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Divinópolis atua para reforçar as medidas preventivas sobre o metanol 

Divinópolis atua para reforçar as medidas preventivas sobre o metanol 

Da Redação

O aumento no número de casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas tem mobilizado autoridades de saúde em todo o Brasil e reforçado o alerta à população sobre os riscos do consumo de produtos de origem duvidosa. Minas Gerais, que havia anunciado um caso supeito, teve a informação descartada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Mas a Prefeitura de Divinópolis já trabalha para fiscalizar os comércios e bares da cidade. 

O que é?

O metanol é um líquido incolor, inflamável e solúvel em água. Muito utilizado em solventes, combustíveis e produtos industriais, ele não deve estar presente em bebidas alcoólicas. Quando encontrado nesse tipo de produto, é sinal de adulteração. 

O químico e professor da Faculdade UNA, Carlos Alexandre Vieira, explica que após a fermentação, cada bebida segue etapas específicas de produção, como filtração, engarrafamento ou pasteurização. No caso dos destilados, há um cuidado especial.

— Na cachaçaria, na destilaria, as pessoas falam muito em cabeça, corpo e cauda. Aquilo que sai primeiro do processo de destilação pode conter metanol. Por isso, esse primeiro líquido é separado, garantindo que a bebida esteja livre da substância. O problema atual, ao que tudo indica, é que rótulos foram falsificados e bebidas adulteradas receberam etanol contaminado com metanol — explicou.

Ele ainda explica que o o produto é uma substância muito semelhante ao etanol, mas com diferenças químicas fundamentais. 

— O etanol tem dois átomos de carbono, já o metanol possui apenas um. Essa diferença, apesar de parecer pequena, faz com que o metanol seja extremamente perigoso quando metabolizado no organismo — destacou.

O professor também revela que, enquanto o etanol,  presente nas bebidas alcoólicas comuns, é transformado em acetaldeído e depois em ácido acético, o metanol é convertido em formaldeído, podendo causar lesões graves, inclusive nos nervos ópticos. Por isso, a ingestão está associada a sintomas como visão turva, náuseas e até a morte.

Situação no Brasil

O Ministério da Saúde (MS) informou que o país já registra 209 casos em investigação de intoxicação, segundo balanço divulgado no último domingo, 5. No total, são 16 casos confirmados: 14 em São Paulo e dois no Paraná.

São Paulo concentra a maioria das notificações, com 178 casos em investigação, além dos 14 confirmados. Ao todo, 13 estados registraram ocorrências: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. Nos estados da Bahia e do Espírito Santo, os casos notificados foram descartados. O Ceará registrou o primeiro caso suspeito.

O país contabiliza também 15 óbitos relacionados à intoxicação, sendo dois confirmados em São Paulo e outros 13 em investigação, sendo sete em São Paulo, três em Pernambuco, um em Mato Grosso do Sul, um na Paraíba e um no Ceará.

Divinópolis

Em Divinópolis, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e da Vigilância em Saúde, já atua para reforçar as medidas preventivas.

Foram realizadas fiscalizações na última quinta-feira, 2, e sexta-feira, 3, em 66 estabelecimentos. A equipe orientou comerciantes sobre os riscos de compra e venda de bebidas adulteradas e verificou possíveis sinais de irregularidade, principalmente em destilados.

O prefeito Gleidson Azevedo (Novo) acompanhou parte das ações e destacou a necessidade de atuação preventiva. 

— Estamos atentos a essa situação que repercute em todo o país e já mobilizamos a equipe da Vigilância em Saúde para percorrer os comércios, conveniências e bares da cidade. Nosso objetivo é proteger a população e agir de forma rápida, garantindo segurança no consumo. Reforçamos o pedido para que todos fiquem atentos e evitem bebidas de procedência duvidosa — afirmou. 

Já a diretora de Vigilância em Saúde, Erika Camargos, ressaltou que além da inspeção, o Município tem promovido ações de educação.

— Estamos trabalhando de forma educativa com comerciantes e consumidores, mostrando como identificar uma bebida suspeita e os riscos do consumo — destacou.

Como o metanol age no corpo?

Quando ingerido, é metabolizado pelo fígado e transformado em formaldeído, um composto altamente tóxico. Em seguida, o formaldeído é convertido em ácido fórmico, que se acumula no corpo e causa graves danos. Esse processo compromete o sistema nervoso central, podendo gerar confusão, convulsões e coma; atinge o nervo óptico, levando à visão turva ou até cegueira permanente; e bloqueia a produção de energia celular, resultando em falência celular. 

Sintomas da intoxicação

Os primeiros sinais da intoxicação por metanol costumam surgir entre 12 e 14 horas após a ingestão da bebida adulterada. Dor de cabeça, náuseas, vômitos e dores abdominais estão entre os sintomas iniciais. À medida que a intoxicação avança, podem ocorrer tontura, confusão mental, convulsões e até mesmo perda da consciência. Também são comuns alterações visuais, como manchas, sensibilidade à luz e cegueira irreversível. Nos casos mais graves, a intoxicação pode levar ao coma e à morte.

Como identificar?

As autoridades orientam a população a redobrar os cuidados na hora da compra. A Vigilância em Saúde de Divinópolis destaca alguns pontos fundamentais:

- Embalagem e rótulo: verificar se o lacre está intacto e se a impressão do rótulo é de qualidade, sem borrões ou erros.

- Conteúdo da garrafa: observar se o líquido é transparente, sem partículas, excesso de gás ou cor incomum.

- Informações obrigatórias: confirmar CNPJ, endereço, número de lote, selo IPI e registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

- Preço e local de compra: desconfiar de valores muito abaixo do mercado e evitar pontos de venda improvisados, priorizando locais confiáveis.

O que fazer em caso de suspeita? 

Segundo Carlos Alexandre, procurar atendimento médico imediatamente. 

— O tratamento é muito elaborado, ele é à base de etanol em grau farmacêutico e somente hospitais vão ter essa substância e o tratamento adequado — afirmou.

Além disso, a recomendação do Ministério da Saúde é de:

- Levar a embalagem ou uma amostra da substância ingerida para o atendimento médico.

- Acionar os serviços de urgência:

- Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;

- Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) de Minas Gerais: (31) 3224-4000 ou (31) 3239-9224.

- Avise outras pessoas que possam ter ingerido a mesma substância.

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