IPCA sobe 0,33% em janeiro e inicia 2026 dentro da meta

Jorge Guimarães
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) iniciou 2026 com alta de 0,33% em janeiro, mantendo-se dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central, que prevê fechar o ano em 3,95%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam um cenário de compensações importantes entre os grupos pesquisados, com destaque para a queda na conta de luz, devido a não cobrança adicional na conta, diferentemente dos meses anteriores, como novembro e dezembro, que ajudou a neutralizar a pressão provocada pelo aumento da gasolina, entre 2,06% e 2,14%.
Preços equilibrados
O resultado reforça a percepção de que, apesar de pressões pontuais, o comportamento dos preços segue relativamente equilibrado. Em janeiro, a energia elétrica residencial apresentou recuo, contribuindo de forma decisiva para conter o índice geral. Em contrapartida, os combustíveis voltaram a subir, pressionados principalmente pelo avanço da gasolina nas bombas.
Alimentação e bebidas
Outro dado relevante do relatório foi a desaceleração da inflação no grupo alimentação e bebidas, que registrou moderada alta de 0,23% no mês. O desempenho é considerado positivo, especialmente por se tratar de um dos grupos com maior peso no orçamento das famílias brasileiras, sobretudo as de renda mais baixa.
Para o economista Lázaro Ribeiro, o resultado de janeiro demonstra um início de ano “tecnicamente confortável”, mas que ainda exige cautela.
— A inflação de 0,33% está dentro da meta e mostra que o país começa o ano com certa estabilidade. O fator determinante foi a redução na conta de luz, que compensou a alta dos combustíveis. Sem esse alívio na energia elétrica, o índice poderia ter sido maior — analisa.
Segundo ele, a desaceleração do grupo alimentação e bebidas também é um sinal relevante.
— Quando a alimentação perde força, há um impacto direto na sensação de inflação da população. O consumidor sente muito quando o preço do arroz, do feijão, das carnes e dos itens básicos sobe. Uma variação de 0,23% indica um ritmo mais moderado, o que ajuda a preservar o poder de compra — explica.
Ribeiro pondera, entretanto, que o comportamento da gasolina merece atenção.
— Combustíveis têm efeito cascata. Eles impactam transporte, logística e, consequentemente, diversos outros produtos. Se houver continuidade nessa alta, poderemos ver reflexos nos próximos meses — alerta.
Consumidor
Nas ruas e nos supermercados, a percepção dos consumidores é de leve alívio, mas ainda marcada por cautela. A aposentada Maria Aparecida Silva afirma que sentiu diferença na conta de luz deste mês.
— Veio um pouco mais barata e isso já ajuda, porque tudo pesa no fim do mês. A gente fica contando moeda — comenta.
Para ela, os preços dos alimentos não dispararam como antes, mas ainda exigem planejamento.
Já o motorista de aplicativo Carlos Henrique Almeida destaca que a alta da gasolina impacta diretamente sua renda.
— Quando o combustível sobe, a gente sente na hora. Mesmo que a inflação geral esteja baixa, para quem depende do carro para trabalhar, qualquer centavo faz diferença — afirma.
Pesquisas
A auxiliar administrativa Fernanda Lopes observa que a ida ao supermercado continua exigindo pesquisa.
— Alguns produtos estão mais estáveis, principalmente hortifruti, mas ainda tem coisa que sobe sem aviso. Eu sempre comparo preços antes de fechar a compra — relata.
De acordo com Lázaro Ribeiro, essa percepção mista é comum em momentos de inflação moderada.
— O índice geral pode estar controlado, mas cada família sente de forma diferente, dependendo do seu padrão de consumo. Quem gasta mais com combustível, por exemplo, pode ter a sensação de inflação mais alta do que indica o IPCA. Mas a pesquisa ainda continua sendo a maior arma do consumidor — explica.
Decisões politicas
O economista ressalta que o cenário atual contribui para decisões de política monetária mais previsíveis.
— Com a inflação dentro da meta, o Banco Central ganha espaço para avaliar os próximos passos com mais tranquilidade. A estabilidade nos preços é fundamental para sustentar o crescimento econômico e manter a confiança dos investidores — afirma.
Ele acrescenta que a desaceleração da alimentação e bebidas pode ajudar a consolidar expectativas mais positivas ao longo do trimestre.
— Se os alimentos continuarem em trajetória moderada e não houver choques externos relevantes, podemos ter um primeiro semestre relativamente equilibrado do ponto de vista inflacionário — projeta.
Fatores extras
Apesar do resultado positivo, o economista alerta que fatores como variações cambiais, oscilações no preço do petróleo e questões climáticas ainda podem influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses.
Assim, o índice de 0,33% em janeiro sinaliza um início de ano dentro dos parâmetros esperados, sustentado por compensações entre os grupos pesquisados. A energia elétrica mais barata ajudou a conter o avanço da gasolina, enquanto a desaceleração dos alimentos trouxe certo alívio ao orçamento doméstico.
— O desafio agora será manter o equilíbrio diante das variáveis que seguem no radar da economia brasileira — conclui.
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