Do temporário ao efetivo: importância das vagas de fim de ano para o mercado

Jorge Guimarães
Faltando três meses para as comemorações de fim de ano, os setores varejista e de serviços já começam a se movimentar para o período mais aguardado do calendário comercial. Tradicionalmente, essa é a fase de maior volume de vendas, o que leva muitas empresas a reforçarem suas equipes com a contratação de novos profissionais. O pleno funcionamento do comércio, aliado à retomada da economia, renova a esperança tanto de empresários, que vislumbram um aquecimento nas vendas, quanto de trabalhadores desempregados, que veem nessas vagas temporárias a chance de conquistar uma oportunidade.
Estratégias
No entanto, cada empresa adota uma estratégia própria nesse momento. Enquanto algumas apostam em ampliar seus quadros para garantir um atendimento ágil e qualificado, outras preferem adotar medidas internas de gestão, sem recorrer a novas contratações. Essa diversidade de práticas mostra que, embora o fim de ano seja marcado por oportunidades, o mercado também exige planejamento e cautela por parte dos empregadores.
Neste sentido, nem todos os empreendimentos recorrem à contratação de temporários no fim de ano. Para alguns, essa prática só é utilizada em último caso. É o que explica a empresária do ramo de calçados, Clarisse Vasconcelos.
— Nós preferimos contar com aqueles colaboradores que lutaram com a gente o ano inteiro. Essa é a hora de eles faturarem um pouco mais. E, se apertar mesmo, usamos o plano B, que são os nossos familiares — destacou.
Já em outra tradicional empresa de comércio da cidade, a decisão sobre novas contratações ainda está em análise. Segundo o empresário Júlio Célio Silva, o reforço costuma ser pontual.
— Normalmente, aumentamos nosso quadro de funcionários em 5%, especificamente para vendedores, crediaristas e estoquistas. Ainda estamos analisando como será neste ano, mas isso deve acontecer somente no fim de novembro, pois nossos contratos são de 30 dias — explicou.
Importância
Os empregos temporários de fim de ano representam muito mais do que um reforço no atendimento do comércio e dos serviços, eles abrem portas para profissionais que buscam uma recolocação. De acordo com o economista Lázaro Ribeiro, essas oportunidades têm impacto direto na economia local.
— As contratações temporárias ajudam a movimentar o consumo, geram renda imediata e, muitas vezes, se transformam em vagas efetivas. É um ciclo positivo: o trabalhador volta a ter poder de compra e o comércio ganha mais fôlego para crescer — avalia Ribeiro.
Para quem consegue retornar ao mercado de trabalho nesse período, o efeito é transformador. Maria Alice Santos, que estava desempregada há quase um ano, viu na vaga temporária, do ano passado, uma nova chance.
— Foi uma alegria enorme. Além de voltar a trabalhar, recuperei minha confiança. Esse contrato temporário foi o começo de uma nova etapa na minha vida, pois a partir do início deste ano, depois de muita luta e trabalho, me tornei efetivada na empresa — disse.
Expectativa
Com a chegada do último trimestre do ano, o comércio já projeta um dos períodos mais movimentados do calendário, o Natal. A data é considerada a mais importante para o setor, tanto pelo volume de vendas quanto pelo impacto positivo na geração de empregos e na movimentação da economia local.
A expectativa é de que o fluxo de consumidores nas lojas aumente gradualmente a partir de novembro, intensificando-se nas semanas que antecedem a noite de 24 de dezembro. Empresários avaliam que as campanhas promocionais e os horários especiais de atendimento devem contribuir para atrair clientes e garantir boas oportunidades de compra.
— O otimismo também está ligado ao cenário econômico mais estável e à disposição das famílias em investir em presentes, decoração e ceias natalinas. Para o comércio, esse movimento representa a chance de fechar o ano com saldo positivo, enquanto para os consumidores, reforça o clima de celebração e confraternização que a data inspira — finaliza o economista.
Para a empresária do ramo de vestuário, Fernanda Almeida, a expectativa é de um Natal animador.
— A gente acredita que as vendas serão melhores neste ano. Já estamos preparando promoções e trazendo novidades para atrair os clientes. O Natal é sempre um momento especial para o comércio — diz.
No setor de eletrodomésticos, o atendente Carlos Henrique, ressalta a importância das condições de pagamento.
— O consumidor está mais cauteloso, mas quando encontra facilidades de parcelamento, ele acaba comprando. Estamos confiantes de que dezembro será de bons resultados — define.
Já a comerciante do ramo de presentes, Luciana Martins, aposta no fator emocional da data.
— O Natal mexe com os sentimentos. As pessoas querem presentear, mesmo que com lembranças mais simples. É esse espírito que movimenta o comércio e traz esperança para todos nós — ressalta.
CDL
Na mesma expectativa, a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Divinópolis, Mônica Simões, destaca que essa movimentação não apenas aquece o mercado, mas também gera importantes oportunidades de trabalho.
Segundo ela, a demanda crescente exige reforço no atendimento das lojas, abrindo espaço para contratações temporárias que, além de suprirem essa necessidade imediata, proporcionam renda extra para muitas famílias.
— O fim de ano é sempre um dos períodos mais importantes para o comércio, com datas como a Black Friday e o Natal movimentando intensamente as vendas. Essa demanda aquece o mercado e cria oportunidades de empregos temporários, que são fundamentais tanto para dar suporte ao atendimento das lojas quanto para gerar renda extra às famílias— ressalta.
Brasil
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela a intenção de contratação de mão de obra para o fim do ano. De acordo com o levantamento, o comércio e os serviços devem abrir aproximadamente 118 mil vagas em todo o país, sejam temporárias, efetivas, informais e terceirizadas.
A pesquisa mostra que há uma movimentação significativa no mercado de trabalho sazonal. Um terço das empresas (33%) já contratou ou pretende contratar, sendo que 20% desse grupo ainda não o fizeram, mas têm a intenção. A maioria, 59%, não deve contratar, especialmente as microempresas com até quatro funcionários.
Remuneração e benefícios
A remuneração média oferecida será de R$ 1.819,36. Cerca de 39% das empresas pagarão um salário-mínimo, e outros 39% oferecerão até dois salários. A jornada de trabalho média é de 7h por dia.
O levantamento mostra ainda que mais da metade das empresas que pretendem contratar (56%) oferecem algum tipo de benefício, como vale-transporte (77%), vale-alimentação ou refeição (60%) e participação nos lucros ou comissões (16%).
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