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Frio agrava surtos de síndromes respiratórias

Frio agrava surtos de síndromes respiratórias

Da Redação

Com a  intensidade do frio, Minas Gerais volta a enfrentar um velho conhecido dos meses de outono e inverno: o aumento expressivo de casos de síndromes gripais e doenças respiratórias. Os dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) revelam a gravidade do cenário. Até o dia 7 de maio, o estado já havia registrado 29.723 internações por enfermidades como pneumonia, gripe, sinusite e covid-19. O número é alarmante e levou o governo a decretar situação de emergência em saúde pública, válida por 180 dias.

Divinópolis

Em Divinópolis, os dados da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mostram uma sobrecarga preocupante. Até esta segunda-feira, a taxa geral de ocupação era de 125%, sendo que o setor de pediatria apresentou uma ocupação de 130%. Além disso, 64 pacientes aguardam vaga de transferência hospitalar, quatro deles crianças.

A situação já foi ainda mais crítica no início do mês. Em 2 de junho, a taxa de ocupação da UPA era de 160% no geral, com 160% nos leitos de enfermaria para adultos e 200% na pediatria. Naquele momento, 74 pessoas esperavam por uma vaga em hospitais, incluindo três pacientes pediátricos.

Os dados dos atendimentos por síndrome respiratória também refletem o agravamento da situação ao longo de 2025. Em janeiro, foram registrados 321 atendimentos. Esse número aumentou para 378 em fevereiro, 397 em março e 637 em abril. Em maio, os atendimentos mais que dobraram, saltando para 1.151. Em junho, até o momento, já foram contabilizados 663 casos.

Clima 

As baixas temperaturas contribuem, mas o clima não é o único vilão. O infectologista Carlos Starling, explica que a elevação dos casos está relacionada a uma série de fatores, incluindo a queda nos cuidados básicos com a saúde. Para ele, hábitos simples como a higienização frequente das mãos, manter a vacinação em dia e o uso de máscaras por pessoas sintomáticas continuam sendo essenciais para conter a disseminação dos vírus respiratórios.

— Esses cuidados continuam salvando vidas e não podem ser abandonados. A pandemia deixou lições importantes que devem ser lembradas — afirma.

Vírus sincicial 

Entre os principais causadores de infecções neste período está o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por um número expressivo de internações, principalmente em crianças menores de dois anos. De acordo com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde, o VSR responde por 80% dos casos de bronquiolite e por 60% das pneumonias em crianças nessa faixa etária.

A gravidade da situação entre as crianças impressiona: a cada cinco infectadas pelo VSR, uma precisa de atendimento ambulatorial e, em média, uma em cada 50 é hospitalizada ainda no primeiro ano de vida. O impacto é ainda mais severo em bebês prematuros, que são mais suscetíveis às complicações. Entre 2018 e 2024, o Brasil registrou dezenas de milhares de internações relacionadas ao VSR nessa população.

De acordo com o infectologista, além do VSR, continuam circulando outros agentes infecciosos, como os vírus Influenza, rinovírus, metapneumovírus e a própria covid-19, que, mesmo com a redução da cobertura midiática, segue causando mortes. 

— A covid ainda mata uma pessoa a cada 29 horas no Brasil. É como se dois aviões cheios de passageiros caíssem por semana e ninguém se chocasse com isso — destaca.

Grupos vulneráveis 

Ainda de acordo com Carlos Starling, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, câncer ou imunossupressão, são os que mais sofrem com as complicações dessas infecções. O que começa como um simples mal-estar, segundo ele, pode evoluir, rapidamente, para um quadro grave. Conforme o profissional, febre persistente, tosse com secreção purulenta ou com sangue, dificuldade para respirar e prostração são sinais de alerta. Nesses casos, de acordo com ele, é fundamental buscar atendimento médico com urgência.

Outro ponto de atenção está na automedicação, que deve ser evitada. 

— Remédios como o ácido acetilsalicílico são contraindicados em casos de infecções virais, especialmente se houver suspeita de dengue — afirma.

O clínico geral Flávio Marcelino reforça que o frio também pode agravar doenças crônicas respiratórias, como a DPOC e o enfisema pulmonar, favorecendo o surgimento de infecções e a piora do quadro clínico. Além disso, segundo ele, há um alerta para pacientes cardiopatas e hipertensos.

— Nos dias mais frios, a pressão arterial pode aumentar devido à vasoconstrição periférica, o que eleva o risco de eventos graves, como AVC e infarto do miocárdio — destaca.

Vacinas

Apesar de o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizar gratuitamente vacinas eficazes contra a gripe e a covid-19, a cobertura vacinal segue abaixo do ideal. Segundo Starling, a desinformação, alimentada por fake news, ainda é uma barreira. 

— O cuidado com a saúde respiratória exige atitude, responsabilidade e informação confiável. Vacina não é só proteção individual. É um ato de cuidado coletivo. Quem se vacina protege também quem está ao lado — reforça.

Além da vacina, é recomendado  outros cuidados que são essenciais e que devem ser reforçados, como manter os ambientes bem ventilados, evitar aglomerações desnecessárias e higienizar as mãos com frequência. 

Previsão do tempo 

Nos próximos dias, a previsão é de sol com muitas nuvens durante o dia,  em Divinópolis, mas não há previsão de chuvas significativas durante a semana.

Nesta terça-feira, 17, os termômetros variam entre 11 °C e 27 °C. A tendência se mantém ao longo da semana, com máximas entre 25 °C e 28 °C. Já as mínimas devem continuar baixas, chegando a 9 °C em alguns dias, principalmente nas madrugadas de quinta e sexta-feira.

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