Divinópolis registra aumento de mais de 60% nos casos de doenças respiratórias

Lucas Maciel
A queda nas temperaturas registrada geralmente no outono, já se intensifica, e com ela, os casos de doenças respiratórias costumam apresentar aumento significativo em todo o país. Época em que vírus, como influenza, rinovírus, adenovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR) circulam com mais intensidade, atingindo principalmente crianças e idosos. A combinação entre clima seco, aglomerações em ambientes fechados e baixa cobertura vacinal contribui para o agravamento do cenário.
Em Minas Gerais, a situação levou o governo estadual a decretar, no último dia 2, estado de emergência em saúde pública por 180 dias. A medida foi motivada pelo avanço expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já somam mais de 26 mil internações e quase 400 mortes somente em 2025. O decreto permite ações rápidas, como a contratação emergencial de profissionais, aquisição de insumos e abertura de novos leitos.
No entanto, em Divinópolis, o alerta também foi acionado. A cidade segue a tendência estadual e vem registrando um crescimento preocupante dos atendimentos por infecções respiratórias nas unidades de saúde. Entre março e abril, os casos saltaram mais de 60%, evidenciando a pressão sobre o sistema local.
Dados
Segundo dados da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, Divinópolis enfrenta uma escalada preocupante nos atendimentos por síndromes respiratórias em 2025.
Os casos vêm crescendo mês a mês. Em janeiro, já foram mais de 300 atendimentos, e esse número seguiu aumentando. Em abril, houve um salto expressivo, com 637 registros – quase o dobro da média dos meses anteriores. O avanço reforça o alerta para o impacto das doenças respiratórias típicas do outono, período marcado por clima seco e maior circulação de vírus.
Entre os casos mais graves, a tendência também é de crescimento. Em janeiro, a UPA registrou 12 ocorrências de Síndrome Respiratória . O número caiu para 8 em fevereiro, mas voltou a subir em março, com 17 casos, e novamente em abril, com 23. Embora esses dados sejam menores em volume, os casos de SRAG demandam atendimento mais complexo, com necessidade de internações, suporte intensivo e, muitas vezes, transferência para hospitais de maior porte.
Emergência
Diante do momento crítico que todo estado enfrenta, o Governo de Minas Gerais decretou, na última sexta-feira, 2, situação de emergência em saúde pública por 180 dias, diante do aumento expressivo dos casos no estado. A medida autoriza a adoção imediata de ações administrativas e assistenciais para ampliar a resposta do sistema de saúde, incluindo a contratação de profissionais e a aquisição de insumos e equipamentos.
A decisão faz parte do planejamento conduzido desde outubro de 2024 pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), com foco no enfrentamento das doenças respiratórias mais comuns no outono e inverno. De acordo com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, o Estado já vinha se preparando para esse cenário em conjunto com os municípios, oferecendo capacitação, apoio técnico e ampliando leitos hospitalares.
— Desde o ano passado, estamos capacitando equipes e fortalecendo as redes regionais. Já abrimos leitos e garantimos recursos para apoiar os municípios no atendimento — afirmou.
Números
Os números mostram a situação crítica enfrentada por Minas Gerais nos primeiros meses do ano. O estado já havia registrado, até o dia 26 de abril, 26.817 internações e 397 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apenas em 2025.
A maior parte dos casos graves e óbitos se concentra entre crianças de até 1 ano e idosos com mais de 60 anos, dois grupos naturalmente mais suscetíveis a complicações respiratórias.
Medidas
O decreto prevê ainda a criação do Centro de Operações de Emergências em Saúde por SRAG (COE-Minas-SRAG), que será responsável por coordenar as ações emergenciais e monitorar o avanço dos casos no estado durante o período de validade da medida.
A SES-MG também implantou em abril a Sala de Monitoramento de Vírus Respiratórios, que permite acompanhar em tempo real a circulação de vírus e orientar decisões estratégicas nas áreas de vigilância, assistência médica e vacinação. O Comitê Estadual de Vírus Respiratórios segue realizando reuniões quinzenais, com previsão de próximo encontro em 24 de junho, podendo intensificar os encontros conforme a evolução dos casos.
Além disso, com o objetivo de ampliar a capacidade da rede assistencial, o governo estadual iniciou o repasse de incentivos financeiros para hospitais que abrirem ou adaptarem leitos clínicos pediátricos voltados ao tratamento das doenças.
— Estamos preparados, mas sabemos que é preciso esforço contínuo. O Estado tem recursos e está pronto para apoiar rapidamente as regiões mais pressionadas — reforçou Baccheretti.
Vacinação
Junto às ações de atendimento, o Estado também intensificou a vacinação contra a influenza, que agora faz parte do calendário de rotina e estará disponível durante todo o ano.
Desde o início da campanha, Minas Gerais recebeu 5,7 milhões de doses, distribuídas aos municípios. A vacinação foi ampliada para toda a população acima de 6 meses de idade, com meta de cobertura vacinal de 90% desde o dia 26 de abril.
Para alcançar mais pessoas, o governo colocou em operação 222 vacimóveis.
— A maioria das doenças respiratórias graves pode ser evitada com vacinas. Precisamos que pais e responsáveis levem suas crianças aos postos. Em caso de sintomas, o ideal é evitar o contato com outras crianças para frear a transmissão, especialmente do vírus sincicial, que ainda não tem vacina disponível — orientou o secretário.
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