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Preto no Branco

Enfim - 14/08/2026

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Enfim - 14/08/2026

A família de Lucélia Batista Silva, 39 anos, certamente se sente um pouco mais confortada. Ela foi agredida e morta com golpes de um banco de madeira, no dia 15 de agosto do ano passado, na comunidade de Choro, por Juares Marques, 51 anos, que ficou conhecido como 'Lázaro de Ermida'. Perto de fazer um ano, o crime finalmente pode ter um desfecho, após tentativas frustradas de prender o autor. Isso aconteceu na manhã desta quinta-feira, em mandado de prisão, representado pela Polícia Civil cumprido pela Polícia Militar, em diligências realizadas em Santo Antônio do Monte. Inquérito concluído, o suspeito foi indiciado por feminicídio consumado. A captura do assassino não muda a realidade do que aconteceu com a vítima, mas traz à família a sensação de justiça feita.

Morosidade 

Quando se vê casos assim, o primeiro pensamento que vem à cabeça é a morosidade da Justiça, um dos motivos mais citados para sensação de impunidade no Brasil. Neste em específico, não, como explicaram as duas polícias, devido às dificuldades da captura e ainda não havia sido encaminhado à Justiça, visto que o inquérito não havia sido concluído. Dito isso, é preciso explicar ainda que processo criminal passa por várias etapas: investigação na polícia, denúncia do MP, instrução, julgamento em 1ª instância, recursos em 2ª instância e tribunais superiores. Cada etapa tem prazos longos e acúmulo de processos.  Resultado? Um crime denunciado hoje pode levar anos para ter sentença definitiva. Dados do CNJ mostram que o tempo médio de tramitação de processos criminais pode levar anos. Nesse meio tempo provas se perdem, testemunhas mudam de versão e a vítima, ou familiares de quem ficou, caso tenha havido morte, perdem a fé e esperança de punição.

Sensação de impunidade

Quando a resposta demora ou não vem, passa a mensagem de que "nada acontece", e isso gera dois efeitos: baixa taxa de elucidação, que significa que muitos crimes, principalmente roubo, furto e homicídio em algumas regiões, nem chegam a ser solucionados. Isso significa que sem autor identificado, não há processo. Prescrição e recursos: mesmo quando há condenação, o longo tempo permite prescrição, progressão de regime e muitos recursos. Para a população, que a maioria desconhece os trâmites necessários, isso vira "certeza de que não dá nada". A consequência na prática é que a lei existe, mas a demora enfraquece o efeito de prevenção. Porque muitos dizem que o crime no país compensa? Porque a probabilidade de ser pego e punido rapidamente é baixa. Simples assim. 

Exemplos ruins 

Crimes envolvendo "peixes grandes", então... o esquema fraudulento envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é um exemplo. Só agora, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso. Ele foi detido pela Polícia Federal na quarta-feira, 12, após permanecer foragido desde novembro de 2025, após nove meses, isso porque se apresentou. Investigado na operação "Sem Desconto", era alvo de um mandado de prisão, e foi da Superintendência Regional da PF no Distrito Federal para o  sistema prisional. Ou seja: como muitos fazem, esperou "poeira baixar", visto que, ele sim, conhece as leis e seus trâmites. 

Líder 

Relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela PF, apontou Lopes como líder do núcleo da Confederação Nacional de Agricultura (Conafer) investigado no esquema, que indiciou 48 pessoas. Segundo a corporação, os valores obtidos com os descontos irregulares eram direcionados a empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito. Parte do dinheiro também teria sido usada para o pagamento de vantagens indevidas à agentes públicos e políticos. As apurações mostram uma estrutura formada por operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos, infelizmente, em um país onde a corrupção que "mata" os mais necessitados, prevalece.  



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