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Saúde

Dois novos estados registram casos de Febre do Nilo Ocidental; veja os riscos da doença

Minas Gerais ainda não tem confirmação de circulação

Por Gabriela Lara · Redação· 4 min de leitura
Dois novos estados registram casos de Febre do Nilo Ocidental; veja os riscos da doença

A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada pelo vírus do Nilo Ocidental e transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas. O vírus tem as aves como principais responsáveis pela manutenção do ciclo de transmissão na natureza. Os seres humanos e os cavalos podem ser infectados de forma acidental, mas não desenvolvem quantidade suficiente do vírus no sangue para infectar novos mosquitos.

O Brasil registrou novos casos da doença nesta semana, aumentando a atenção das autoridades de saúde para a identificação das infecções e para a investigação de possíveis áreas de circulação do vírus. São Paulo confirmou, na segunda-feira, 24, os dois primeiros casos humanos da doença no estado. No mesmo dia, Santa Catarina confirmou a primeira morte provocada pela Febre do Nilo Ocidental no estado.

Como ocorre a transmissão

O ciclo de transmissão da doença envolve principalmente aves e mosquitos. Aves infectadas carregam o vírus e podem transmiti-lo aos mosquitos quando são picadas. Os mosquitos infectados, por sua vez, podem transmitir o vírus para outras aves.

Humanos e cavalos entram nesse ciclo de forma incidental. Isso significa que uma pessoa pode ser infectada pela picada de um mosquito contaminado, mas não desenvolve uma quantidade de vírus no sangue suficiente para infectar outros mosquitos. Dessa forma, os seres humanos não são a principal fonte do vírus para os pernilongos.

Por esse motivo, a confirmação de um caso humano não significa, por si só, que já seja possível afirmar que o vírus esteja circulando de forma sustentada em determinada região. Para determinar a existência de circulação, é necessário também investigar a presença do vírus em animais e mosquitos.

Casos no Brasil

Com as novas confirmações, o Brasil soma quatro casos confirmados de Febre do Nilo Ocidental em 2026: dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Também há um caso considerado provável no Piauí, segundo o Ministério da Saúde.

Em São Paulo, uma das pacientes tem 34 anos, mora em Ribeirão Preto, relatou uma viagem recente à Amazônia e já está recuperada. A outra tem 18 anos, mora em São José do Rio Preto e permanece internada. A Secretaria de Estado da Saúde ainda investiga onde ocorreu a provável infecção das duas pacientes.

No caso da mulher de Ribeirão Preto, a viagem à Amazônia é considerada na investigação, já que existem registros anteriores de evidências de circulação do vírus em animais na região. No entanto, a viagem, por si só, não permite afirmar que a infecção tenha ocorrido durante o deslocamento.

Em Santa Catarina, a vítima que morreu era uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, no litoral sul do estado. Ela morreu em 8 de agosto. Um homem de 56 anos, de Caçador, no Meio-Oeste catarinense, também teve a doença, mas recebeu alta. Os dois casos seguem sob investigação epidemiológica para determinar os prováveis locais de infecção.

Situação em Minas Gerais

Até as informações consideradas nesta reportagem, não há dados fornecidos que confirmem casos de Febre do Nilo Ocidental em Minas Gerais. Também não há, entre as informações disponíveis, registro que permita afirmar a existência de circulação do vírus em mosquitos ou animais na região.

Maioria não apresenta sintomas

A maior parte das pessoas infectadas pelo vírus do Nilo Ocidental não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que aproximadamente 80% das infecções sejam assintomáticas. Cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações.

Quando aparecem, os sintomas podem ser pouco específicos e incluem febre, dor de cabeça, mal-estar, dores no corpo, náuseas, vômitos e manchas na pele. Como essas manifestações também podem ocorrer em outras doenças mais frequentes no Brasil, a identificação da Febre do Nilo Ocidental pode ser dificultada.

A semelhança é especialmente relevante em relação a doenças como dengue, zika e chikungunya, que também são transmitidas por mosquitos e podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, os sintomas isoladamente não permitem diferenciar a Febre do Nilo Ocidental dessas outras infecções. 

Risco de complicações

Embora os casos graves sejam menos comuns, a doença pode atingir o sistema nervoso central. Entre as possíveis complicações estão encefalite, meningite e outros comprometimentos neurológicos.

Alguns sinais exigem atenção na avaliação médica, como confusão ou desorientação, alteração do nível de consciência, convulsões, fraqueza muscular importante e paralisia flácida, caracterizada pela perda de força e do tônus dos músculos.

Essas manifestações também podem estar presentes em outras doenças e, portanto, não significam automaticamente que o paciente esteja com Febre do Nilo Ocidental. A doença deve ser considerada entre as possibilidades diante de um quadro de febre associado a manifestações neurológicas sem uma causa já definida.

Diagnóstico

A identificação da doença também pode ser dificultada pelos exames. O vírus do Nilo Ocidental pertence ao mesmo grupo de vírus que inclui os causadores da dengue, da zika e da febre amarela. Por isso, alguns testes de anticorpos podem apresentar reação cruzada.

Na prática, isso significa que um exame pode reagir a anticorpos produzidos contra outro vírus semelhante, dificultando a interpretação do resultado. A combinação entre sintomas, histórico do paciente, deslocamentos e informações das vigilâncias epidemiológica, animal e entomológica é importante para esclarecer os casos.



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