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Adriana Ferreira

R$ 405 bilhões: custo da reeleição

Por Adriana Ferreira · Colunista· 5 min de leitura
R$ 405 bilhões: custo da reeleição

Ao fim da apuração, às 22h33, Lula (PT) obteve o total de 64,2 milhões de votos (51,78%). O presidente reeleito lançou medidas que custaram R$405 bilhões ao fazer campanha pela reeleição, até conseguir uma virada histórica contra Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Gastômetro. Durante a campanha, o reeleito chamou de “babaquice” a obsessão por superávit primário e controle de contas. Afinal, ele escondia que o país estava em déficit e que havia comprometido mais de 11% do PIB (Produto Interno Bruto). Reeleito para o quarto mandato a partir de 2027, o petista terá de encarar a matemática que tentou camuflar. A soberba não deve resistir aos fatos e, vitorioso, terá de resolver o problema que criou para si, leia-se, para todos nós. Em 2027, a economia deve perder fôlego, enquanto o país continuará queimando somas astronômicas com juros — recursos que poderiam financiar investimentos e políticas sociais. Segundo as economistas Solange Srour, diretora e head de macroeconomia do Brasil no UBS Global Wealth Management (maior gestor de patrimônio global do mundo, controlado pelo grupo financeiro suíço UBS Group AG e que gerencia trilhões de dólares em ativos para indivíduos de alta renda (HNWIs), famílias ultrarricas (UHNWIs) e family offices em mais de 50 mercados globais), e Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, o endividamento em patamares históricos e o comprometimento do crédito já vinham resultando em um contexto de desaceleração econômica. Esta colunista acrescenta: e a tendência é piorar. Mas tudo bem! Afinal, o importante é que Lula foi reeleito.

Dívida pública e o PIB

Luiz Inácio Lula da Silva  ficará mais quatro anos na Presidência da República com um cenário bem diferente do de 2023. Jair Bolsonaro (PL) terminou seu mandato com a dívida pública comprometendo 71,7% do PIB (Produto Interno Bruto) e superávit de R$54 bilhões, revertendo anos de resultados negativos. Lula termina seu primeiro mandato com a dívida pública comprometendo 83% do PIB e déficit primário efetivo de R$80,9 bilhões. E mais: o Brasil apresenta um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as grandes economias da América Latina, segundo a agência de classificação de risco Moody's (classificação de risco de crédito (rating) emitida pela agência global Moody's Investors Service, que mede a capacidade e a probabilidade de um país, estado ou empresa pagar suas dívidas financeiras em dia). E não para por aí: segundo uma projeção do Tesouro Nacional, a dívida do governo federal deve alcançar aproximadamente 86% do PIB no próximo ano e atingir um pico próximo de 88% em 2029, antes de iniciar uma queda gradual. Mas, conhecendo o esbanjador reeleito como conhecemos, considerando como recebeu as contas em 2022 e o que estamos recebendo ao término de seu primeiro mandato, em breve a dívida pública passará dos 100% do PIB. Mas tudo bem! Afinal, o importante é que Lula foi reeleito.

O que dizem os especialistas

O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta que a dívida brasileira alcance 100% do PIB já em 2027. A Tendências Consultoria estima que a marca de 100% do PIB possa ser atingida em 2029. A Bloomberg Línea/Mercado aponta que o endividamento pode chegar a 105% do PIB até 2030. A Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados avalia que a dívida ultrapassará os 100% do PIB entre 2032 e 2035. O Banco Central estima que a dívida pública bruta pode superar 100% do PIB por volta de 2034. Resumindo: Lula quebrou o país, escondeu números e foi reeleito para moer o resto. A economia caminhava muito bem com Jair Bolsonaro. Se reeleito em 2022, não estaríamos amargando esse desastre. O que Flávio Bolsonaro  teve foi um livramento! Afinal, quem tem que consertar a bagunça é quem cuidou de fazê-la. Cabe ao Congresso Nacional, onde a direita tem maioria, exigir que Lula reorganize as contas que mascarou, enganando mais de 64 milhões de pessoas.

Ditadura de toga

A Polícia Federal protocolou o pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro (PL) apenas sete minutos após o resultado das eleições. Isso mesmo, apenas sete minutos! O ministro Alexandre de Moraes assinou o deferimento ainda na noite de domingo. Segundo o Supremo Tribunal Federal, a hora da assinatura não pode ser divulgada, pois o procedimento tramita sob sigilo. Se isso não for perseguição, a palavra precisa mudar de significado no dicionário. Apenas sete minutos depois, um candidato à Presidência do país, com mais de 56 milhões de votos no primeiro turno e mais de 58 milhões de votos no segundo turno, que fez maioria no Congresso Nacional para 2027, que fez dezesseis governadores, inclusive nos estados responsáveis pelas maiores economias do país, um senador da República no exercício da função, teve seu pleno direito de ir e vir cerceado, de forma sumária, sem o devido processo legal e sem atuação da PGR. Isso é para lá de anormal. O fato de ter perdido as eleições não apaga a força de Flávio Bolsonaro e tampouco dá ao STF o direito de substituir o debate político pela repressão, pela perseguição política. “A pior ditadura é a do Poder Judiciário, contra a qual não há a quem recorrer” retrata bem a atitude da instituição que deveria ser imparcial, mas que deixa claro ter um lado que não é o da democracia e dos direitos e garantias fundamentais, princípios básicos e cláusulas pétreas da Constituição Federal que rasgou. O senador eleito e deputado federal Domingos Sávio (PL) reafirma ser a favor do impeachment de ministros do STF. Nunca foi tão necessário. Vai que é tua, DS!

Não é por aí

Divulgaram (não se sabe quem) uma lista sugerindo locais a serem evitados por serem de direita ou de esquerda. A maioria deles pertence a pequenos empresários. Bom lembrar que quem segura o país são os pequenos empresários, os microempreendedores individuais (MEIs) e as pequenas e médias empresas que, sem dúvida, representam a base da economia brasileira, gerando a maior parte dos empregos formais, movimentando o comércio local e sustentando a arrecadação dos municípios. Independentemente da ideologia, eles enfrentam grandes desafios com burocracia, carga tributária e acesso a crédito. Lula venceu, e os números não são nada animadores, conforme demonstrado acima. Atacar quem ainda segura a economia é retrocesso. Atacar os iguais só fortalece quem oprime. Vale a pena isso?

Diego Espino

Lamentável o tumulto causado pelo ex-vereador Diego Espino na Câmara Municipal de Divinópolis. A Casa do Povo não é lugar para palavras de baixo calão, esteja ou não no exercício do cargo de vereador. Desrespeitar a Casa é desrespeitar o cidadão. Parabéns aos seguranças que o contiveram.

“Anistia, a esperança que ainda se mantém”


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