertando crescente preocupação entre especialistas e autoridades de saúde. Apesar do design moderno e da aparência tecnológica, esses produtos podem oferecer até seis vezes mais riscos que o cigarro comum, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A discussão ganhou destaque durante o Dia Nacional de Combate ao Fumo, que foi celebrado na última sexta-feira, 29.
Nocividade
Embora muitas vezes sejam apresentados como alternativa menos prejudicial, os cigarros eletrônicos carregam substâncias tóxicas como nicotina em altas concentrações, metais pesados e compostos químicos que provocam sérias consequências.
Essa narrativa de redução de danos remete a práticas antigas da indústria do tabaco. Nos anos 1950 e 1960, propagou-se a ideia de que filtros tornariam o cigarro menos nocivo. Mais tarde surgiram as piteiras e, nos anos 1970, os chamados “cigarros light”. Hoje, o mesmo discurso é aplicado ao vape, que perpetua a dependência e amplia os riscos de doenças.
Popularidade entre adolescentes
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2019, apontou que 1 a cada 6 adolescentes (16,8%) dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam experimentado cigarros eletrônicos. A atratividade é explicada por três fatores principais:
- Design moderno, semelhante a um pendrive e associado à ideia de tecnologia;
- Sabores artificiais, como tutti-frutti e maçã verde, que disfarçam o gosto amargo da nicotina;
- Influência social, já que muitos relatam ter sido apresentados ao dispositivo por amigos.
Um estudo da Universidade de Michigan mostrou que adolescentes que usam vape têm 30 vezes mais risco de se tornarem fumantes habituais de cigarro convencional.
Doenças associadas
Entre os problemas identificados está a lesão pulmonar aguda associada ao uso do cigarro eletrônico, conhecida como Evali. Diferente da pneumonia, trata-se de uma inflamação grave que pode provocar falta de ar, dor no peito, tosse e atingir outros órgãos. Substâncias como tetrahidrocanabinol (THC) e acetato de vitamina E foram frequentemente relacionadas aos casos.
O médico Flávio Marcelino, aponta a crença equivocada de que o cigarro eletrônico causa menos danos. Embora não produza fumaça e não contenha alcatrão, ele possui alta concentração de nicotina, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
— O risco para doenças cardiovasculares é muito grande e existe uma doença específica relacionada ao cigarro eletrônico, que é a fibrose pulmonar. Quando a pessoa tem essa suscetibilidade para essa doença, em cerca de dois anos tende a desenvolver essa condição, que é irreversível — explicou.
O Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou a Nota Técnica Conjunta nº 233/2025, em março de 2025, que orienta os profissionais de saúde a registrarem corretamente os casos de Evali em Declarações de Óbito.
Proibição e regulamentação
A comercialização, importação, distribuição, transporte, armazenamento e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar estão proibidos no Brasil desde 2009. Em 2024, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 855 reforçou a medida, além de incluir a proibição de uso em recintos coletivos fechados, públicos ou privados.
Os DEF abrangem diferentes gerações de produtos: descartáveis de uso único, recarregáveis com refis líquidos (em sistemas abertos ou fechados) e dispositivos de tabaco aquecido, que utilizam matrizes sólidas acopladas ao equipamento eletrônico. Também podem empregar sais de nicotina, nicotina sintética ou outras substâncias de origem vegetal.
Prevenção
Em Minas Gerais, todos os municípios aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), promovido pela SES-MG, que promove atividades de educação em saúde e prevenção de doenças, incluindo o combate ao tabagismo. As ações são realizadas de forma integrada entre equipes das Unidades Básicas de Saúde e as escolas.
Para a coordenadora dos Programas de Promoção da Saúde da SES-MG, Nayara Pena, a informação é a principal ferramenta de proteção.
— É fundamental investir em informação e prevenção, especialmente entre adolescentes, que são o principal alvo da indústria do vape — afirmou.
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