Explosões em Ijaci: três presos em Divinópolis e dois seguem foragidos

Da Redação
A caçada aos criminosos responsáveis por uma série de explosões em agências bancárias de Ijaci, no Sul de Minas, avança, mas ainda não terminou. Três suspeitos, de 26, 29 e 37 anos, foram presos neste sábado, 8, em Divinópolis, no bairro Belo Vale, durante uma operação do serviço de inteligência da Polícia Militar (PM). Outros dois homens seguem foragidos e são considerados peças-chave no planejamento do ataque, ocorrido na madrugada da última quarta-feira, 5.
Investigações
Segundo o tenente Pedro Otone da Rotam de Belo Horizonte, a PM já monitorava o grupo após receber informações de que os suspeitos estariam escondidos no Centro-Oeste mineiro.
— O sistema de inteligência da Polícia Militar conseguiu ampliar as informações dos participantes, e as equipes em campo conseguiram efetuar a prisão dos três indivíduos em Divinópolis — afirmou o oficial.
Durante as diligências, foram apreendidos quatro veículos clonados, armas de fogo, munições de diferentes calibres, um drone, um binóculo e roupas utilizadas na ação criminosa. O material reforça a tese de que a quadrilha é altamente organizada e especializada em ataques a instituições financeiras.
Ataque coordenado
De acordo com as investigações, o grupo chegou a Ijaci por volta das 2h da manhã em um carro preto e atacou duas agências bancárias, do Sicoob e do Bradesco, ambas localizadas na rua Vigilato Vilas Bôas.
Câmeras de segurança registraram a chegada dos criminosos e parte da explosão. Os assaltantes usaram explosivos potentes e espalharam miguelitos, pequenos pregos dobrados que furam pneus e impedem a aproximação de viaturas policiais.
Apesar da violência da ação, ninguém ficou ferido. O Sicoob, que funciona no mesmo prédio da Prefeitura de Ijaci, foi parcialmente destruído. A Defesa Civil interditou o local para avaliar os danos estruturais. Já a agência do Bradesco teve caixas eletrônicos danificados, mas sem explosão completa.
Cédulas manchadas com tinta, sinal de que as gavetas de segurança dos caixas eletrônicos foram acionadas, foram encontradas próximas ao local. A quantia levada pelo grupo ainda não foi divulgada.
O cerco e prisões
Após o crime, a Polícia Militar iniciou uma operação de rastreamento em diversas cidades do interior mineiro. No sábado, 8, os investigadores identificaram o esconderijo dos suspeitos em Divinópolis, a cerca de 150 quilômetros do local das explosões.
A prisão ocorreu sem troca de tiros. De acordo com a PM, os homens tentaram despistar as equipes mudando de endereço diversas vezes. Parte dos veículos usados pela quadrilha, entre eles um carro preto semelhante ao das filmagens em Ijaci, foi apreendida em um galpão na cidade.
Entre o material apreendido estão:
- 1 pistola calibre .40
- 1 revólver calibre .38
- 5 cartuchos calibre .40
- 5 cartuchos calibre .38
- 3 cartuchos calibre 5,56
- 5 cartuchos calibre 12
- 1 carregador alongado de pistola
- 1 drone
- 1 binóculo
- 4 veículos clonados
Os presos foram encaminhados para o sistema prisional e estão à disposição da Justiça. As investigações continuam para localizar os dois foragidos, que teriam atuado como responsáveis pela logística do ataque.
‘Novo cangaço’ e estrutura de guerra
O modo de operação da quadrilha segue o padrão do chamado “novo cangaço”, grupos fortemente armados, que atacam pequenas cidades em ações rápidas e de grande impacto, geralmente durante a madrugada.
Essas organizações, segundo a Polícia Civil, têm ramificações em diferentes estados e contam com logística sofisticada, incluindo uso de veículos clonados, equipamentos de comunicação e armamento de uso restrito.
Fontes da investigação não descartam a participação dos suspeitos em outros ataques ocorridos nos últimos meses em cidades do Sul e Centro-Oeste de Minas. A Polícia Federal foi acionada para colaborar na análise de explosivos e equipamentos apreendidos.
Medo e reconstrução
Em Ijaci, cidade de pouco mais de 6 mil habitantes, a madrugada de terror ainda é lembrada com apreensão. A reconstrução das agências deve levar semanas, e parte dos serviços bancários da cidade permanece suspensa.
Enquanto isso, as forças de segurança intensificam as operações em toda a região. O comando da PM reforçou que denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 181, e pediu apoio da população no combate aos ataques que têm assustado o interior do estado.
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