Greve dos bancários tem novos desdobramentos em Divinópolis
Caixa mantém paralisação, enquanto funcionários do Banco do Brasil votam nova proposta após tentativa de acordo

A greve dos bancários, iniciada nesta quinta-feira, 10, ganhou novos desdobramentos em Divinópolis nesta sexta-feira, 11. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários da cidade, Antônio Márcio, os funcionários da Caixa Econômica Federal mantêm a paralisação, enquanto os trabalhadores do Banco do Brasil receberam uma nova proposta da instituição e participam de uma votação para decidir os próximos passos do movimento.
De acordo com o sindicalista, as negociações entre a categoria e os bancos começaram ainda em junho, quando os trabalhadores apresentaram a minuta de reivindicações. O acordo coletivo chegou ao fim em 31 de agosto sem que houvesse consenso entre as partes.
— Os banqueiros não agradam os funcionários dos bancos públicos, que é Caixa Federal e Banco do Brasil — afirmou Antônio Márcio.
Bancos privados fecharam acordo
O presidente do sindicato explicou que os trabalhadores dos bancos privados aceitaram a proposta apresentada durante as negociações. Segundo ele, o acordo coletivo da categoria nesses bancos já foi assinado e terá validade até setembro de 2028.
A situação foi diferente entre os bancos públicos. Após a rejeição das propostas, Caixa e Banco do Brasil passaram a ter encaminhamentos distintos dentro da mobilização em Divinópolis.
Na Caixa, os funcionários decidiram pela greve. Segundo Antônio Márcio, novas tentativas de negociação não avançaram e, até o momento, o banco não apresentou uma nova proposta para encerrar a paralisação.
O sindicalista também afirmou que existe a possibilidade de a Caixa recorrer à Justiça para questionar o movimento grevista. Enqanto isso, os trabalhadores permanecem mobilizados e aguardam novos encaminhamentos.
Banco do Brasil apresenta nova proposta
Já no Banco do Brasil, a categoria optou inicialmente por solicitar a retomada das negociações. Uma nova proposta foi apresentada pela instituição e levada aos funcionários.
A votação começou após uma assembleia realizada na quinta-feira, 10, e permanecia aberta nesta sexta-feira. Conforme Antônio Márcio, a votação é realizada de forma on-line e estava prevista para terminar às 12h.
Até o momento da entrevista, a aprovação da nova proposta aparecia à frente da rejeição. O presidente, porém, ressaltou que o resultado ainda não poderia ser considerado definitivo.
Com isso, diferentemente do que ocorre na Caixa, a continuidade da paralisação no Banco do Brasil ainda dependia da decisão dos funcionários.
Próximos passos
No caso da Caixa, o Sindicato dos Bancários programou uma live com os trabalhadores que estão em greve para esta sexta-feira. Após a reunião, uma nova assembleia deverá discutir os próximos passos do movimento.
Os funcionários deverão decidir entre a continuidade da greve ou a aceitação de um eventual acordo. Antônio Márcio destacou que a decisão cabe à própria categoria.
— A gente aqui, sindicato, faz o que o bancário quer, a categoria quer. Então eles que decidem — afirmou.
Segundo ele, existe resistência entre os empregados da Caixa em relação à aprovação de um possível acordo, mas o cenário pode mudar rapidamente conforme o avanço das negociações.
— Tudo é imprevisível. Tem muita resistência da Caixa hoje com relação à aprovação, mas o cenário muda de uma hora para outra — disse.
Reivindicações
A mobilização dos funcionários dos bancos públicos ocorre após 13 rodadas de negociação nacional. Entre as reivindicações estão questões salariais, benefícios, condições de trabalho e alterações nos planos de saúde.
Na Caixa, um dos principais pontos de divergência envolve o Saúde Caixa. A proposta apresentada pelo banco prevê reajuste pelo INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, além de mudanças nas contribuições de aposentados e pensionistas.
Pela proposta, a contribuição dos aposentados passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração. A cobrança por dependente subiria de R$ 480 para R$ 660, enquanto o teto de contribuição familiar passaria de 7% para 9%.
No Banco do Brasil, entre as reivindicações estão o pagamento de bônus de R$ 3 mil, revisão do Plano de Cargos e Remuneração, pagamento da PLR em até 72 horas após a assinatura do acordo, ampliação da licença-paternidade e reajuste do auxílio para filhos com deficiência, além de medidas relacionadas à Cassi e às condições de trabalho.
Atendimento ao público
Com a greve da Caixa, clientes de Divinópolis podem enfrentar alterações no atendimento presencial nas agências. A orientação é priorizar aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e demais canais digitais enquanto durar a paralisação.
No Banco do Brasil, a situação depende do resultado da votação da nova proposta. Caso os trabalhadores aprovem o acordo, a tendência é de encerramento da mobilização na instituição. Se a proposta for rejeitada, novas decisões deverão ser tomadas pela categoria.
O presidente do Sindicato reforçou que os próximos passos serão definidos pelos próprios bancários e que o cenário pode sofrer mudanças ao longo desta sexta-feira, conforme o resultado das votações e a evolução das negociações com os bancos.
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