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Violência contra idosos em Divinópolis: quase 900 casos em 2025 e a luta por dignidade  

Violência contra idosos em Divinópolis: quase 900 casos em 2025 e a luta por dignidade  

Elian Ozéias

Dados alarmantes do Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelam que Divinópolis já registrou 856 casos de violência contra idosos nos primeiros cinco meses de 2025. No ano passado, o município somou 2.858 ocorrências, evidenciando um problema estrutural que muitas vezes permanece oculto dentro das famílias. Os números, que incluem desde maus-tratos e abuso financeiro até exploração sexual, acendem um alerta durante o ‘Junho Violeta’, mês dedicado à conscientização sobre o combate à violência contra a pessoa idosa.  

Apesar da gravidade, apenas 96 denúncias foram formalizadas em 2025, um sinal de que muitos casos não chegam às autoridades. Segundo a coordenadora do curso de Direito da  Faculdade Anhanguera, Luana Ersinzon, o silêncio das vítimas muitas vezes está ligado ao fato de o agressor ser alguém próximo. 

Atrás das portas 

A legislação brasileira, especialmente o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), garante proteção integral à terceira idade. No entanto, a aplicação da lei esbarra na falta de denúncias. 

— A violência contra idosos pode ocorrer em qualquer relação de confiança, seja em casa, em instituições de acolhimento ou na comunidade — ressalta Luana.  

A psicóloga Eloiza Vieira alerta que a violência contra idosos vai muito além da agressão física. 

— Ela se manifesta de forma silenciosa, através da negligência, do abuso psicológico e da omissão nos cuidados. Muitos idosos internalizam a ideia de que são um peso, o que agrava sua vulnerabilidade — afirma.  

Segundo Eloiza, a sociedade muitas vezes naturaliza esse tipo de violência. 

— Vivemos em uma cultura que valoriza as pessoas pela produtividade. Quando o idoso deixa de ser economicamente ativo, passa a ser visto como um fardo, o que abre espaço para a exclusão e o desrespeito —  

Denuncie 

Especialistas reforçam que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo de violência. Os canais disponíveis incluem:  

- Disque 100 (serviço 24h do Ministério dos Direitos Humanos)  

- Polícia Militar (190) e Polícia Civil (197)  

- Ministério Público (Promotoria do Idoso)  

- Conselho Municipal do Idoso  

— É fundamental que vizinhos, amigos e parentes fiquem atentos a sinais como marcas de agressão, mudanças repentinas de comportamento, medo excessivo de determinadas pessoas ou falta de cuidados básicos — orienta Luana.  

‘Junho Violeta’

Dentro do tema desbotado neste mês, o vereador Matheus Dias promoveu na manhã desta quarta-feira, 18, o evento "Café na Praça com os Idosos", na Praça da Catedral, em alusão ao “Junho Violeta”. A ação reuniu dezenas de idosos, autoridades e representantes de instituições como o Lar dos Idosos e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.  

O prefeito Gleidson Azevedo (Novo), a secretária de Desenvolvimento Social, Juliana Coelho e membros do Conselho Municipal do Idoso participaram do encontro, que contou com música, dança e conversas sobre os direitos da terceira idade.
— Eventos como esse são essenciais para dar visibilidade ao tema e mostrar que os idosos não estão sozinhos — destacou Matheus Dias.  

Problema nacional  

Os números de Divinópolis refletem uma realidade preocupante em todo o estado. Minas Gerais já registrou 51.701 casos de violência contra idosos em 2025, e 132.355 em 2024. A opinião entre especialistas é unânime: “queda pode indicar subnotificação, já que muitos idosos ainda temem denunciar”.  

Para Eloiza Vieira, a solução passa por uma mudança cultural. 

— Precisamos enxergar a velhice como uma fase natural da vida, que merece respeito e dignidade. Escutar os idosos, validar suas dores e garantir seus direitos é um dever de todos — conclui.  

 

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