Grandes Veredas e Buracos: Rejeitos

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCLIX
Aquele governador que introduziu e mastigou uma banana – “com casca e tudo”— em seu orifício oral, o mesmo detentor da paranoia privatizante da CEMIG e da COPASA, (1) é responsável por um conjunto de renúncias fiscais acumuladas em seu governo da ordem de R$111 bilhões, até 2025, ou seja, um ABSURDO montante equivalente a 70% da dívida do estado com a União, em torno de 160 bilhões.
(...) Políticos ligados à governança mineira não se manifestam sobre isso.
Até 2024, (2) Conforme anuário de segurança pública, mais de 2000 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, sendo exato que Minas foi o estado com 500 trabalhadores resgatados, em face de 136 ações fiscais. Por conta disso, 165 empresas do estado (empregadores) estão no cadastro nacional conhecido por “lista suja”.
(...) Políticos ligados à governança mineira também não se manifestam sobre isso.
Em 2025, a lástima mineira prossegue e tem nome: “OPERAÇÃO REJEIT0”.
A operação “Rejeito” (3) é uma ação conjunta envolvendo Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal e Receita Federal, iniciada em 2020 (!), identificando a maior corrupção ambiental da história de Minas Gerais, em valores que chegam a quase 20 bilhões de reais.
A organização criminosa se valeu de instrumentos legais da governança estadual, efetivamente elaborados para facilitar e flexibilizar as condições e regras para licenciamento ambiental. Uma verdadeira tragédia para o meio ambiente mineiro, mas uma “farra” para mineradoras madeireiras.
O crime organizado envolve mais de 40 empresas do setor, muitas delas já beneficiadas com as tais “isenções” fiscais em conúbio com sonegação de tributos, informações falsas, laudos fraudulentos e até mesmo (pasme-se!) coação e opressão de comunidades.
Considerando-se a neutralização da política ambiental no estado, é provável que a “OPERAÇÃO REJEITO” seja apenas a ponta do iceberg, tanto mais evidenciando que a apuração só foi possível pela atuação primordial de órgãos federais (?).
Na realidade, demonstra-se claramente uma corrupção – organização criminosa sistêmica – enraizada no “sistema” de (não) gestão em estadual, mediante o “modus operandi” básico da “compra” de licenças ambientais. Inclusive, é uma prática criminosa que já levou ao rompimento de barragens e que, fatalmente, pode levar a outras tragédias futuras.
Enquanto isso, projetos de lei que dariam proteção a áreas ambientais sensíveis e de risco NÃO AVANÇAM na Assembleia de Minas, e mesmo aquelas normas já aprovadas (Lei “Mar de Lama Nunca Mais”), vêm sendo neutralizadas mediante decretos de “flexibilização”.
De qualquer forma, já foram bloqueados pela Justiça cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos de envolvidos, bem como emitidos 22 mandados de prisão preventiva e 79 mandados de busca e apreensão.
Servidores de órgãos ambientais do estado – Feam, IEF, Copam – estão nos autos das investigações, 15 pessoas presas preventivamente - dentre elas um ex-diretor da PF em Minas.
(...) Políticos locais ligados à governança mineira também não se manifestam sobre isto.
Um descalabro. Uma lástima mineira, afinal, nem só de banana com casca “goela abaixo” vive a proteção ao meio ambiente.
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