Maio marca estreias literárias e revela o poder feminino na escrita

Jorge Guimarães
O mês de maio foi especialmente marcante para o cenário cultural de Divinópolis. A cidade presenciou estreias literárias que deixaram sua marca e revelaram talentos promissores que, além de atuarem como jornalistas, agora também se destacam como escritoras. Gracielle Castro e Talita Camargos, profissionais reconhecidas da imprensa local, lançaram suas primeiras obras e surpreenderam o público com sensibilidade, profundidade e domínio da palavra escrita.
Graci Castro apresentou ao público “Devaneios”, uma coletânea que transita entre reflexões e sentimentos cotidianos, enquanto Talita Camargos emociona com “A Redescoberta do Sol”, obra em que transforma o luto em poesia e esperança. Com estilos próprios, as duas autoras demonstram maturidade criativa e autenticidade em cada página.
ADL
Mais que estreantes, vistos que as duas já são vistas como sérias candidatas a ocupar futuramente cadeiras na Academia Divinopolitana de Letras (ADL), instituição que preserva e valoriza o patrimônio literário da cidade. Seus lançamentos não apenas enriqueceram o cenário editorial, mas também inspiraram novos olhares sobre o papel da mulher na literatura regional.
Gracielle Castro
A jornalista, assessora de comunicação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro-Oeste, Gracielle Castro, lançou seu primeiro livro na noite do último dia 8 de maio. O evento aconteceu no pátio da Fiemg/Regional e reuniu amigos e familiares para uma noite de autógrafos abrilhantada com a leitura de um trecho, pela própria autora, da crônica “Alegria Compartilhada”, que está presente no livro Devaneios.
Livro
O livro de crônicas aborda a existência em suas diversas facetas, o lar, as tradições de família, a relação com os amigos, as perdas e alegrias da vida, sobretudo, a passagem do tempo, os ciclos, seus finais e recomeços.
De acordo com a autora, o sonho de ser escritora a acompanha desde a infância, quando via sua mãe, leitora voraz, sempre na companhia de um livro.
— A leitura sempre me fascinou, assim como a vida, o tempo, a beleza do cotidiano, então, juntei as coisas e me descobri uma cronista — explicou.
Gracielle é natural de Arinos, Noroeste de Minas, e viveu a adolescência em João Pinheiro, onde ainda reside sua família. Divinopolitana de coração, mudou-se para a cidade, há mais de 20 anos para cursar jornalismo e foi nesta cidade que construiu uma carreira na comunicação e colocou em prática os planos para realizar o sonho do primeiro livro.
— Durante a pandemia eu li ainda mais e passei a escrever resenhas dos meus livros preferidos, sentia uma necessidade de falar as sensações e reflexões que aquele livro despertou em mim; depois comecei a escrever as minhas próprias reflexões e visões de mundo, daí nasceu Devaneios — contou a autora.
A autora classifica o livro como um convite à contemplação, um chamado a realizar pausas para enxergar a beleza escondida no cotidiano.
O livro está disponível para venda diretamente com a autora, o contato pode ser feito através de suas sociais @graciellepcastro.
Talita Camargos

Depois de dez anos de escrita e cerca de um ano de edição, Talita Camargos está apresentando a obra “A Redescoberta do Sol: Frestas de Vida Após a Morte de Minha Mãe” em uma série de eventos.
O livro traz a primeira década do processo de luto da autora, além de temas que se tornaram importantes depois da morte de dona Neuza, a mãe da escritora. Saúde mental, trabalho, família e outras despedidas são abordados no livro.
Mais do que uma narração sobre luto, uma história de amor
A autora define o livro como uma obra muito maior que o luto.
— A Redescoberta do Sol mostra de que maneiras continuei a me conectar à minha mãe, vítima de um câncer raríssimo (na glândula suprarrenal) aos 52 anos. Vínculo entre mãe e filha é eterno, e é esse amor que sobressai — diz.
Descoberta
Talita descobriu que a mãe poderia estar gravemente doente na véspera de seu aniversário, 16 de junho de 2013, quando estava na casa da família, em Ibitira (região Central de Minas). Ela e o noivo haviam ido à cidade para marcar o casamento, que aconteceria em 30 de julho daquele ano.
A partir daí, a escritora conta como foi o luto antecipatório, vivenciado por exatos dois meses até a partida da mãe, as dores e milagres da despedida iminente, além de como a falta trouxe sentimentos e fatos diversos, alguns incompatíveis com a morte, em uma análise superficial.
Recepção dos leitores
A autora já começou a receber alguns retornos sobre a obra.
— Talita conseguiu transformar um tema tão doloroso em algo leve, humano e tocante. Ao longo da leitura, conheci e me encantei com uma tia Neuza que eu não conhecia e me emocionei com várias situações que participei. O livro é uma homenagem, um desabafo e também um abraço para quem já perdeu alguém — disse a advogada Alessandra Camargos.
— Percebi que esse livro não é só pra quem perdeu alguém amado. É pra quem deseja olhar pra sua própria jornada (e a vida ao seu redor) com mais honestidade, afeto, curiosidade e coragem. A Talita escreve como quem conversa com a gente no sofá da sala. Como quem segura a mão de quem já sofreu uma perda e diz, às vezes só com o olhar, ‘eu sei como é — disse a jornalista Karine Porto.
Publicação independente
O livro é independente, mas a autora submeteu a obra a todos os processos profissionais: leitura crítica, preparação, edição, revisão 1, revisão 2, capa e diagramação, além da leitura de seis leitores betas (os primeiros que têm contato com o texto antes de passar por qualquer alteração).
— Trabalhei com pessoas muito competentes, referências no que fazem. Minha preparadora de texto, Josi Fleck, foi recomendada pela escritora Andréa del Fuego; a capista, Luyse Costa, tem trabalhos premiados, assim como a revisora 2, Ana Elisa Ribeiro, agraciada com um Prêmio Jabuti e muitas outras honrarias — afirmou Talita.
“A Redescoberta do Sol” foi viabilizado com contribuições em um financiamento coletivo, marcas apoiadoras e patrocínios.
Lançamentos
O primeiro lançamento aconteceu no dia 26 de abril, data em que a mãe da autora completaria 64 anos, local em que a escritora viveu até os 14 anos. Na ocasião, a autora convidou amigos e familiares.
Depois, Talita lançou a obra na Bienal Mineira do Livro, em Belo Horizonte e no dia 15 de maio, foi a vez de Divinópolis.
O próximo evento será em Ibitira, na praça Alonso Alves. Desta vez, o lançamento será público e conta com o apoio da Prefeitura de Martinho Campos.
— Ainda teremos outros eventos, como bate-papo com a autora, mas não há definição de data — contou.
Onde comprar
O livro pode ser adquirido diretamente com a autora, no Instagram @talitacamargos2 ou na Boutique do Livro. Em breve, “A Redescoberta do Sol” estará presente em outros locais.
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