Mercado têxtil

Wagner Penna
O setor têxtil brasileiro em 2025 consolidou uma trajetória de ligeira recuperação, com o volume de produção crescendo 3,1%. Este avanço manteve o ritmo positivo observado no primeiro semestre, quando a produção saltou 11,4%. Em comparação a 2024 — ano em que o faturamento atingiu R$ 215 bilhões (alta de 7% sobre 2023) —, 2025 mostrou uma indústria mais resiliente, embora ainda enfrente o desafio crítico das importações, que cresceram 17,7% no período.
O reflexo direto na confecção de roupas foi um cenário paradoxal: enquanto o consumo interno e o varejo cresceram cerca de 7,8%, a produção doméstica de vestuário avançou em um ritmo mais lento, de aproximadamente 1,8%. Isso ocorreu porque parte significativa da demanda por tecidos e peças acabadas está sendo suprida pelo mercado externo. Para a indústria nacional, esse cenário impulsiona a busca por eficiência produtiva e adoção de novas tecnologias, visando manter a competitividade contra os produtos importados.
VAIVÉM
A tradicional revista francesa de moda L'Officiel enfrenta uma fase conturbada após ser vendida para o grupo AMTD Digital, de Hong Kong, em meio a disputas com os antigos proprietários. O imbróglio jurídico envolve acusações de falta de pagamento e descumprimento de acordos contratuais durante a transição da marca para o comando asiático. Recentemente, em outubro de 2025, o grupo tentou expandir a L'Officiel Hommes na Ásia para consolidar sua presença global. Contudo, o impasse persiste com críticas à gestão, que prioriza a digitalização em detrimento da herança editorial impressa clássica.
Não é só o varejo fashion brasileiro que está sofrendo com a concorrência do comércio digital. O varejo de moda norte-americano também enfrenta uma crise profunda, com a Saks Fifth Avenue à beira da falência e a Macy's fechando centenas de lojas em 2025. Além das vendas on-line, o setor está abalado pelo endividamento massivo decorrente de fusões arriscadas, como a compra da Neiman Marcus pela Saks. A inflação persistente e a mudança nos hábitos de consumo agravam a situação. O resultado é um cenário de liquidez apertada e desabastecimento, já que fornecedores suspenderam o envio de mercadorias por falta de pagamento.
PONTO FINAL
As pop-ups (lojas físicas temporárias) da Shein no Brasil atraíram mais de 100 mil clientes nos últimos três anos, consolidando a marca como líder absoluta de audiência digital e física. O sucesso estrondoso dessas lojas ocorre por oferecerem uma experiência tátil a um público acostumado apenas ao ambiente virtual, gerando um senso de exclusividade e urgência. A estratégia de ingressos gratuitos, que se esgotam em minutos, também ajuda a criar um poderoso burburinho de marketing.
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