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Política

Cleitinho encerra novela e decide não disputar o Governo de Minas

Senador atribui decisão ao momento de luto pela morte do irmão; Republicanos afirma que ofereceu condições para candidatura 

Por Jornal Agora· 6 min de leitura
Cleitinho encerra novela e decide não disputar o Governo de Minas

Lucas Maciel

A novela que movimentou a política mineira nas últimas semanas chegou ao fim nesta segunda-feira, 3. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) não será candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. 

A decisão foi anunciada após uma reunião em Brasília, que começou no fim da manhã e se estendeu durante a tarde, com a participação do parlamentar, do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), e do presidente da legenda em Minas Gerais, deputado federal licenciado Euclydes Pettersen.

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Em vídeo publicado nas redes sociais do partido, Cleitinho apareceu ao lado dos dois dirigentes e confirmou que não disputará o Palácio Tiradentes. Emocionado, atribuiu a decisão ao momento pessoal que enfrenta após a morte do irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho.

— Eu ainda não estou bem. Eu preciso me recuperar, cuidar de mim, porque não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim. Eu peço perdão, mas nesse momento agora eu não vou conseguir — afirmou.

Marcos Pereira afirmou que o Republicanos vinha discutindo havia meses a possibilidade de lançar Cleitinho ao governo e que a legenda ofereceu condições para que o senador disputasse a eleição. Segundo ele, mesmo depois da decisão do partido de retirar o nome de Cleitinho da disputa, foram realizadas novas reuniões para tentar viabilizar a candidatura.

O presidente nacional também destacou o período de luto vivido pelo senador. Segundo Pereira, Cleitinho concluiu que não era o momento adequado para iniciar uma campanha.

— Para você cuidar do povo, você tem que cuidar primeiro da sua casa — afirmou.

Cleitinho confirmou essa versão no vídeo e disse que ainda precisa cuidar de si e da família.

— Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim. Eu peço perdão, mas nesse momento agora eu não vou conseguir — repetiu.

Euclydes Pettersen também afirmou que respeitaria a decisão e lembrou ser um dos principais entusiastas da candidatura de Cleitinho.

Início da crise

A decisão desta segunda-feira acontece cinco dias depois de o próprio Republicanos anunciar publicamente que não lançaria Cleitinho ao Governo de Minas. Até então, o cenário era outro.

O partido divulgou, na última quarta-feira, 29, uma nota afirmando que havia trabalhado durante meses para viabilizar a candidatura, mas que o senador não havia formalizado de maneira definitiva a decisão de disputar o governo.

A legenda afirmou que a ausência de Cleitinho na convenção estadual, realizada em 25 de julho, havia produzido consequências políticas. O partido também declarou que precisava reorganizar suas alianças e, posteriormente, oficializou apoio ao ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP).

Cleitinho afirmou ao Agora que foi pego de surpresa e que tomou conhecimento da decisão pelos veículos de comunicação de Belo Horizonte, ao mesmo tempo que a população.

Reação em Divinópolis

Na noite de quarta-feira, Cleitinho convocou uma coletiva de imprensa na Praça do Santuário, em Divinópolis. Foi a primeira manifestação pública do senador após o anúncio do Republicanos.

Durante o encontro, afirmou que pretendia ser candidato e contestou a justificativa de que teria “perdido o timing”.

Cleitinho explicou que havia planejado anunciar sua candidatura depois da Copa do Mundo, mas que o agravamento do estado de saúde do irmão e, posteriormente, sua morte alteraram os planos.

— Como é que eu vou lançar uma candidatura? Que clima que eu tenho para fazer uma coisa dessa? — questionou.

O senador afirmou que havia explicado a situação ao partido e que não tinha condições emocionais de participar da convenção poucos dias após o sepultamento do irmão. Ao mesmo tempo, disse compreender que a legenda precisava fazer articulações políticas.

Mesmo após a decisão do partido, Cleitinho demonstrou confiança de que conseguiria reverter o quadro em declaração dada com exclusividade ao Agora.

— Amanhã ele vai atender, eu vou dar um abraço nele e ele vai falar que eu sou candidato — afirmou, referindo-se a Marcos Pereira.

As tentativas de reversão

A partir daí, começou uma nova etapa da crise. Cleitinho passou a buscar uma solução diretamente com a direção nacional do Republicanos.

O senador se reuniu na quinta-feira, 30, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, com Marcos Pereira. Eduardo Falcão, até então apontado como possível vice na chapa, também participou das articulações. O encontro durou cerca de seis horas e terminou sem definição.

Na sexta-feira, 31, Cleitinho, Falcão e Euclydes Pettersen se reuniram em Divinópolis. A expectativa era de que a conversa pudesse produzir uma reviravolta na decisão do partido.

Novamente, porém, não houve uma definição.

A situação chegou ao fim nesta segunda-feira, quando Cleitinho e os dirigentes do Republicanos se reuniram em Brasília.

Segundo Marcos Pereira, antes da decisão final também foram consultados possíveis partidos aliados, entre eles PL, União Brasil e PP.

Nos bastidores, porém, aliados de Cleitinho sustentavam que o senador havia tentado viabilizar sua candidatura até o último momento e que existiam divergências relacionadas a acordos políticos estabelecidos anteriormente pelo partido.

Pesquisas

A indefinição ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de uma pesquisa Genial/Quaest, na terça-feira, 28, que colocou Cleitinho na liderança da disputa pelo Governo de Minas.

No principal cenário de primeiro turno, o senador aparecia com 35% das intenções de voto, à frente de Alexandre Kalil, com 12%; Patrus Ananias, com 10%; e Mateus Simões, com 6%.

Após a divulgação do levantamento, Cleitinho reforçou nas redes sociais os sinais de que poderia disputar o governo. Publicou a frase “Entre para a tropa do Cleitinho governador” e, depois, um vídeo produzido com inteligência artificial no qual aparece ao lado do pai e do irmão Matheus.

O vídeo foi publicado justamente na noite anterior ao anúncio do Republicanos de que não manteria sua candidatura.

Pressão política

A indefinição também afetou as articulações de outros partidos. O PL aguardava a decisão de Cleitinho para definir sua estratégia em Minas Gerais, especialmente em relação ao palanque para o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.

Durante a convenção do PL, realizada na segunda-feira, 27, lideranças da legenda ainda demonstravam expectativa pela candidatura do senador. O deputado estadual Eduardo Azevedo afirmou ao Agora que o partido aguardava a definição de Cleitinho e que havia conversado com o irmão sobre a intenção de disputar o governo.

O deputado federal Nikolas Ferreira e outras lideranças também participaram das articulações.

O próprio Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e candidato homologado pelo Republicanos para deputado federal, afirmou acreditar que a crise poderia ter ocorrido por uma falha de comunicação. Em determinado momento, chegou a dizer que cogitava desistir da candidatura à Câmara dos Deputados em razão do impasse.

Com a decisão desta segunda-feira, porém, a candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas está descartada.

O que vem agora

A expectativa é de que Cleitinho siga no mandato de senador e não dispute nenhum cargo nas eleições de 2026.

O Republicanos, por sua vez, deverá avançar nas articulações para uma candidatura alternativa ao Governo de Minas. A legenda já havia anunciado apoio a Marcelo Aro após retirar Cleitinho da disputa.

No vídeo divulgado pelo Republicanos, Cleitinho resumiu a decisão ao falar sobre o momento que atravessa:

— Não adianta entrar na campanha do jeito que estou. Não adianta querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim e da minha família — explicou. 


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