Foragido por feminicídio aterroriza comunidades rurais de Divinópolis

Elian Ozéias
Moradores das comunidades rurais dos Lopes e Choro em Ermida, vivem há mais de três meses sob tensão com a presença de Juares Marques dos Santos, 51 anos, foragido por feminicídio contra a esposa. O acusado, que se esconde em áreas de mata, recebeu o apelido de “Lázaro de Ermida”, em referência ao criminoso Lázaro Barbosa, que mobilizou operações policiais em Goiás, em 2021.
Relatos
Enquanto segue foragido, relatos de furtos, invasões a residências e danos a propriedades aumentam. A sensação de insegurança tornou-se rotina. Em uma das denúncias recebidas pelo Jornal Agora, uma moradora afirma que a família vive meses de prejuízos e medo:
— Desde que ele atacou a esposa, não parou mais. São meses sofrendo com a presença de um indivíduo perigoso. Minha família teve vários danos. Na última semana houve furtos em casas. É revoltante — desabafa.
A proprietária de um dos imóveis diz que o fugitivo furtou objetos, depredou estruturas e improvisou barracas. Parte dos itens levados foi encontrada dentro de um abrigo montado no mato. Para aumentar o temor, ele teria sido visto recentemente próximo a uma escola, o que acende alerta entre pais de alunos.
Polícia investiga e alerta população
Em nota oficial, a Polícia Civil informou que:
— Estão sendo realizadas diligências para verificar a procedência das informações de que ele estaria em uma região de mata localizada em Ermida. As equipes seguem em rastreamento do suspeito, e qualquer informação pode ser repassada anonimamente pelo Disque 181 —
O comandante do 23º Batalhão da PM, tenente-coronel Alexandro Souza, revelou que investigações apontam possível acobertamento por moradores.
— Há locais estruturados com colchões, panelas, comida. Isso não é improviso. Alguém fornece. Há favorecimento, e isso é crime — argumentou;.
Ele destaca ainda que o Código Penal prevê punição para quem ajuda fugitivos e que o artigo 348 prevê detenção de até um ano para quem favorece a fuga. A PM também fez buscas com uso de helicóptero e pede que denúncias sejam precisas.
— Recebemos denúncias contraditórias. É importante passar informações reais —afirmou.
Para o comandante, a prisão é questão de tempo.
Relembre o feminicídio
O foragido é acusado de matar a esposa, Lucélia Batista Silva, 39 anos, com golpes de banco de madeira no dia 15 de agosto, na comunidade do Choro. A vítima tinha três filhas com o agressor, de 13, 11 e 8 anos. Ela chegou a ser socorrida pelo Samu, mas morreu em 9 de setembro.
Segundo a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Francielly Sifuentes, da a vítima sofreu agressões por 15 anos, sem nunca formalizar denúncia.
— Essa foi uma mulher que morreu em silêncio. Durante 15 anos sofreu violência, e nunca procurou a delegacia — lamentou.
O crime ocorreu horas depois de ele ameaçar a esposa, durante uma discussão. Na manhã seguinte, voltou à casa, a agrediu brutalmente e fugiu. A filha mais nova, de 8 anos, correu para pedir socorro aos vizinhos. Quando retornaram, a mulher estava caída na cozinha. O banco utilizado foi apreendido.
Juares também tem registro anterior por tentativa de homicídio contra uma ex-companheira, além de crimes de roubo. Sua prisão foi decretada em 3 de setembro. O inquérito foi concluído em 30 de setembro com indiciamento por feminicídio qualificado.
Medo e silêncio
Enquanto o suspeito segue escondido, comunidades inteiras tentam conviver com noites mal dormidas, cancelamento de atividades rurais e medo de cruzar com o acusado nas estradas de terra. A paisagem pacata rural parece ter sido invadida pela insegurança, e os moradores esperam que, como em Goiás em 2021, a captura também seja questão de tempo.
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