Janete retorna a Divinópolis após dias de tensão em Israel

Da Redação
A vice-prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), retornou ao município na noite desta quarta-feira após integrar uma comitiva oficial de autoridades brasileiras que participou de uma missão em Israel. Ela desembarcou no Brasil pela manhã, com escalas em Natal (RN) e no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, depois seguiu viagem para Divinópolis. Janete foi recebida por familiares, amigos e servidores públicos locais, em uma homenagem íntima, após dias marcados por tensão no Oriente Médio devido ao conflito entre Israel e Irã.
Depois de desembarcar no aeroporto de Confins na tarde desta quarta-feira, 18, Janete publicou nas redes sociais um vídeo muito emocionada e chorando ao lado dos filhos, ela também agradeceu o apoio recebido durante os dias de tensão em Israel.
Janete embarcou para Israel no dia 8 de junho, a convite do governo israelense, juntamente com outros 12 gestores públicos brasileiros. O objetivo da missão era participar de um programa voltado à tecnologia e segurança para gestores públicos, em um instituto israelense de especialização em pós-graduação. Durante a permanência no país, a vice-prefeita esteve baseada nas cidades de Kfar Saba e Haifa.
Alerta de bombardeios
Na madrugada da sexta-feira, 13, por volta das 3h no horário local, a comitiva brasileira foi surpreendida por sirenes de emergência, após Israel iniciar uma série de ataques contra instalações no Irã. As autoridades brasileiras, incluindo Janete, foram orientadas a evacuar seus quartos e se abrigar em bunkers preparados para esse tipo de situação.
Em vídeos divulgados em suas redes sociais, a vice-prefeita descreveu os momentos de tensão vividos no abrigo e tranquilizou a população divinopolitana, garantindo que estava bem. Ela também agradeceu as orações e o apoio da população.
Saída do Oriente Médio
A permanência no abrigo durou cerca de quatro dias. Com apoio da Embaixada do Brasil em Tel Aviv e sob escolta, a comitiva conseguiu atravessar por terra a fronteira com a Jordânia em um ônibus fretado. na segunda-feira, 16. De lá, seguiu para a cidade de Tabuk, na Arábia Saudita, de onde embarcou em um voo fretado rumo ao Brasil, com escalas na Espanha e na Ilha do Sal, em Cabo Verde, onde o grupo passou a noite antes de seguir para Natal.
De acordo com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM), durante todo o trajeto, por questões de segurança, os deslocamentos foram mantidos em sigilo até a confirmação da chegada a cada destino.
Missão internacional
Nesta quarta-feira, 18, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou que todos os brasileiros que integravam as delegações oficiais deixaram Israel em segurança. O grupo incluía 28 pessoas, entre elas gestores públicos e uma funcionária da embaixada israelense em Brasília.
A comitiva da qual Janete participou era formada por prefeitos, vice-prefeitos, secretários e vereadores de diferentes cidades brasileiras. Além da vice-prefeita de Divinópolis, estavam entre os participantes o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião; o prefeito de João Pessoa (PB), Cícero Lucena, que chegou a se abrigar em um bunker durante os ataques; o prefeito de Macaé (RJ), Welberth Porto; o prefeito de Nova Friburgo (RJ), Johnny Maycon; e a vice-prefeita de Goiânia (GO), Claudia da Silva.
Prefeitura
Por meio de uma nota, emitida pela prefeitura de Divinópolis, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), afirmou que sente “alívio e gratidão” pelo retorno seguro de Janete. -
— Hoje é um dia de grande alegria para nossa cidade, pois essa mulher guerreira, que tanto luta pelo povo de Divinópolis, está voltando para casa — declarou.
Conflito
O confronto direto entre Israel e Irã, que teve início na última quinta-feira, 12, marca uma escalada sem precedentes nas tensões históricas entre os dois países. Os ataques começaram com uma ofensiva aérea de Israel contra instalações nucleares e bases militares no território iraniano. Em resposta, o Irã lançou uma série de mísseis contra cidades israelenses, intensificando o temor de uma guerra em larga escala na região.
Em apenas quatro dias, mais de 240 pessoas morreram, a maioria delas em território iraniano, segundo os governos dos dois países.
Justificativa
A justificativa de Israel para o ataque inicial foi a suposta ameaça representada pelo programa nuclear iraniano. O governo israelense alega que Teerã está desenvolvendo secretamente armas atômicas, o que é negado pelos iranianos. Segundo o Irã, o programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, como geração de energia e produção de radioisótopos para uso médico.
O estopim imediato para o conflito foi uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), aprovada por países ocidentais, que criticava o Irã por falta de transparência nas inspeções nucleares.
O contexto geopolítico amplia a complexidade da crise. Israel enxerga o momento atual como uma oportunidade para enfraquecer o chamado “eixo de resistência” — uma aliança informal de grupos armados contrários ao Estado israelense, incluindo milícias em várias regiões do Oriente Médio, como no Líbano, Síria, Iêmen e Palestina. Esses grupos têm se alinhado com o Irã, o que coloca Israel em uma posição de constante alerta e motivação para neutralizar essas ameaças.
O Irã, por sua vez, acusa Israel de praticar terrorismo de Estado e de violar normas internacionais. O governo iraniano sustenta que os ataques têm apoio indireto de potências ocidentais, como Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. O temor da comunidade internacional é que a guerra se estenda para além das fronteiras dos dois países, envolvendo aliados regionais e ameaçando o equilíbrio político em todo o Oriente Médio.
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