Em meio à guerra, Janete Aparecida deixa Israel após dias de tensão e bombardeios

Lucas Maciel
O mundo voltou a acompanhar com apreensão os desdobramentos de um novo conflito no Oriente Médio. Israel e Irã entraram em confronto direto na última quinta-feira, 12, com uma série de bombardeios a instalações militares, cidades e centros nucleares. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos israelenses, intensificando uma escalada que já deixou mais de 200 mortos em apenas quatro dias.
A origem do confronto está relacionada à longa rivalidade entre os dois países, e foi desencadeada após Israel lançar ataques contra instalações nucleares no Irã, alegando ameaças à sua segurança. O Irã respondeu com bombardeios, e a tensão entre os dois países aumentou rapidamente. Desde então, os ataques se intensificaram dos dois lados, deixando centenas de mortos e provocando temor de uma guerra em larga escala.
Em meio a essa situação crítica, um grupo de autoridades brasileiras que estava em Israel —entre elas a vice-prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante) — vivenciou momentos de apreensão. A comitiva participava de um evento internacional voltado a gestores públicos quando o conflito se intensificou.
Depois de dias refugiados, a saída foi possível na manhã desta segunda-feira, 16, no Brasil, quase no fim da tarde, em Israel, quando a comitiva conseguiu atravessar a fronteira terrestre com a Jordânia em um ônibus, com apoio da embaixada e do Ministério das Relações Exteriores.
Entenda
Sob alertas constantes de bombardeios e sirenes de ataque aéreo, os integrantes da comitiva brasileira viveram momentos de tensão enquanto aguardavam orientações para deixar Israel.
Entre eles estava Janete Aparecida, que integrou o grupo de autoridades municipais participantes de um evento internacional voltado a representantes de países de língua portuguesa. A viagem, planejada com foco em intercâmbio institucional, acabou sendo interrompida pelo avanço do conflito entre os dois países.
Saída
Nesta segunda-feira, 12 gestores conseguiram, sob escolta e com apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, atravessar por terra a fronteira com a Jordânia em um ônibus fretado.
O trajeto foi mantido em sigilo até a passagem ser concluída, por questões de segurança. Segundo informações repassadas pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), os brasileiros seguiram para um ponto de apoio em território jordaniano.
Retorno
Em vídeo publicado nas redes sociais, Janete Aparecida, falou sobre a saída e deu detalhes sobre a logística até o retorno ao Brasil.
— Estou voltando! Ainda vai demorar um pouco porque estamos indo para a Arábia Saudita, na cidade de Tabuk, para podermos pegar um voo. Então demora um pouco, mas vou deixando vocês à parte — explicou.
A vice-prefeita ainda agradeceu muito as orações e todo apoio da embaixada para essa saída.
Grupo
Além de Janete, estavam no grupo nomes como o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião; o prefeito de João Pessoa (PB), Cícero Lucena, que chegou a se abrigar em um bunker durante os ataques; o prefeito de Macaé (RJ), Welberth Porto; o prefeito de Nova Friburgo (RJ), Johnny Maycon; a vice-prefeita de Goiânia (GO), Claudia da Silva; e outros gestores públicos, como secretários e vereadores de municípios do Rio de Janeiro, Natal e Niterói.
Ao todo, 18 autoridades brasileiras estavam no local do evento, mas 12 optaram por deixar o país. Os demais preferiram permanecer em Israel, mesmo com o agravamento da situação.
A guerra
O confronto direto entre Israel e Irã, que teve início na última quinta-feira, 12, marca uma escalada sem precedentes nas tensões históricas entre os dois países. Os ataques começaram com uma ofensiva aérea de Israel contra instalações nucleares e bases militares no território iraniano. Em resposta, o Irã lançou uma série de mísseis contra cidades israelenses, intensificando o temor de uma guerra em larga escala na região.
Em apenas quatro dias, mais de 240 pessoas morreram, a maioria delas em território iraniano, segundo os governos dos dois países.
Justificativas
A justificativa de Israel para o ataque inicial foi a suposta ameaça representada pelo programa nuclear iraniano. O governo israelense alega que Teerã está desenvolvendo secretamente armas atômicas, o que é negado pelos iranianos. Segundo o Irã, o programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, como geração de energia e produção de radioisótopos para uso médico.
O estopim imediato para o conflito foi uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), aprovada por países ocidentais, que criticava o Irã por falta de transparência nas inspeções nucleares.
O contexto geopolítico amplia a complexidade da crise. Israel enxerga o momento atual como uma oportunidade para enfraquecer o chamado “eixo de resistência” — uma aliança informal de grupos armados contrários ao Estado israelense, incluindo milícias em várias regiões do Oriente Médio, como no Líbano, Síria, Iêmen e Palestina. Esses grupos têm se alinhado com o Irã, o que coloca Israel em uma posição de constante alerta e motivação para neutralizar essas ameaças.
O Irã, por sua vez, acusa Israel de praticar terrorismo de Estado e de violar normas internacionais. O governo iraniano sustenta que os ataques têm apoio indireto de potências ocidentais, como Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. O temor da comunidade internacional é que a guerra se estenda para além das fronteiras dos dois países, envolvendo aliados regionais e ameaçando o equilíbrio político em todo o Oriente Médio.
Enquanto isso, civis seguem sendo os mais atingidos pelos bombardeios, e as negociações diplomáticas continuam paralisadas.
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