Eita que a Princesinha está toda prosa

Divinópolis é uma camaleoa. De capital do gusa, a capital da moda, polo gastronômico e agora capital política. Afinal, qual cidade do interior fez, ao mesmo tempo, um governador, um senador, quatro deputados federais e um deputado estadual? Salve! Salve, Princesinha do Oeste! De direita ou de esquerda, os sete eleitos têm uma coisa em comum: conduta sem máculas. Salve! Salve!
E a cadeira de Cleitinho no Senado?
Com a esmagadora vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos), sua cadeira será ocupada pela suplência. Seu 1º suplente é Alex Diniz, empresário de Governador Valadares, proprietário da rede de Supermercados Coelho Diniz e, desde o fim de 2024, Alex e os irmãos passaram a comprar ações do GPA, grupo dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra. Hoje, cinco integrantes da família têm, juntos, 25,1% da companhia. Os Coelho Diniz expandiram sua trajetória empresarial e atuam ainda nos segmentos de logística e incorporação imobiliária.
Desafiando a Física
Em meados de julho do ano passado, o então vice-governador Mateus Simões (Novo) deu uma missão ao 1º suplente: convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a não se candidatar ao governo de Minas em 2026. Como recompensa, seria vice em sua chapa para o governo de Minas. Daí Alex Diniz passou a operar em silêncio e desafiando a Física: ocupar dois espaços ao mesmo tempo no xadrez da política mineira. Ele articulava ser vice de Mateus Simões, vice de Romeu Zema (Novo), que, com a saída deste, passou a ocupar a cadeira-mor do Palácio Tiradentes e, ao mesmo tempo, com a candidatura e certa vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos), ele ocuparia o Senado Federal, vez que seria seu primeiro suplente. Se Simões ganhasse com ele de vice, também chegaria ao poder, mantendo ainda a suplência. De um jeito ou de outro, Diniz subiria ao pódio em qualquer cenário. Resumindo: só visa o poder.
Sonegação fiscal e lavagem de dinheiro
Foi deflagrada, no final do ano passado, a “operação Ambiente 186” pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (Cira-MG), órgão que reúne o Ministério Público, a Secretaria de Estado de Fazenda, a Advocacia-Geral do Estado, as Polícias Civil e Militar e o Tribunal de Justiça, em esforço conjunto contra a criminalidade tributária e econômica estruturada. A referida operação apura um esquema de fraude no Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo a investigação, os suspeitos usavam empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, para simular operações interestaduais e reduzir artificialmente o tributo devido. Entre os alvos estão o ex-publicitário Marcos Valério, operador condenado no caso do Mensalão, e integrantes do grupo empresarial Coelho Diniz. Embora não haja confirmação do envolvimento do 1º suplente, há referência, em documentos oficiais e reportagens, a “administradores do grupo” e indícios de uso de empresas de fachada — elementos que compõem o foco central da investigação. A operação tramita em sigilo. Ah, e ainda tem a chacina no Amazonas, mas essa fica para a própria coluna. “Atrás de morro, tem morro”.
Wander de Sousa
Conhecido como Wandinho, o 2º suplente de Cleitinho é divinopolitano, ministro da Eucaristia (responsável pela eucaristia dos enfermos), ex-tabelião, filantropo, professor universitário e orientador de bancas, empresário, ex-juiz de paz, advogado e ex-delegado da Caixa de Assistência dos Advogados da 48ª Subseção da OAB/MG, e advogado. Mesmo sem ocupar cargo público, sempre foi comprometido com o desenvolvimento de Divinópolis. Cabe destacar que Wandinho, juntamente com a Polícia Civil e empresários locais, por meio de uma parceria público-privada, propiciou a mudança da Delegacia Regional da Polícia Civil e do Detran da Praça do Mercado para um lugar que desse dignidade aos cidadãos e servidores. Depois de 14 meses, juntamente com a Prefeitura Municipal, que assumiu o aluguel e também forneceu servidores, conseguiram o prédio do antigo Cefet, na rua Goiás, e a parceria cuidou de reformar o imóvel, com as adaptações necessárias para o fim a que se destinava, inclusive com um ambiente para emplacamento dos carros em local coberto e com calçamento. E não parou por aí! Assunto para a próxima coluna.
Pois bem
Não se nega que o 1º suplente é gerador de milhares de empregos e, claro, isso contribui para a economia, mas, salvo melhor juízo, para ocupar a cadeira do impoluto Cleitinho Azevedo (Republicanos), é preciso considerar um episódio ocorrido em 62 a.C., ou seja, há 2088 anos, ligado ao imperador romano Júlio César e sua segunda esposa, Pompeia, que resultou na famosa frase: “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, ou seja, para ocupar uma posição de destaque ou poder, a conduta íntegra precisa ser evidente e livre de qualquer margem de dúvida ou suspeita pública. No caso do exemplo, havia suspeitas de que Pompéia o traía e, embora não houvesse provas concretas de adultério, César decidiu se divorciar dela, justificando que sua esposa nem sequer deveria estar sob suspeita de escândalo. Quanto ao 2º suplente, Wandinho de Sousa, em toda a sua trajetória, jamais teve seu nome, de familiares ou de pessoas próximas ligado a qualquer escândalo. Talvez essa seja uma das razões pelas quais Cleitinho Azevedo e Wandinho de Sousa se tornaram mais que parceiros políticos, mas amigos inseparáveis, pois a principal força que os une é a higidez do caráter de ambos.
Wandinho no Senado
Bom para Minas Gerais, ótimo para Divinópolis. Vai que, mais uma vez, pode ser sua, grande Princesa do Oeste. Aguardemos!
"Anistia, a esperança que ainda se mantém"
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