Onda de violência em Divinópolis: três crimes graves em 72 horas deixam população em alerta

Elian Ozéias
Divinópolis vive dias de tensão após uma sequência de crimes violentos que culminaram no 17º homicídio do ano, na tarde desta segunda-feira, 19. Em 72 horas, a cidade testemunhou uma tentativa de homicídio na sexta-feira, 17, um assassinato no domingo, 18, e outro na segunda, 19, reforçando a percepção de insegurança entre os moradores do município.
Cronologia dos crimes
- Sexta-feira, 16: Tentativa de homicídio em estacionamento de um supermercado no bairro Ponte Funda (10º caso do ano).
- Domingo, 18: Jovem de 25 anos é assassinado dentro de casa no bairro Planalto.
- Segunda-feira, 19: Homem de 27 anos é executado a tiros no bairro Tietê, próximo às avenidas Rio Xingu e Rio Bananal.
17º homicídio
A última vítima, um homem de 27 anos, tinha passagens por homicídio, roubo, receptação e tráfico de drogas. Condenado a 30 anos de prisão, cumpriu apenas oito e havia sido beneficiado com regime semiaberto domiciliar com tornozeleira eletrônica no mesmo dia do crime – mas não chegou a usar o dispositivo.
De acordo com o tenente André, da PM, que comandou o trabalho no local, o caso tem indícios de acerto de contas.
— A vítima já era conhecida no meio policial. Acreditamos que o tráfico possa ter motivado o crime, mas ainda estamos apurando imagens e buscando testemunhas — explicou.
Moradores relataram ter ouvido disparos, mas ninguém presenciou o momento do crime. Uma testemunha afirmou à polícia que, ao sair de casa após os tiros, encontrou o homem já caído no chão.
Dados alarmantes: 10 tentativas de homicídio e 17 assassiantos em 2025
| Mês | Homicídios |
|-----------|------------|
| Janeiro | 3 |
| Fevereiro | 5 |
| Março | 4 |
| Abril | 2 |
| Maio | 3 |
Além dos 17 assassinatos, a cidade já contabiliza 10 tentativas de homicídio neste ano.
O Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) tem registrado aumento nas ocorrências relacionadas a disputas territoriais do tráfico e conflitos interpessoais.
Especialista aponta falhas estruturais
O cientista social e mestre em Educação pela UFV, Genival Souza Bento Junior, analisa que o problema vai além da atuação policial.
— A violência é uma engrenagem que reflete o desajuste das instituições. Escola, família, Estado e polícia não estão conseguindo frear a criminalidade porque há uma desconexão entre eles. O crime surge como alternativa para quem não tem oportunidades — ressalta.
Ele compara a situação com a crise na educação.
— Não adianta só aumentar policiamento ou construir escolas. Se as instituições não funcionarem de forma integrada, os resultados serão sempre insatisfatórios — argumenta.
População pode ajudar
- Como denunciar: Disque 190 ou 181
- Dados comparativos: Em 2024, Divinópolis registrou 9 homicídios no mesmo período.
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