Estrutura física da UPA tem sérios danos

Maria Tereza Oliveira
Com salários atrasados e condições de trabalho desfavoráveis, parte dos médicos que atendem na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto deram início à Operação “Tartaruga”. O protesto compromete no atendimento de vários divinopolitanos. Na Câmara, o assunto repercutiu.
Renato Ferreira (PSDB) destacou que apenas pacientes em casos de urgência e emergência serão atendidos.
— Os médicos estão em seu direito de fazer isso porque estão entrando no terceiro mês sem receber salários — frisou.
O vereador recordou que no ano passado a cidade já havia passado por situação similar.
— Só não ficou pior porque foi conseguida uma emenda de emergência — lembrou.
Situação da UPA
Além dos salários atrasados dos médicos, a instituição passa por problemas em sua infraestrutura.
A vereadora Janete Aparecida (PSD) conferiu a situação de perto e constatou as deficiências na estrutura física da UPA. Janelas quebradas, mofos, paredes remendadas com isopor e madeira são alguns dos problemas enfrentados.
Dr. Delano (MDB) disse à reportagem também revelou dados assustadores da UPA.
— A UPA está passando por um colapso. Eu fiz uma campanha para arrumar toalhas e roupas hospitalares para os pacientes. Eles estão se secando com o lençol da cama — apontou.
De acordo com a vereadora, trocar de roupas todos os dias e ter toalhas limpas diminuem os riscos de infecções hospitalares.
— Além disso, faltam medicamentos ali dentro e, principalmente, falta local asseado para fazer curativos — relatou.
Delano também falou sobre a escassez de banheiros da unidade. De acordo com ele, os pacientes estão se organizando para tomar banho, que começam às 0h e vão até 0h do outro dia.
— O banho dá mais vontade de viver ao paciente, além de evitar infecções hospitalares — explicou.
Operação “Tartaruga”
Conforme a Administração explicou ao Agora, a dívida com os médicos chega a mais R$ 1 milhão, o que corresponde a dois meses de salários atrasados. Entretanto, o Executivo diz que a responsabilidade dos salários atrasados é da Santa Casa de Formiga, que faz a gestão da UPA e só eles irão adotar a operação.
Delano disse que cerca de 20 a 30 plantonistas são pagos pela Santa Casa de Formiga e, portanto são eles que aderem à operação. Porém, há outros médicos que atuam na UPA, mas são funcionários da Prefeitura, consequentemente, não participam do protesto, confirmado a versão da Prefeitura.
Os médicos que aderiram ao movimento estão atendendo apenas os pacientes classificados nas cores: amarelo, laranja e vermelho seguindo o Protocolo de Manchester. Os pacientes classificados nas cores azul e verde são orientados a procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Além dos salários de setembro e outubro, no dia 1º, outra folha de pagamento será fechada, assim os de novembro também estarão em atraso.
Ministério Público interveio
Segundo o vereador, a UPA estava em situação ainda pior do que a atual. Sobrecarregada de pacientes, os profissionais tinham dificuldade em atender o fluxo. Todavia, o Ministério Público (MP) interveio e encaminhou os pacientes que estavam nos corredores para outras unidades de saúde.
— A UPA tem uma outra cara nesta semana. Ela não está vazia, mas com cerca de 50% de pacientes do que recebia outrora. Os profissionais tiveram uma redução na demanda e puderam melhorar o atendimento — disse.
Para Delano, a intervenção do MP ajudou a minimizar as consequências da operação “Tartaruga”.
CPI da UPA
Na reunião da Câmara, além da operação, a UPA esteve em pauta por causa do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da UPA.
A CPI foi criada para apurar irregularidades no contrato de gestão da UPA firmado entre a prefeitura da cidade e a Santa Casa de Formiga.
Após mais de dez meses de apurações, além das irregularidades no contrato, foi constatada a precariedade física da UPA.
Como veredicto, a CPI apontou a falta de fiscalização no contrato, o excesso de omissão do Executivo, a contratação de empresas sem comunicação pública, contratação de pessoas por indicação e não por processo seletivo, pagamento indevido de R$ 2,7 milhões para a Santa Casa de Formiga e a negligência no reparo predial.
A comissão que investigou o caso foi composta pelos vereadores Janete Aparecida, Nêgo do Buriti (PEN), Raimundo Nonato (PDT) e Zé Luís da Farmácia (PMN).
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