“Eu vivo para eles”: Pai solo transforma desafios em amor e dedicação

Da Redação
O Brasil celebra mais uma edição do Dia dos Pais, comemorado tradicionalmente no segundo domingo de agosto. A data é marcada por homenagens, mas também por reflexões sobre os diferentes significados da paternidade. Criada em 1953 por iniciativa do publicitário Sylvio Bhering, então diretor do jornal O Globo, a comemoração teve, desde o início, o objetivo de impulsionar o comércio no segundo semestre do ano. Inicialmente marcada para 16 de agosto, em referência ao Dia de São Joaquim (pai de Maria e avô de Jesus Cristo), a celebração foi posteriormente oficializada no segundo domingo de agosto, a exemplo do que ocorre com o Dia das Mães.
Embora os dados mostrem que a maioria das crianças brasileiras é registrada apenas com o nome da mãe — como indicam os números da Arpen-Brasil, que contabilizou 64.776 registros com pais ausentes somente em 2025 —, há também aqueles pais que, na contramão da estatística, enfrentam os desafios da paternidade solo.
Paternidade
Maurício José Rosa, de 57 anos, é um desses exemplos. Conhecido como Mauro, ele é pai de dois filhos: Tatiane Alves Rosa, hoje com 30 anos, e Igor Rodrigues Rosa, de 27. As crianças são de mães diferentes, com quem ele nunca chegou a se casar. Ainda assim, esteve presente na criação dos dois.
Igor passou a morar com Mauro ainda bebê, com apenas seis meses de vida. Na época, Mauro vivia com os pais e contou com o apoio fundamental da mãe para cuidar do filho. Ele lembra que, apesar do receio inicial de não dar conta da responsabilidade, assumiu a criação com firmeza. A avó paterna foi quem cuidou de Igor durante a primeira infância, até os 10 anos de idade, quando faleceu. A partir de então, Mauro passou a conduzir a jornada paterna de forma ainda mais direta.
— Foi bem complicado, porque pegar um filho recém-nascido da mãe assim... Eu ficava com medo de não dar conta, mas graças a Deus deu tudo certo — conta.
A mãe de Igor chegou a visitar o filho nos primeiros anos, mas com o tempo o contato foi diminuindo até desaparecer. Segundo Mauro, somente recentemente, após mais de duas décadas, houve uma reaproximação. O reencontro se deu por meio de conversas virtuais, seguidas de uma visita à casa do rapaz.
Já Tatiane morou com a mãe até os 17 anos. Durante esse período, Mauro fazia questão de estar presente, buscando a filha nos fins de semana para conviver com ela sempre que possível. Quando completou a maioridade, decidiu ir morar com o pai. Foi então que Mauro alugou uma casa e passou a viver com os dois filhos sob o mesmo teto.
Fámilia próxima
Hoje, Tatiane continua morando com o pai e está prestes a se formar em Odontologia. Trabalha como secretária em um consultório da área e se prepara para concluir a graduação no próximo ano. Igor, por sua vez, saiu da casa do pai há cerca de três anos, mas continua por perto: alugou um apartamento na mesma vizinhança e mantém a convivência diária com Mauro, com quem também trabalha. Os dois atuam no ramo de vendas de roupas e costumam viajar juntos a trabalho.
Amor
Mauro afirma que sua vida sempre girou em torno dos filhos. Para ele, tudo o que fez ao longo das últimas décadas teve como objetivo principal garantir um futuro melhor para Tatiane e Igor. A convivência com os filhos nunca foi um peso ou obstáculo à sua liberdade. Ao contrário, ele considera a proximidade diária como uma das maiores recompensas da vida.
— Minha vida vive em torno dos dois. Eu vivo pra eles. Tudo que eu faço, tudo que eu tento fazer na minha vida, é para conseguir dar um futuro melhor pros dois — conta.
Ele reconhece que, para alguns, a ideia de um filho morar com o pai pode soar como um incômodo ou uma limitação. No entanto, para Mauro, a sensação é de orgulho e realização. Ele teme, inclusive, o dia em que essa proximidade possa se romper.
— Ganhei na vida por ter eles desde pequenos ao meu lado — afirma.
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