Gasolina e etanol ficam mais caros no próximo sábado
Jorge Guimarães
Julho não começará com boas notícias para o consumidor brasileiro. A partir do próximo sábado, 1º, o litro da gasolina deve ter um reajuste de R$ 0,22 devido o retorno integral do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) zerou as alíquotas dos tributos federais sobre a gasolina, etanol, diesel, biodiesel, gás natural e gás de cozinha, sendo a medida com validade até 31 de dezembro. Porém, no início de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prorrogou por dois meses a desoneração dos impostos, mas com a volta parcial da cobrança a partir de março para a gasolina e para o etanol, e o retorno integral para os dois combustíveis a partir de 1º de julho. Medida que mexerá nos preços já a partir do primeiro dia do mês.
Preços
Em Divinópolis, segundo a pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizada em 14 pontos de vendas na última semana, o preço médio da gasolina estava em R$ 5,14, o mais baixo em R$ 4,95 e o maior, R$ 5,39. Já o preço médio do etanol era de R$ 3,69, o menor preço encontrado foi de R$ 3,49 e o mais caro ficou em R$ 3,89. Para conferir se os valores seguem os mesmos, a reportagem fez um novo levantamento ontem em sete postos de gasolina e o preço médio girou na casa dos R$ 5,02, o mais baixo encontrado foi de R$ 4,89 e o maior, R$ 5,09. Já o etanol teve média de preço em R$ 3,69, sendo o menor em R$ 3,44 e o maior de R$ 3,79.
— Foi bom saber desse aumento, pois já tinha me esquecido. Vou deixar o meu carro com tanque cheio e, para isso, abastecer além do de costume. E não vou deixar para véspera. Evitar prováveis filas é a melhor maneira — disse a estoquista Eliene Pinheiro.
Restrições
Segundo nota divulgada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), os postos de Minas Gerais estão encontrando dificuldades em adquirir combustíveis das distribuidoras.
— Como virou costume em vésperas de mudança de regramento tributário e reajustes da Petrobras, os postos de Minas Gerais têm identificado dificuldade na aquisição de produtos junto às companhias distribuidoras, principalmente na gasolina. Os revendedores alegam que as empresas estão adotando essa prática comercial por causa do aumento do preço dos combustíveis, previsto para semana que vem, devido à volta da incidência total dos impostos federais na gasolina e etanol — comunicou.
Caso a suspeita se confirme, o Minaspetro lamenta esse modelo de operação das distribuidoras, que pode gerar uma antecipação do aumento previsto e alerta que a prática pode ferir cláusulas de contratos das companhias com os postos, além ocasionar desabastecimento em algumas regiões.
A reportagem ouviu um proprietário de posto de gasolina e um gerente para saber se o mesmo acontece na cidade. E realmente, aqui também, está acontecendo algumas restrições quanto a aquisição dos combustíveis.
— Nesta semana estamos sofrendo algumas restrições das distribuidoras quanto ao volume a ser adquirido junto às mesmas. Se eu fizer um pedido de 15 mil litros, a distribuidora só envia 5 mil, isso devido ao aumento que a gasolina e o etanol vão ter a partir do dia 1º de julho, próximo sábado, com o retorno total dos tributos federais que incidem na elaboração final dos preços que a Petrobras repassa para as distribuidoras. Mesmo assim, elas não deixam de nos atender, o que é menos mal — avaliou o empresário Eduardo Print Jr.
Já o gerente Fabricio Alexandre Pontes enfrenta o mesmo problema, só que desde a última semana.
— Estamos, sim, com dificuldades em adquirir o nosso pedido em sua totalidade, estamos recebendo menos um pouco da metade que deveríamos receber. Mas essa política das distribuidoras já é quase que normal, quando há um aumento já planejado para os combustíveis — relatou.
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