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Respira, é Humano

Respira, é Humano

Falar de saúde mental no cotidiano é falar da vida como ela é: dos vínculos, dos corres, decisões, silêncios e vontades de seguir. É reconhecer que o que nos atravessa por dentro importa tanto quanto o que se vê por fora. E que cuidar disso é urgente e possível.

Escolhi esse nome porque ele carrega um convite, um encorajamento e uma aposta! Vamos lá:

Respira: para lembrar que pausa também é movimento. Às vezes tudo o que a gente precisa é parar por um instante. Sentir o ar entrando e saindo. Dar uma trégua à mente, ao corpo, à culpa. Aprender que o corpo sustenta o sonho é fundamental — e que, muitas vezes, o tempo do corpo não acompanha o da mente.

Já aconteceu de você formular planos, ideias e conclusões, mas, na prática, agir exatamente ao contrário? Vamos trazer para o concreto: quantas vezes começamos aquela dieta na segunda-feira, e ela nunca sai do papel? (Quem nunca, né? rs)

Isso acontece porque o tempo cronológico, o do relógio, é diferente do tempo subjetivo — o ritmo interno, que respeita nossas emoções, experiências e limites. Cada pessoa tem o seu tempo para processar, aceitar e transformar as coisas. Reconhecer essa diferença é um convite para a paciência e a gentileza consigo mesmo. Nem sempre o que a mente decide é o que o corpo está pronto para acompanhar e tudo bem. O importante é caminhar junto, no tempo que for possível, com cuidado e presença.

É humano: porque sentir, falhar, cansar, amar, adoecer, desejar, escolher, recomeçar faz parte da experiência de estar vivo. E ninguém está imune. A vida real é cíclica.

Somos seres biologicamente complexos e emocionalmente diversos. Nosso cérebro carrega a arquitetura da própria evolução que opera na lógica da sobrevivência, da proteção e da regulação das emoções e, também, que nos permite refletir, planejar, criar e dar significado à existência. Viver, portanto, é conviver com essas diferentes camadas que nos compõem - instinto, emoção e razão — em um diálogo constante, nem sempre harmônico, mas profundamente humano.

Somos feitos de contradições legítimas: desejar o novo e temer a mudança, buscar controle e se render ao imprevisto, querer pertencer e, ao mesmo tempo, preservar a própria singularidade. Reconhecer essa dinâmica não é fraqueza, é autoconsciência, é cuidado, é humanidade.

E como se manter inteiro em um mundo que é frágil, ansioso, não linear e incompreensível? Muitos chamam de mundo BANI, um tempo da alta performance, da produtividade, hiperconectados e, ao mesmo tempo, esvaziados de sentido. Um tempo de muita conexão e pouca presença. Estamos online o tempo todo, mas, por dentro, muitas vezes em modo avião. Já sabemos que a hiperconexão virou vício silencioso: basta parar um pouco e começamos a pular de notificação em notificação como se cada alerta fosse um pedido de socorro. Isso nos atravessa de forma direta, nas relações gerais, no trabalho e em casa. Estamos vivendo um tempo em que cuidar da mente virou urgência. E não é força de expressão.

À medida que essas rápidas mudanças se desenrolam, é crucial desenvolver estratégias para lidar e construir resiliência, ao mesmo tempo em que se forma um equilíbrio entre ser e fazer. Cuidar da saúde mental não é apenas evitar o adoecimento, mas cultivar, intencionalmente, o que nos faz bem. E isso inclui coisas simples, mas profundamente eficazes. Na prática podemos citar: rede de apoio segura, vínculos afetivos saudáveis, sentido de pertencimento, autoconhecimento, capacidade de pedir ajuda, práticas que favoreçam o equilíbrio corpo/mente, como sono de qualidade, alimentação, atividade física, espiritualidade, movimento e pausas.

Vale lembrar que o corpo dá sinais. O sono que não vem. O pensamento acelerado. O esquecimento constante. O nó no peito. A irritação fora de hora. O cansaço que não passa, mesmo depois de dormir. Tudo isso não é fraqueza. É comunicação. Imagino que já tenha escutado: o corpo fala! Sim, ele fala e é o jeito que a nossa saúde mental encontrou de dizer: "Ei, me escuta. Me cuida. Olha para isso aqui”! Sentiu aí?

A boa notícia é que ainda dá pra fazer diferente. Saúde mental também se cultiva nos pequenos gestos:

* Diminuir o tempo de tela sem culpa.

* Fazer uma caminhada curta sem celular, só pra ouvir seus próprios passos.

* Comer sem pressa, prestando atenção no sabor.

* Conversar com alguém olhando nos olhos e mesmo que só por cinco minutos.

Nesta coluna, quero propor o contrário: aqui, tudo o que é humano tem espaço. A angústia escondida atrás do “tá tudo bem”. A exaustão emocional do cuidado constante. O medo que se disfarça de produtividade. As pequenas alegrias que também merecem ser vividas. Que seja um espaço de encontro sem fórmula mágica, mas como companhia de travessia.

Respira. É humano não dar conta de tudo. É humano precisar de pausas. E é profundamente humano escolher, todos os dias, cuidar de si, no tempo que for possível.

Apenas isso.

Respira.

É humano.

Marina Diva de Oliveira

Mestre em Ciências da Saúde;  especialista em Saúde Mental; enfermeira; fundadora da Amar Health Hub;  mentora em Saúde Mental Corporativa; criadora da Mentoria D.I.V.A. e do projeto “Olhares Femininos”; diretora de Eventos Acid Jovem

marinadivaahh@gmail.com

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