Homem que matou condutor de carro na rua Goiás é condenado a 16 anos de prisão

Da Redação
Dois homens acusados de assassinar Arley Hugo Rodrigues de Assis, de 22 anos, foram julgados nesta terça-feira, 11, em sessão que durou cerca de dez horas. O crime, que chocou a população de Divinópolis, ocorreu em março do ano passado, na rua Goiás, uma das principais vias da região central da cidade. João Vítor Caetano Gomes, 22 anos, o condutor da moto foi absolvido, enquanto Ian Souza da Silva, 24, foi condenado a 16 anos de prisão.
Caso
O caso ganhou destaque por ter acontecido durante à tarde em uma rua movimentada, com disparos de arma de fogo em via pública, assustando moradores e comerciantes da região. Câmeras de segurança de uma loja registraram o momento em que um carro, ocupado por Arley e mais duas pessoas, foi perseguido por uma moto. Na tentativa de fugir, o motorista do carro fez manobras bruscas, chegando a fechar outro veículo e, em seguida, bateu de frente na entrada de um estacionamento.
Os tiros, que ecoaram pela rua, fizeram com que várias pessoas corressem. Nas imagens, é possível ver dois ocupantes do carro abandonando o veículo, incluindo Arley, que foi baleado. O terceiro ocupante saiu em seguida. O carro, que era alugado, foi encontrado com marcas de tiros. Arley tentou fugir a pé por uma rua próxima, mas foi atingido. Ele foi socorrido pelo Samu e encaminhado para a sala vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus, mas morreu horas depois.
Motivação do crime
De acordo com a apuração dos fatos, o crime foi motivado por uma dívida de agiotagem. A namorada de Ian teria contraído uma dívida de R$ 2 mil com Arley, que passou a cobrar o valor de forma insistente. Em vez de resolver a situação por meios legais, os acusados optaram por um ato violento. Ian, que estava na garupa da moto pilotada por João Vitor, teria sido o autor dos disparos.
O advogado de defesa de João Vitor argumentou que seu cliente não tinha conhecimento da premeditação do crime. Segundo ele, João Vitor, que é dono de uma mecânica de motos, apenas deu uma carona a Ian, um cliente, sem saber que ele estava armado ou que havia uma dívida envolvida.
— Ele foi inserido em uma situação que não deu causa em momento nenhum — afirmou o defensor.
Durante o julgamento, Ian confirmou que João Vitor não sabia de suas intenções nem conhecia a vítima.
Perseguição e prisão
No dia 25 de março do ano passado, João Vitor levou Ian de moto até o Centro da cidade. Na avenida 1º de Junho, Ian atirou contra o carro onde estava Arley e mais duas pessoas. A perseguição se estendeu até a rua Goiás, onde o veículo bateu em uma parede de uma loja. Após o crime, João Vitor foi preso no mesmo dia, acusado de participação no homicídio. Ian, por sua vez, foi capturado 20 dias depois, em 15 de abril, durante uma operação da Polícia Militar no bairro Nossa Senhora das Graças, em Divinópolis.
Ambos os réus já cumpriam prisão preventiva. Com a absolvição de João Vitor, ele deve deixar o sistema prisional. Já Ian, considerado o autor do crime, foi condenado a 16 anos de prisão.
Repercussão
O caso gerou comoção e revolta na cidade, não apenas pela brutalidade do crime, mas também por ter ocorrido em uma das principais vias de Divinópolis, local frequentado por famílias, comerciantes e turistas. A violência em plena luz do dia levantou debates sobre a segurança pública na região e a necessidade de medidas mais eficazes para coibir crimes semelhantes.
A morte de Arley também trouxe à tona os riscos associados à prática de agiotagem, um problema que, embora muitas vezes invisível, pode ter consequências trágicas.
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