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Adriana Ferreira

Galileu

Por Portal Agora
Galileu

Adriana Ferreira 

Admirável a postura do prefeito Galileu (MDB) no enfrentamento da Covid-19. No alto dos seus 88 anos, poderia se licenciar e passar o problema (e que problema!) para o vice-prefeito Rinaldo Valério, 64 anos, médico. Porém considerando que se encontram com as relações rompidas e Galileu não é de se afastar do cargo, vez que para ele não exista essa de vice assumir, embora tenha sido um vice que assumiu a cadeira-mor (em 1978, foi eleito vice-prefeito  na chapa de Fábio Notini e, com o afastamento deste por problemas de saúde, foi conduzido ao comando do Município). Pois bem, contrariando seu modo de formar equipe – normalmente pelo apadrinhamento e raramente pelo conhecimento técnico e competência – o que não raras vezes compromete o desempenho, em relação ao Sars-Cov 2 (novo coronavírus) tem sido puramente técnico, ouvindo sempre Amarildo Sousa, o competente secretário de Saúde. Se não estão obtendo muito sucesso no achatamento da curva, não é sua culpa. Não mesmo!

Ficar em casa

Há umas duas semanas tenho defendido o isolamento somente daqueles que podem, devem e necessitam ficar em casa. Quanto aos demais, se possível, buscar uma forma de produzir, de fazer seu produto chegar ao consumidor final para que os efeitos sobre a economia não sejam tão desastrosos, claro que sem comprometer a segurança e a saúde de quem quer que seja, pois dinheiro não compra saúde.  Uma das orientações para quem sai de casa é manter distância de no mínimo 1,5 metro e de forma alguma aglomerar-se. Mas não é o que ocorre! Vejamos: a Princesa do Oeste (Divinópolis) abrange uma área de 708,909 quilômetros quadrados e tem 238 mil habitantes), a Grande Maçã (Nova Iorque) abrange uma área de 1,213 quilômetros quadrados e tem uma população de 11,024 milhões de habitantes.  Na cidade mais movimentada do mundo, as pessoas saem quando necessário, executam seu trabalho, mantêm distância, e em Divinópolis? As pessoas acham que estão de férias e no Centro e alguns bairros é possível ver aglomeração de pessoas, principalmente idosos, sem observância das normas de segurança e sem usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Com todo o cuidado, Nova Iorque responde por 25% dos casos nos EUA (9.371.175 quilômetros quadrados, 333,546 milhões de habitantes) e em Divinópolis, o que nos espera? Sem aprender como sair de casa, melhor ficar em casa.

Idosos

Claro que não se pode culpar somente os idosos e seus familiares por esses saírem de casa e se aglomerarem nas portas dos bancos e casas lotéricas. Primeiramente, não se pode ignorar que, mesmo as instituições financeiras tendo um horário diferenciado para atender aos idosos, somente isso não basta. Uma coisa se tem que ter em mente: muitas instituições financeiras com reconhecimento para liberação do valor do benefício é digital e, com isso, somente o idoso ou curador ou procurador devidamente constituído é que poderão fazer o levantamento e saque do benefício. Não sendo assim, o idoso precisa sair para receber seu benefício previdenciário ou assistencial, e muitos são arrimos de família e, se não saírem para receber, comprometem a mantença do núcleo familiar. Esta coluna sugere que, além do horário, a divisão por idade, ou seja, cada dia um grupo de determinada faixa etária será atendido. Vai demorar, mas menos pessoas estarão sujeitas a serem infectadas. Isso será necessário até aprendermos a sair de casa.

Antecipação de formatura

Através da Portaria 374/2020, o Ministério da Educação autorizou a antecipação da formatura para profissionais da saúde: medicina, enfermagem, farmácia e fisioterapia, desde que tenham cumprido 75% da carga horária prevista para o período de internato médico ou estágio supervisionado. A medida vale para instituições federais de ensino e tem caráter excepcional, ou seja, enquanto durar a situação de emergência de saúde pública. Legal? Nem tanto, pois será mais ou menos como soldados na guerra: na linha de frente, com remuneração  simbólica, arriscando suas vidas, sem EPI para todos e com grande possibilidade de ser herói longe de casa e voltar morto sem enterro glorioso e salva de tiros. Não é para desanimar quem quer que seja, mas, sim, que quem for aceitar o chamado que leia bem o contrato e, se necessário, peça ajuda a um advogado. É a sua vida e seus sonhos reais, até porque são poucos que estudam medicina pensando no programa Médicos Sem Fronteiras, em salvar vidas na África. Sejamos realistas!

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