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Divinópolis registra quase o triplo de casos graves respiratórios em abril 

Divinópolis registra quase o triplo de casos graves respiratórios em abril 

Da Redação 

O aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Divinópolis levou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) a retomar a obrigatoriedade do uso de máscaras dentro da instituição. O município vive um cenário de alerta diante da maior circulação de vírus respiratórios e do crescimento das internações, principalmente entre crianças menores de 5 anos.

Dados divulgados pela Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), mostram um crescimento expressivo dos casos nos últimos meses, especialmente após as mudanças de temperatura registradas em abril. Conforme o Painel SRAG 2026, foram contabilizados 3 casos em janeiro, 2 em fevereiro, 6 em março e 15 em abril. O último mês concentrou mais da metade de todos os registros do ano e apresentou aumento de 150% em relação ao mês anterior.

O cenário também acende um alerta para a pressão sobre os serviços de saúde. Entre os pacientes diagnosticados com SRAG, 10 precisaram de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que representa 35,7% dos casos registrados.

Crianças

Os dados da Semusa apontam que o público infantil tem sido o mais afetado pelas doenças respiratórias. Crianças menores de 5 anos concentram 64% dos registros de Síndrome Respiratória Aguda. Desse total, 9 casos foram identificados em menores de 1 ano e outros 9 em crianças entre 1 e 4 anos.

Entre os vírus identificados, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) aparece como o principal agente causador das infecções. O vírus é responsável por quadros que variam de sintomas leves, semelhantes a um resfriado comum, até complicações graves, especialmente em bebês, idosos e pessoas com comorbidades.

Os sintomas mais frequentes incluem tosse, febre, coriza, congestão nasal e chiado no peito. Nos casos mais graves, os pacientes podem apresentar dificuldade respiratória, irritabilidade, sonolência e perda do apetite.

Em entrevista ao Agora, a médica infectologista da UPA, Natália Archanjo, explicou que o motivo das crianças serem as mais afetadas. 

— A criança tem tanto o sistema imunológico em desenvolvimento, quanto ela foi exposta a poucos vírus respiratórios ainda. Então, o sistema imunológico ainda não está totalmente preparado — afirmou

A médica ainda explicou que o aumento dos casos está relacionado ao período de sazonalidade dos vírus respiratórios, marcado pela circulação mais intensa de agentes como rinovírus, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e influenza. Segundo ela, o crescimento da demanda começou a ser percebido ainda no início desse período sazonal.

Segundo a infectologista, a unidade passou a monitorar constantemente os indicadores relacionados aos atendimentos respiratórios após a elaboração de um plano de contingência baseado em orientações estaduais.

— A gente se baseou num plano estadual de contingência desses vírus respiratórios e optamos por adaptar para um plano institucional de contingência. Então, a gente identificou os indicadores de atendimento e os indicadores adaptados para a realidade da UPA e a gente faz uma monitorização semanal desses indicadores — explicou.

Cenário de alerta

De acordo com Natália Archanjo, o crescimento da demanda nas últimas semanas fez com que o município avançasse para um nível de alerta dentro do plano de contingência.

— Nas duas últimas semanas, a gente viu um aumento expressivo do número de casos, uma sobrecarga assistencial e um aumento na taxa de positividade dos exames. Então, foi necessário escalar nesse plano de contingência o nível que a gente estava para um nível de alerta — disse.

Diante do cenário, a UPA retomou medidas preventivas dentro da unidade, incluindo o uso obrigatório de máscaras por profissionais, pacientes e acompanhantes.

— O cenário atual de Divinópolis e da nossa UPA é de alerta. Como medidas de prevenção e controle, a gente tem o uso da máscara dentro da instituição, tanto dos profissionais da assistência quanto para pessoas que permaneçam na nossa unidade, principalmente na sala de espera, de observação e de internação — afirmou.

Gravidade da SRAG

Natália Archanjo explicou que a Síndrome Respiratória Aguda Grave corresponde aos quadros gripais que apresentam sinais de agravamento e necessidade de suporte hospitalar.

— A síndrome respiratória aguda grave nada mais é do que uma gripe que tem sintomas de gravidade. Então, envolve a hospitalização do paciente, a dificuldade de respirar sozinho, precisar de oxigênio suplementar ou até mesmo a intubação — explicou.

A médica também alertou para o risco de agravamento da doença.

— Pode evoluir até a óbito. Então, a gripe pode matar. Por isso, ela é classificada em diferentes níveis de gravidade — afirmou.

Ela também citou que o VSR é o principal causador da bronquiolite, doença que pode provocar complicações respiratórias importantes em crianças pequenas.

Orientações

A Semusa orienta que pacientes com sintomas leves procurem inicialmente as unidades de saúde para avaliação e acompanhamento. Casos mais graves devem ser encaminhados diretamente para a UPA, que funciona 24 horas.

O Ambulatório de Doenças Endêmicas, localizado na rua Nova Serrana, nº 140, no bairro Afonso Pena, também realiza triagem, atendimento médico, exames e administração de medicamentos em casos moderados. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

A Prefeitura reforça que a vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção contra complicações causadas pelas doenças respiratórias, especialmente entre os grupos prioritários.

A orientação é manter a caderneta vacinal atualizada, higienizar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados, evitar aglomerações e utilizar máscara ao apresentar sintomas respiratórios.

Natália Archanjo também reforçou a importância de observar os sinais de agravamento da doença.

— O principal é a gente ficar atento aos sintomas e aos sintomas de gravidade. Os sintomas iniciais costumam ser febre, tosse, dor de garganta, nariz escorrendo e dores no corpo — afirmou.

Ela alertou que febre persistente, dificuldade para respirar e dificuldade de alimentação ou hidratação exigem atendimento imediato.

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