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Polícia

Homem matou sogra e deixou companheira  em estado grave tem histórico de agressões 

Por Bruno
Homem matou sogra e deixou companheira  em estado grave tem histórico de agressões 

Elian Ozéias

Terminou em tragédia o último dia da campanha “Agosto Lilás", voltada à conscientização sobre a violência contra a mulher. Na data, sexta, 29,  um homem de 39 anos, registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), foi preso em flagrante após matar a sogra a tiros e deixar a companheira gravemente ferida, na comunidade rural de Buritis, em Divinópolis.

Segundo informações da Polícia Militar, o autor do crime se apresentou voluntariamente logo após os disparos. Ele afirmou que foi até a casa da família para buscar seus pertences, alegando que queria encerrar o relacionamento. Durante uma discussão acalorada com a companheira, de 30 anos, a situação  teria saído do controle. A sogra que estava no local e tentou denfender a filha, também foi atingida. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a mulher, que era servidora municipal, morreu no local. A companheira foi levada em estado gravíssimo para a Sala Vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus. No mesmo dia, foi transferida para o CTI, passou por uma cirgurgia, e segue internada. 

Detalhes da ocorrência 

O tenente da Polícia Militar, Alex Margotti, relatou que o próprio autor acionou a polícia logo após o crime. Segundo ele, o homem alegou legítima defesa: 

— Ele revelou que teria sido ameaçado com uma faca pela companheira, o que o motivou a atirar — contou.

Ainda de acordo com a PM, o agressor possui registro legal de arma de fogo e está cadastrado como CAC, o que lhe dá direito à posse da arma utilizada.

Entretanto, o histórico do autor levanta preocupações. Conforme apurado pela polícia, ele já tinha uma passagem por lesão corporal no âmbito da Lei Maria da Penha, registrada em abril do ano passado, também em Divinópolis, envolvendo uma ex-companheira. O caso evidencia uma escalada de violência doméstica que terminou da forma mais extrema: o feminicídio consumado e uma tentativa.

A cada 5 horas

O caso não é isolado. Dados da Polícia Civil (PC) revelam uma realidade preocupante. Entre janeiro e junho de 2025, foram registradas 918 ocorrências de violência doméstica na cidade, uma média de cinco casos por dia, ou uma mulher agredida a cada cinco horas. O número representa um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2024.

Desde 2019, Divinópolis já contabiliza 16 vítimas de feminicídio, sendo 12 mortes consumadas e quatro tentativas. 

Neste ano, foram dois feminicídios consumados e sete tentativas, somando nove ocorrências graves nos primeiros oito meses. 

Cultura da violência

A psicóloga Eloiza Vieira, chama atenção para o perfil recorrente dos agressores e o ciclo de abuso que frequentemente culminam em tragédias. Segundo ela, muitos casos poderiam ser evitados com redes de apoio mais eficazes, fiscalização rigorosa de agressões reincidentes e menos burocracia no acesso a medidas protetivas.

— O lar, que deveria ser um espaço de segurança, tem se tornado o palco da violência mais brutal. O feminicídio não é um ato impulsivo ou passional, mas sim a consequência de uma estrutura social que ainda vê a mulher como propriedade do homem — afirma.

Ela também ressalta que a presença de armas de fogo, especialmente em mãos de pessoas já denunciadas por agressões, aumenta significativamente o risco. 

Trágico fim do ‘Agosto Lilás’

O crime desta sexta-feira ocorreu justamente ao final do “Agosto Lilás", campanha nacional instituída por Lei Federal em 2022, que busca ampliar a conscientização sobre a violência doméstica e reforçar os mecanismos de proteção às vítimas, com base na Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006.

Em Divinópolis, a data foi marcada por diversas ações educativas, palestras e campanhas públicas de incentivo à denúncia. Mas o encerramento do mês, com um feminicídio e uma tentativa, lança uma sombra sobre os avanços conquistados.

Justiça e expectativa

O autor foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil segue investigando o caso. A companheira, vítima da tentativa de feminicídio, continua internada em estado gravíssimo. 

Enquanto isso, Divinópolis, assim como o restante do país, encara mais um doloroso episódio de violência de gênero, que, mais uma vez, evidencia que o término de um relacionamento não pode significar o fim da vida de uma mulher.

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