Equilíbrio no cenário das mudanças

Flávia Moreira
Hoje li parte de um texto escrito pelo Samer Agi que descrevia rememorando que para o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) assumir o cargo, foi necessário que a presidente Dilma Rousseff sofresse impeachment, pois, diante desse acontecimento, Michel Temer assumiu o poder. Logo, o então, ministro Teori Zavascki, morre em um acidente de avião. Com isso, Temer que havia ficado muito grato ao Alexandre de Moraes, que na época em que o Alexandre era secretário da Segurança atuou com maestria num caso em que a esposa dele havia sido roubada, e mediante essa aproximação ele nomeia o Alexandre como ministro do STF. A história narrada me conduziu a algumas reflexões, pois o relato foi de fato, que nunca na história da humanidade havia acontecido.
Fatos
Estamos falando da história que ocorreu em um país em que nunca havia acontecido um impeachment e a morte de acidente aéreo de um ministro, fatos imprevisíveis, que pesou na história do Brasil e compeliu ao Alexandre de Moraes um dos cargos mais poderosos da política.
Uma ginástica inesperada da vida pode alterar toda a rota do planejado, tanto para o bem quanto para o mal. Contudo, acredito que nem por isso devemos deixar de planejar a vida. Trago nesse conceito a ideia perene de que a generosidade oculta muitos defeitos, pois quando Alexandre serviu com prontidão e eficiência a esposa de Temer; ele sequer era presidente. Aquele gesto marcou Temer de forma que provavelmente Alexandre não imaginou que um dia seria a porta que lhe abriria o STF. Sua generosidade e prontidão em servir com excelência, entregando mais que o esperado, despertou em Temer a gratidão e percepção de competência do então secretário de segurança.
Resposta
Podemos concluir que fatos inesperados podem ocorrer, compelindo situações inimagináveis serem trazidas à existência. Quando atendo casais em fase de separação, posso perceber algumas fugas traçadas por ambos. Alguns necessitam imediatamente refazer a vida pessoal numa espécie de resposta urgente à sociedade, como se a separação o reduzisse ou conduzisse ao lugar de fracasso, outros, afogam no trabalho e na necessidade de refazer e reconstruir parte do patrimônio partilhado no divórcio. Mas até onde o extremismo vale a pena a ponto de desequilibrar alguma área da vida? A vida pode nos surpreender quando nos tornamos mais leves e capazes de nos tornar diplomatas.
Diplomacia
Os bons diplomatas carregam o talento de saber tudo o que lhe diz um rosto calado. Toda diplomacia está nesses dois gestos aparentes: descobrir e encobrir. A diplomacia é uma qualidade que o ser humano deve possuir. Quem é polido sabe o momento de calar e de falar. Mesmo que a pessoa não queira dizer nada, o corpo é uma traição. Entrega o que a boca cala. Através do comportamento ou da confissão que chega até a pessoa diplomata, o assunto morre ali com ela. O diplomata sabe, mas não divulga nada que constrange o outro. Ele tem precisão do comportamento. Essas habilidades facilitam a vida. Muita gente não busca a resposta definitiva da vida porque tem medo da verdade. A pessoa se arrasta uma vida por uma causa sendo que ela deveria ter deixado aquilo para trás, mas encerrar aquilo poderia significar a derrota ou a vitória. A pessoa vive na esperança de que com o tempo a situação mudará, ela se alimenta da esperança, entretanto, se ela não ajudar o tempo ela ficará sozinha e mergulhará num mundo onde uma bolha é criada para si mesmo.
Equilíbrio
Fato é que precisamos de gente. O problema da perpetuação da indecisão e da continuidade da dor é estacionar a vida numa fase e realidade que não existe mais, congela o tempo ou ignora a nova fase que precisa de novos traquejos e cenários para recomeçar. Quando você toma uma decisão o tempo é fundamental, mas não é suficiente, você precisará ajudar o tempo. Concluo lhe exortando e compelindo a pensar no que você fará depois de decisões que alteram a rota da sua vida? Fatos planejados, esperados, calculados e os improvisados? Consegue identificar algum que lhe faria mudar a forma de viver? Lhe convido, caro leitor, a refletir sobre o equilíbrio e o planejamento de vida.
Por Flavia Moreira. Advogada, pós-graduada em Direito Público, Direito processual Civil, pelo IDDE em parceria com Universidade Coimbra de Portugal, ‘IUS GENTIUM CONIMBRIGAE, especialista em Direito de Família e Sucessões, associada ao IBDFAM e membro do Direito de Família da OAB/MG.
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