Divinópolis sedia oficina regional para reforçar atenção à saúde materno-infantil

Lucas Maciel
A cada 10 mortes maternas, 9 poderiam ser evitadas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A mortalidade materna e infantil segue como um dos principais indicadores de desigualdade na assistência à saúde no Brasil. Embora o país tenha apresentado uma redução significativa em 2024 — com 57 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, retomando os índices pré-pandemia — o desafio ainda é grande.
No contexto da pandemia de covid-19, o Brasil registrou 3.030 mortes maternas em 2021, o maior número da série histórica, com um aumento significativo em relação aos anos anteriores. A sobrecarga do sistema de saúde e a descontinuidade nos serviços contribuíram para o agravamento da situação. Além disso, dados do IBGE revelam que muitas gestantes, especialmente nas áreas rurais, enfrentam dificuldades no acesso a atendimento adequado, sendo forçadas a se deslocar para outros municípios em busca de cuidados.
Com o objetivo de enfrentar esses desafios e fortalecer a rede de atenção à saúde, Superintendência Regional de Saúde (SRS) sediou, nesta terça-feira, 21, a oficina de implantação da Linha de Cuidado Materno Infantil, com a participação de representantes de mais de 50 municípios da Macrorregião Oeste.
Evento
Realizada no campus da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Divinópolis, a oficina da Linha de Cuidado Materno Infantil teve programação durante todo o dia, com atividades teóricas no período da manhã e práticas à tarde.
A iniciativa reuniu profissionais da saúde, gestores e representantes destes municípios, com o objetivo de alinhar estratégias para reorganizar os fluxos assistenciais voltados ao atendimento de gestantes, puérperas e recém-nascidos.
A proposta do encontro é qualificar as equipes e fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de atenção. A nova abordagem também busca ampliar o acesso, reduzir a mortalidade materna e infantil e garantir um cuidado mais humanizado e integral.
Quem reforça a importância desse processo a referência técnica em Vigilância Epidemiológica na SRS, Nayara Dornela, Segundo ela, a oficina busca garantir que os municípios possam replicar as informações para seus profissionais de saúde.
— O objetivo deste evento é que os municípios repliquem as informações para os seus profissionais de saúde, para que possamos estabelecer processos assistenciais de cuidado das mulheres desde o período pré-concepcional, passando pela gestação, o parto e o acompanhamento do recém-nascido até os dois anos de vida — afirmou.
Ela também ressaltou a importância do evento para o alinhamento teórico e a qualificação dos processos assistenciais.
— É um momento de alinhamento teórico para qualificação dos processos assistenciais, para que a gente evite os óbitos infantis e maternos — completou.
Números
A mortalidade materna voltou a apresentar queda no Brasil em 2024, após um período crítico durante a pandemia de covid-19. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a razão de mortes maternas caiu para 57 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos, número semelhante ao registrado no período pré-pandêmico.
A melhora é significativa em relação a 2021, quando o país alcançou o maior patamar da série histórica, com 3.030 mortes — um aumento de 74% em comparação a 2014.
Apesar da redução geral, os recortes mostram que as desigualdades permanecem acentuadas. Em 2022, a taxa entre mulheres pretas foi quase o dobro da média nacional: 110,6 por 100 mil nascidos vivos, enquanto o índice geral era de 57,7. Diante disso, o governo federal estabeleceu como meta a redução em 50% da mortalidade entre mulheres pretas até 2027.
O indicador é considerado um dos principais termômetros da qualidade do atendimento em saúde e reflete, diretamente, o acesso e a efetividade dos serviços prestados. Fatores como desassistência, demora no atendimento, peregrinação por leitos e falhas no acompanhamento pré-natal estão entre as principais causas das mortes evitáveis no país.
Dia nacional
O Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna, comemorado em 28 de maio, é um momento importante para refletir sobre um problema que ainda afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo. De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a morte materna é o falecimento de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, causado por complicações relacionadas ao processo gestacional.
A data não serve apenas como um marco de conscientização, mas também como um chamado à ação, destacando que, embora as taxas de mortalidade materna tenham diminuído nas últimas décadas, ainda existem muitos desafios a serem superados.
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