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Política

Gleidson afirma estar ‘despreocupado’ com pedido de cassação do Sintram

Por Portal Agora
Gleidson afirma estar ‘despreocupado’  com pedido de cassação do Sintram

Bruno Bueno

Uma das principais polêmicas da gestão de Gleidson Azevedo (PSC), que completa oito meses à frente da Prefeitura de Divinópolis na próxima semana, aconteceu no dia 10 junho. O chefe do Executivo discutiu com membros do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Oeste (Sintram) durante manifestação na porta da Prefeitura. À época, os sindicalistas cobravam a recomposição salarial dos servidores, previsto na lei municipal 8.083, com a justificativa de que, no último ano, alimentos, moradia, vestuário aumentaram, enquanto o salário da classe permaneceu o mesmo.

Um mês e meio depois da discussão, os servidores continuam reivindicando o gatilho salarial de 5,2%. Em assembleia realizada na última sexta-feira, 23, membros do Sintram rejeitaram, por conta da pandemia, uma possível greve dos trabalhadores. Entretanto, outras ações foram anunciadas para pressionar a recomposição, entre elas um pedido de cassação direcionado ao prefeito, alegando improbidade administrativa, isto é, descumprimento de lei prevista no regimento.

Em entrevista exclusiva ao Agora, o chefe do Executivo falou pela primeira vez sobre o assunto e disse que está totalmente despreocupado com o pedido de cassação. 

Amparo

Gleidson afirmou que se sente amparado pela Lei Complementar Federal 173, conhecida como Lei de Socorro aos Estados, que inclui um trecho que proíbe o reajuste no salário de servidores federais, estaduais e municipais até 31 de dezembro de 2021.

— Eu estou despreocupado. Me amparo na lei 173 e não estou cometendo improbidade administrativa. Se houver o pedido de cassação, pode ter certeza que ele vai ser barrado na Câmara — enfatizou

O chefe do Executivo disse que a Prefeitura não tem condições financeiras de fazer a recomposição neste momento. Além disso, afirmou que algumas cidades que concederam o benefício tiveram que voltar atrás, com o amparo da lei.

— Não somos irredutíveis. A Prefeitura não tem condições de pagar nesse momento, ainda mais com a pandemia. Eles batem na tecla que alguns municípios concederam o gatilho, mas, segundo nossa apuração, várias cidades tiveram que pedir de volta os recursos com base na lei — disse.

Ironizou

O prefeito também ironizou o pedido de cassação, voltando a afirmar que não está preocupado com o documento.

— De tanta preocupação, vou pegar minhas coisas e ir para a praia amanhã — ironizou.

Por fim, Gleidson contou ter proposto um acordo com os servidores. Segundo ele, assim que a situação econômica municipal melhorar, a Prefeitura concederá os recursos.

— Eu propus um acordo que agrade ambas as partes. Eles têm que entender que a Prefeitura não tem condições neste momento. Assim que a situação melhorar, eu vou conceder o reajuste. Isso é direito deles, mas é necessário que eles também entendam nosso lado — salientou.

Sintram

O Agora também procurou representantes do Sintram a fim de obter informações sobre o pedido de cassação. O vice-presidente do sindicato, Wellington Silva, conversou com a reportagem e disse que o documento deve chegar à Câmara somente no fim de agosto. Segundo ele, outras ações, como carreatas, paralisações e abaixo-assinados, serão feitas antes do pedido.

— O pedido vai ser encaminhado para a Câmara, mas primeiro vamos encaminhar as outras deliberações que foram definidas na assembleia, como as carreatas e o abaixo-assinado. Ainda estamos elaborando o pedido e, assim que possível, enviaremos para apreciação, mas provavelmente será no fim de agosto ou início de setembro — disse.

O sindicalista também afirmou que o Sintram vai conversar com os vereadores para que o pedido seja colocado em votação. Contudo, ele afirma que a decisão, que cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Print Júnior (PSDB), é política, e não jurídica. 

— Infelizmente, o cassação é uma decisão política, e não jurídica. O prefeito não está cumprindo a lei e, com isso, comete improbidade administrativa. Cabe ao presidente da Câmara encaminhar ou não para votação, mas iremos pressionar muito. Vale lembrar que muitos vereadores que estavam a favor do prefeito hoje não estão mais. Isso pode ser um fator determinante — explicou

Lei 173

Wellington também rebateu as acusações de Gleidson sobre a Lei 173. Para ele, o documento não veda a compensação salarial, obrigando o prefeito a conceder os recursos.

— O prefeito não cumpre a lei municipal com a justificativa de outra lei do governo federal. No entanto, no nosso entendimento essa lei não veda a compensação salarial, logo, ele está cometendo um crime de improbidade — finalizou.

 




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