Inverno em Janeiro

BLOCO DE MODA - Wagner Penna
Embora seja divulgado como um preview, na prática o lançamento oficial da temporada de inverno 2026 (em pronta-entrega) para o atacado, em Belo Horizonte, já está ocorrendo neste mês de janeiro. O calendário comercial foi antecipado para atender às pressões do mercado e às particularidades do polo mineiro de moda. Cerca de 40 showrooms da capital já apresentaram suas coleções aos lojistas. As vendas seguem até o mês de abril.
Um dos principais fatores dessa antecipação é a data desfavorável do Carnaval, que acabou quebrando o mês comercial e reduzindo os dias úteis para compra. Isso afeta diretamente o ritmo de pedidos, o planejamento financeiro das lojas e a organização dos representantes. Outro ponto relevante é o curto prazo de vendas no varejo, pressionado pelo calendário de grandes eventos. A proximidade da Copa do Mundo tende a antecipar liquidações das coleções, alterando o ciclo normal de consumo.
O varejo, diante desse cenário, acelera a rotação de estoque para reduzir riscos de encalhe. Essa pressão retorna ao atacado, que precisa lançar, produzir e faturar em ciclos cada vez mais curtos. O desenvolvimento de produtos exige maior precisão nas apostas comerciais e nas leituras de tendência. Decisões equivocadas podem comprometer margens e gerar excesso de estoque.
Em um ano marcado por muitos feriados, a produtividade do comércio também sofre impacto direto. Menos dias úteis significam menor fluxo de compradores e menos oportunidades de venda.
VAIVÉM
* Na temporada anual de moda masculina para Outono-Inverno em Milão e Paris, neste mês de janeiro, alguns desfiles se destacaram pela força criativa e impacto comercial. Em Milão, a Zegna reafirmou sua liderança ao apresentar alfaiataria contemporânea, com foco em materiais nobres e conforto, e a Prada explorou volumes amplos e linguagem jovem. Em Paris, a Dior Homme trouxe experimentações de silhueta e novas proporções sob a direção criativa de Jonathan Anderson, enquanto a Louis Vuitton, com Pharrell Williams, apostou em elegância funcional e forte apelo de marca global. Já Issey Miyake Homme Plissé manteve o protagonismo da inovação têxtil e do design escultural. Esses cinco desfiles traduzem um equilíbrio entre tradição, inovação e leitura de mercado.
* O Carnaval vai chegando e os foliões se preparando. Para os marmanjos, o sucesso dos bodies com fio dental no Carnaval passado impulsiona o comércio online dedicado ao assunto. Esse modismo ganhou visibilidade nas redes sociais e nos blocos de rua - uma exposição que gerou curiosidade, debate e aumento da busca pelo produto em plataformas digitais. O comércio online rapidamente passou a promover o artigo em campanhas sazonais e ações de destaque. As cores mais desejadas são os tons neon, prata, dourado e branco, associados à estética festiva.
* PONTO FINAL: A moda Minas cresce e aparece. O número de Arranjos Produtivos Locais (APLs), ligados diretamente ao setor de moda, chega a 20 unidades, distribuídos em diferentes regiões do estado. Esses APLs envolvem confecções, fornecedores, serviços, capacitação e logística, fortalecendo a cadeia produtiva. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o APL de vestuário abrange aproximadamente 35 municípios, com forte concentração de pequenas e médias empresas. A atuação conjunta facilita acesso a inovação, crédito, qualificação profissional e novos mercados. Os APLs também estimulam a cooperação entre empresas, reduzindo custos e ampliando competitividade e geração de empregos.
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