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Conta de luz fica mais cara no fim do mês 

Conta de luz fica mais cara no fim do mês 

Jorge Guimarães 

A conta de luz vai pesar mais no bolso dos mineiros a partir do fim deste mês. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na última terça-feira, o Reajuste Tarifário Anual da Cemig, com aumento médio de 7,36%. O novo valor começa a partir do próximo dia 28 e vai até 27 de maio de 2026, conforme determina o contrato de concessão da distribuidora. É importante destacar que as tarifas de todas as distribuidoras brasileiras são definidas pelo órgão federal. O aumento será percebido pelos consumidores a partir da fatura de junho, que terá vencimento em julho.  A medida afeta mais de 9 milhões de unidades consumidoras em Minas Gerais.

Lares e comércios

O anúncio do reajuste já começa a gerar preocupação entre famílias e pequenos empresários. A dona de casa Maria Aparecida Ferreira, do bairro São José, afirma que o orçamento doméstico ficará ainda mais apertado.

— Já fazemos de tudo para economizar. Com esse novo aumento, vai ser preciso cortar em outras áreas, como lazer e alimentação —  disse.

O comerciante Lucas Andrade, dono de uma lanchonete no Centro de Divinópolis, teme o efeito em cascata.

—  Já pagamos mais de R$ mil por mês de energia. Se subir mais, não tem como segurar os preços. Vai acabar chegando no cliente — avaliou.

Já a aposentada Doralice Silva, de 68 anos, diz que o aumento é desproporcional.

— Recebo um salário mínimo. Cada real a mais faz diferença. A energia devia ser mais acessível, é um serviço essencial — avaliou.

Especialistas comentam

Para o economista Leandro Maia, o reajuste afeta diretamente o consumo das famílias.

— Quando a conta de energia sobe, o impacto é imediato no orçamento. As famílias consomem menos em outros setores, o que acaba refletindo na economia local — pontua. 

O também economista Lazaro Ribeiro, chama atenção para o peso das tarifas no Brasil.

— O modelo tarifário brasileiro tem muitas camadas de encargos e tributos. Em momentos de inflação e desemprego altos, aumentos como esse têm efeito negativo, especialmente entre os mais pobres — avalia. 

Fontes alternativas 

Os sucessivos aumentos nas tarifas de energia elétrica no Brasil têm gerado forte impacto no orçamento das famílias e nas finanças das empresas.  Reflete também numa série de fatores, como a crise hídrica, os reajustes nos contratos de concessão, a alta dos encargos setoriais e a limitação na diversificação da matriz energética. Diante desse cenário, cresce a urgência por soluções que reduzam a dependência do sistema tradicional e tragam maior previsibilidade ao setor.

A energia solar desponta como uma das principais alternativas para amenizar esse impacto. A expansão da geração distribuída, com painéis solares instalados em residências, comércios e propriedades rurais, tem ganhado força nos últimos anos, permitindo aos consumidores mais autonomia, economia e sustentabilidade. Além disso, o Brasil possui elevado potencial solar, o que favorece a adoção dessa tecnologia em larga escala.

— Paralelamente, é fundamental o fortalecimento de políticas públicas que incentivem a eficiência energética, promovam a modernização da infraestrutura elétrica e garantam maior transparência nos critérios de reajuste tarifário. A previsibilidade nas tarifas é essencial para que consumidores e investidores possam planejar seus gastos e investimentos com segurança — destaca Lazaro. 

Novo modelo

É unânime a opinião que os reajustes tarifários, embora desafiadores, também funcionam como um alerta para a necessidade de um novo modelo energético mais equilibrado, acessível e ambientalmente responsável. Investir em fontes renováveis e em políticas de eficiência é, mais do que uma escolha, uma urgência nacional.

Para Lazaro Ribeiro é preciso tratar a eficiência como política de Estado.

—  É mais barato economizar energia do que produzir mais. O governo pode incentivar isso por meio de programas educacionais e modernização do setor público — explica.

Variáveis

A reportagem procurou a Companhia Energética de Minas Gerais, que por meio de sua assessoria de comunicação, passou algumas dicas de como o consumidor pode se proceder para economizar energia. O engenheiro de Eficiência Energética da estatal, Welhiton  Adriano de Castro Silva, afirma que o consumo de energia depende, basicamente, de duas variáveis: potência dos equipamentos em Watts (W) e do tempo de utilização, em horas. 

— Para utilizar a energia de maneira eficiente, devemos atuar nessas duas variáveis. Dessa forma, a mudança nos hábitos de consumo se faz mais importante e pequenas atitudes no dia a dia podem fazer a diferença e ainda economizar na conta no fim do mês — explica.

O especialista recomenda que os consumidores busquem alternativas para economizar energia e evitar surpresas maiores na conta, como substituir lâmpadas por modelos LED, desligar equipamentos da tomada quando não estiverem em uso e ajustar o uso de eletrodomésticos como geladeira, ar-condicionado e em especial o chuveiro elétrico, pois em função da sua elevada potência, pode representar até 30% da conta de luz. Essencial também, conforme Silva, não desligar a geladeira ou freezer à noite para ligá-los na manhã seguinte, nem utilizar a parte traseira do refrigerador para secar panos e roupas. Ainda segundo ele, ao comprar qualquer equipamento elétrico, sempre dá preferência àqueles que possuam o Selo Procel de Eficiência Energética.

Cálculo 

O reajuste foi calculado com base em diversos fatores, como custos com compra e transmissão de energia, encargos setoriais e atualização dos componentes financeiros. Para os consumidores residenciais atendidos em baixa tensão, o aumento será, em média, de 6,67%. Para indústrias e grandes comércios conectados em alta tensão, o reajuste médio será de 8,27%. Já para os cerca de 1,5 milhão de consumidores residenciais beneficiados pela Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), o valor terá um acréscimo de 2,02%.

O impacto no bolso do consumidor pode ser significativo, especialmente em um cenário de inflação elevada e orçamento doméstico apertado. Para uma família que paga atualmente R$ 200, por exemplo, o reajuste pode representar um acréscimo de cerca de R$ 13.

— Com o novo aumento, cresce também o debate sobre a necessidade de políticas públicas que incentivem fontes alternativas e mais baratas de energia, como a solar —  finaliza o economista. 

Remuneração 

O gerente de Regulação da Cemig, Giordano Bruno Braz de Pinho Matos, também explicou o processo de remuneração dos diversos segmentos do setor elétrico brasileiro.  

— As distribuidoras desempenham um papel que vai além da simples entrega de energia para os clientes. Elas são essenciais para manter o fluxo financeiro do setor elétrico nacional, pois as concessionárias de distribuição atuam diretamente junto aos consumidores de energia elétrica. Dessa forma, fazem a arrecadação, por meio das faturas, dos recursos necessários para remunerar essa cadeia, como as geradoras e transmissoras, além de repassar os impostos e encargos para os governos municipais, estaduais e federal — explica. 

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