Sem Cleitinho, eleição para o Governo de Minas ganha cenário de equilíbrio
Senador, que liderava pesquisas, deu última cartada em busca de candidatura; Marcelo Aro surge como alternativa, ainda sem confirmação oficial

Lucas Maciel
A eleição para o Governo de Minas Gerais entrou em uma nova fase após a saída, e a posterior tentativa de retorno, do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa. Líder nas pesquisas divulgadas até a semana passada, o parlamentar anunciou na segunda-feira, 3, que não seria candidato.
Menos de 24 horas depois, porém, voltou atrás e pediu publicamente ao próprio partido que autorizasse sua candidatura. A solicitação foi rejeitada pelo presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, que classificou a possibilidade de uma nova mudança como “página virada”.
Reviravolta
O novo capítulo da disputa ocorreu nesta terça-feira, 4, durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília. Cleitinho pediu a palavra e surpreendeu dirigentes da legenda ao afirmar que gostaria de disputar o Palácio Tiradentes. O senador disse estar vivendo um período de luto após a morte do irmão, Matheus Azevedo, e afirmou que a desistência anunciada na segunda-feira ocorreu em um momento de fragilidade emocional.
— Eu queria pedir para vocês, do fundo do meu coração, que me deixem disputar o governo de Minas. Eu peço essa oportunidade. Se vocês entenderem que não devo, eu vou respeitar. Mas eu precisava fazer esse pedido olhando nos olhos de vocês — declarou.
Marcos Pereira, entretanto, rejeitou o pedido. Segundo o dirigente, o partido vinha dando oportunidades para que Cleitinho definisse se disputaria ou não a eleição e precisava avançar nas articulações para Minas. Para Pereira, as sucessivas mudanças de posição não permitiriam uma nova alteração na estratégia da legenda.
Última cartada
Mesmo diante da negativa pública, Cleitinho afirmou que ainda tentaria conversar com Pereira. Após a convenção, o senador disse que pretendia se reunir novamente com o presidente nacional do Republicanos para tentar convencê-lo a rever a decisão.
Até o fechamento desta edição, às 16h desta terça-feira, não havia novas informações sobre o encontro ou qualquer mudança na posição da direção nacional. A movimentação poderá ser acompanhada pelos canais digitais do Agora.
Vídeo de desistência
O senador também explicou que o vídeo divulgado na segunda-feira, no qual apareceu ao lado de Marcos Pereira e do presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, comunicando a desistência, teria sido gravado em um momento de dúvida. Segundo Cleitinho, após a gravação, familiares o incentivaram a continuar na disputa e ele pediu que o vídeo não fosse publicado. A gravação, porém, acabou sendo divulgada.
A nova tentativa de candidatura ocorre justamente no momento em que o Republicanos já havia avançado na construção de uma alternativa para a disputa estadual.
Aro no radar
Sem Cleitinho, o nome que passou a ser cogitado para receber o apoio do Republicanos é o do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP). A possibilidade, porém, ainda não está oficialmente consolidada.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, realizou sua convenção estadual na segunda-feira, 3, mas terminou o encontro sem oficializar Aro como candidato ao Governo de Minas. Apesar disso, discursos feitos durante a convenção indicaram que o ex-secretário é tratado como uma alternativa para a disputa.
Aro afirmou que está “à disposição” do partido e falou sobre a necessidade de Minas recuperar protagonismo nacional. O deputado federal Rodrigo de Castro, presidente do União Brasil em Minas, também declarou apoio ao nome de Aro para representar a federação em uma disputa majoritária. A ata da convenção, entretanto, deixou em aberto a definição sobre a candidatura ao Palácio Tiradentes.
Indefinição
A indefinição ocorre em meio a uma mudança na trajetória política de Aro. Ele era pré-candidato ao Senado na chapa de Mateus Simões (PSD), atual governador e candidato à reeleição, mas abandonou o projeto e passou a articular uma candidatura própria ao governo. O movimento provocou um rompimento político com Simões e com o grupo ligado ao governador.
Com a possibilidade de receber o apoio do Republicanos, Aro pode ocupar parte do espaço político deixado por Cleitinho. Mas, até agora, não há confirmação oficial de que ele será efetivamente o candidato da federação ou de que terá o apoio definitivo do Republicanos.
Disputa mais aberta
A saída de Cleitinho altera principalmente o cenário apresentado pelas pesquisas eleitorais. No levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de julho, o senador aparecia na liderança em todos os cenários de primeiro turno em que era testado. Na principal simulação, tinha 35% das intenções de voto, contra 12% de Alexandre Kalil (PDT), 10% de Patrus Ananias (PT) e 6% de Mateus Simões (PSD).
Sem Cleitinho, porém, a distância entre os principais nomes desaparece. No cenário sem o senador divulgado pela Quaest, Alexandre Kalil aparece numericamente à frente, com 15%, seguido por Patrus Ananias, com 13%, e Mateus Simões, com 9%. Gabriel Azevedo (MDB) tem 6%, enquanto Flávio Roscoe (PL) aparece com 4%. Ben Mendes (Missão) soma 2%; Maria da Consolação (PSOL), 1%; e Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB) aparecem com 0%.
O dado que mais chama a atenção é o número de eleitores que ainda não escolheram um nome. São 27% de indecisos, enquanto 23% afirmam votar em branco, nulo ou não votar.
Em outro cenário testado pela pesquisa, os percentuais são semelhantes: Kalil tem 15%, Patrus, 13%, Simões, 9%, Gabriel Azevedo, 6%, Vittorio Medioli, 3%, e Ben Mendes, 2%; os indecisos chegam a 27% e brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 24%.
A pesquisa também mostra que a decisão do eleitor ainda está longe de ser definitiva. Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados afirmaram que podem mudar o voto até a eleição. Outros 36% consideram a escolha definitiva.
Empate no segundo turno
A retirada de Cleitinho também modifica as simulações de segundo turno. No cenário entre Mateus Simões e Alexandre Kalil, o governador aparece com 30%, enquanto o ex-prefeito de Belo Horizonte tem 29%. O resultado está dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Em outra simulação, Simões e Patrus Ananias também aparecem empatados, ambos com 30%. Os números mostram um cenário ainda aberto, diferente daquele apresentado quando Cleitinho era incluído nas simulações. Na pesquisa divulgada em julho, o senador venceria os adversários testados no segundo turno, com 44% contra 29% de Kalil, 46% contra 31% de Patrus e 46% contra 15% de Simões.
O levantamento foi realizado pela Quaest a pedido da Genial Investimentos. Foram entrevistados 1.482 eleitores de 16 anos ou mais, entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-03490/2026.
Nomes confirmados
Enquanto o cenário dos dois grupos ainda passa por definições, outros candidatos já tiveram os nomes confirmados em convenções. Estão na disputa Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU), Túlio Lopes (PCB) e Indira Xavier (UP), conforme as convenções realizadas até agora.
A eventual entrada de Marcelo Aro, porém, ainda depende da formalização da candidatura, assim como uma definição sobre a situaçãoi de Cleitinho.
Prazo chegando ao fim
A definição precisa ocorrer rapidamente. O prazo para a realização das convenções partidárias termina nesta quarta-feira, 5.
A movimentação de Cleitinho acrescentou mais uma variável a uma eleição que, sem o senador, passa a apresentar um cenário muito mais equilibrado nas pesquisas. Ao mesmo tempo, a possível transferência do apoio do Republicanos para Marcelo Aro ainda não foi oficialmente confirmada.
Assim, a disputa pelo Governo de Minas chega às últimas horas do prazo das convenções com uma série de perguntas ainda abertas: quem será o candidato apoiado pelo Republicanos, se Marcelo Aro será confirmado pela federação União Progressista e, principalmente, se a tentativa de Cleitinho de retornar à disputa terá algum efeito depois da negativa pública de Marcos Pereira.
Até o fechamento desta edição, a posição oficial do Republicanos permanecia sendo a de que Cleitinho está fora da disputa.
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