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Divinópolis se recupera na criação vagas de empregos 

Divinópolis se recupera na criação vagas de empregos 

Jorge Guimarães 

Após dois meses consecutivos de retração, em maio e junho, e uma discreta recuperação em julho, quando apenas uma vaga com carteira assinada foi gerada, o mercado de trabalho em Divinópolis voltou a apresentar sinais positivos em agosto. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram registradas 3.347 admissões contra 3.181 desligamentos, o que resultou em um saldo de 166 novos postos de trabalho.

Recuperação

O desempenho, conforme especialistas, representa uma grata recuperação para a economia local, especialmente diante do cenário de oscilação no primeiro semestre. De acordo com eles, embora o saldo ainda seja considerado moderado, o resultado mostra que empresas da cidade voltaram a contratar em ritmo mais acelerado, refletindo um movimento de confiança no ambiente econômico.

— A geração de empregos em agosto não apenas ameniza os impactos das perdas recentes, como também reforça a expectativa de que setores estratégicos, como comércio e serviços, possam se manter em trajetória de estabilidade nos próximos meses. A retomada gradual é fundamental para sustentar o consumo e fortalecer a atividade econômica da região — avaliou o economista Lazaro Ribeiro.

Mercado

Para outro economista Lázaro Ribeiro, a sequência de resultados negativos registrada em maio (-26 vagas) e junho (-207 vagas) demonstrou a dificuldade do mercado de trabalho em Divinópolis em sustentar contratações diante de um cenário econômico mais cauteloso. O saldo praticamente nulo de julho, com apenas uma vaga positiva, segundo ele, ainda que tenha sinalizado uma inflexão, evidenciava que a recuperação seria lenta e dependente de fatores conjunturais.

Ribeiro explica que,a criação de 166 novos postos em agosto mostra uma retomada relevante, mas ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas. 

— A economia local dá sinais de reação, especialmente no comércio e nos serviços, setores que tradicionalmente puxam a geração de empregos em períodos de maior movimento, como o que antecede o fim de ano. No entanto, ainda estamos em um estágio de recuperação moderada, sem uma tendência consolidada — avaliou.

O economista destaca ainda que a sazonalidade exerce papel determinante nesse processo. Historicamente, o segundo semestre favorece contratações temporárias e efetivas, sobretudo no varejo, devido ao aumento da demanda. 

— É um comportamento esperado e que pode sustentar bons resultados até dezembro. A questão é saber se, em 2026, o mercado conseguirá manter esse fôlego sem depender exclusivamente dos períodos sazonais — concluiu Ribeiro.

Segmentos

Na avaliação de Lazaro Ribeiro, os números de agosto do Caged reforçam a força do setor de serviços como motor do mercado de trabalho em Divinópolis. 

— A abertura de 243 vagas nessa área mostra a relevância dos serviços na economia local, já que atendem tanto à demanda cotidiana da população quanto às empresas. É um setor com grande capacidade de adaptação e geração de empregos em diferentes níveis de qualificação — destacou.

Ribeiro observa também a recuperação do comércio, que somou 42 novas vagas após resultados negativos em julho. Para ele, esse movimento já reflete uma antecipação do aquecimento típico do segundo semestre, marcado pelas datas comemorativas e pelo aumento no consumo. 

O agronegócio, embora com participação modesta — totalizando nove vagas, continua sendo um segmento estratégico para a região, especialmente pela sua resiliência em cenários adversos.

Por outro lado, o desempenho negativo da indústria, com a perda de 112 empregos formais, e da construção civil, que fechou 16 postos, revela fragilidades importantes. 

— Esses dois setores são fundamentais para sustentar um ciclo de crescimento mais sólido. Quando eles retraem, acabam limitando o potencial de expansão da economia como um todo. Isso mostra que a recuperação ainda é desigual e depende de ajustes estruturais e de um ambiente de negócios mais favorável — analisou Lazaro.

Para ele, o saldo positivo de agosto é animador, mas deixa claro que a retomada precisa vir acompanhada de maior equilíbrio entre os setores produtivos. 

— Não basta apenas serviços e comércio puxarem os números. É essencial que a indústria e a construção civil também retomem fôlego para que a cidade alcance uma recuperação mais sustentável no médio prazo — concluiu.

Vagas

Mostrando-se em franca recuperação, muitas vagas ficam disponíveis na cidade todos os dias. Ontem, por exemplo, o Sistema Nacional de Empregos (Sine), unidade de Divinópolis, que fica na rua Goiás 206, disponibilizava um total de 191 oportunidades.  O destaque eram as 10 para auxiliar de linha de produção, servente de obras e trabalhador polivalente na confecção de calçados. As demais foram distribuídas entre vigilante, vendedor interno, recuperador de crédito, entre outras.

Centro – Oeste 

A região segue apresentando desempenho positivo, conforme mostram os dados do Caged referentes ao mês de agosto. Os destaques foram os municípios de Nova Serrana (abertura de 117 vagas) e Pará de Minas (60). Juntos contribuíram de forma significativa para o saldo regional.

Já Itaúna, pelo quinto mês consecutivo, registrou saldo negativo na geração de empregos. Desde fevereiro, a cidade vem enfrentando forte retração, puxada principalmente pela construção civil (52 vagas encerradas em agosto). 

No entanto, quem mais pesou no fraco desempenho do mês foi a indústria, que encerrou agosto com 74 postos de trabalho a menos. 

Minas Gerais 

Em Minas Gerais não foi diferente. O Estado registrou em agosto o menor saldo de empregos formais de 2025. Foram apenas 1.214 novas vagas com carteira assinada, de acordo com os dados do Caged. O resultado foi fortemente impactado pela agropecuária, que encerrou quase 10 mil postos de trabalho em função do fim da safra de café, movimento esperado neste período do ano, mas que exerce grande peso sobre a economia do estado.

— Embora o fim da safra seja um fenômeno sazonal, o desafio está em diversificar as bases de geração de empregos, reduzindo a vulnerabilidade de oscilações desse tipo. A expectativa é que, nos próximos meses, setores como comércio e serviços ganhem maior protagonismo, impulsionados pelo calendário de fim de ano — pontua Ribeiro.

Brasil 

Já no cenário nacional, os números do mercado de trabalho foram positivos. De acordo com os dados, o país registrou 2.239.895 admissões e 2.092.537 desligamentos, o que resultou em um saldo de 147.358 novos postos de trabalho com carteira assinada. O resultado significa um aumento de 13,5% em relação ao mês anterior, quando os números de novas vagas ficaram em 129.775.  O destaque ficou por conta do setor de prestação de serviços.

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