‘Lázaro de Ermida’ passou por pelo menos 12 cidades da região enquanto esteve foragido
PM revelou detalhes sobre caminho percorrido; Juares Marques foi localizado em Samonte após quase um ano de fuga

Juares Marques dos Santos, de 51 anos, conhecido como ‘Lázaro de Ermida’, foi preso pela Polícia Militar na manhã desta quinta-feira, 13, em Santo Antônio do Monte, após quase um ano foragido. A captura ocorreu depois de uma denúncia sobre a presença de um homem com características semelhantes às do procurado caminhando pela linha férrea.
A ação contou com atuação conjunta das polícias Militar e Civil, uso de drone e policiais à paisana. Juares não reagiu à abordagem e foi encaminhado à delegacia, ficando à disposição da Justiça.
Prisão
A localização ocorreu após mais uma denúncia recebida pelas forças de segurança. Segundo o major da Polícia Militar César Bittencourt, moradores de uma comunidade rural de Santo Antônio do Monte informaram, na noite anterior, ter visto pela linha férrea um indivíduo com características semelhantes às de Juares. Outras informações parecidas haviam sido recebidas durante os meses de buscas, mas não tinham sido confirmadas.
— Hoje por volta de 5 horas da manhã deslocamos uma equipe de policiais aqui de Divinópolis para Santo Antônio do Monte e, utilizando o drone, passamos a mapear essa linha férrea com uma extensão um pouco maior — relatou.
Durante o monitoramento, os policiais identificaram uma pessoa caminhando pelo trecho com características semelhantes às do foragido.
Para evitar uma possível fuga, policiais à paisana aguardaram a aproximação do homem, mantendo a aparência de trabalhadores rurais. Conforme Bittencourt, Juares chegou a cumprimentar os agentes antes de ser abordado.
— Quando ele passou pelos policiais, chegando até a cumprimentá-los, foi preso, abordado e preso sem chance nenhuma de esboçar nenhuma reação — afirmou.
Depois da captura, ele foi levado para a delegacia e apresentado às autoridades.
Deslocamento por cidades
A linha férrea foi utilizada por Juares como uma das formas de orientação e deslocamento durante o período em que permaneceu escondido. Segundo o major, o homem passou por diversas cidades e teria utilizado a ferrovia para circular por áreas rurais e regiões de mata densa. Na coletiva da Polícia Civil, foi informado que ele passou por pelo menos 12 municípios durante a fuga.
— Ele utilizava da linha férrea para se orientar, porque é uma região de mata densa, fechada, então ele tinha a linha férrea como um ponto de orientação e também utilizava da composição ferroviária para fazer esses deslocamentos — explicou.
Em várias ocasiões, as equipes chegavam aos locais indicados pelas denúncias e Juares já havia deixado a área. O major afirmou que o homem tinha experiência em mata e era conhecido como “mateiro”, conseguindo passar dias na vegetação. Segundo a PM, ele também contava com uma rede de apoio de familiares e amigos em Ermida, que lhe forneciam alimentos.
— Ele tinha uma rede de apoio que estava fornecendo para ele os alimentos. Familiares e amigos, tudo ali de Ermida — afirmou.
A participação dos moradores foi destacada por Bittencourt. Enquanto algumas pessoas poderiam estar auxiliando o foragido, muitos moradores repassaram informações às forças de segurança.
Rede de apoio
A possível participação de terceiros será investigada pela Polícia Civil. Segundo o major, o telefone celular apreendido com Juares poderá ajudar a identificar pessoas que tenham contribuído para que ele permanecesse escondido.
O delegado da Polícia Civil Vivalde Levilesse afirmou que existem suspeitas de que pessoas próximas tenham dado apoio ao foragido. Caso sejam identificadas, elas poderão responder por favorecimento pessoal. A investigação deverá analisar o aparelho e as circunstâncias em que Juares recebeu eventual auxílio durante a fuga.
— Essas pessoas que contribuíram com ele também serão indiciadas e responderão pelo crime de favorecimento pessoal — disse o delegado.
Juares possuia quatro mandados de prisão em aberto e, segundo a Polícia Civil, um histórico policial com registros por homicídio e feminicídio, roubos, furtos, lesão corporal, importunação sexual e apropriação indébita.
Relembre o caso
A prisão de Juares ocorreu quase um ano após a agressão que levou à morte de Lucélia Batista Silva, de 39 anos, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis. O crime aconteceu em 15 de agosto de 2025. A vítima foi atingida na cabeça com um banco de madeira e sofreu um grave traumatismo cranioencefálico.
Equipes do Samu encontraram Lucélia inconsciente e a encaminharam em estado gravíssimo ao Complexo de Saúde São João de Deus. Ela permaneceu internada por quase um mês, mas morreu em 9 de setembro de 2025 em decorrência dos ferimentos.
A Polícia Civil concluiu o inquérito no fim de setembro de 2025 e indiciou Juares por feminicídio consumado. A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que permaneceu foragido desde a agressão.
A investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher apontou que o relacionamento do casal era marcado por aproximadamente 15 anos de violência doméstica. Segundo os relatos reunidos no inquérito, Lucélia e as três filhas do casal, que tinham 13, 11 e 8 anos na época, sofriam agressões.
De acordo com o delegado Vivalde Levilesse, a relação era conturbada e Juares impedia que Lucélia trabalhasse, usasse o telefone e mantivesse contato com familiares. No dia do feminicídio, ele havia agredido a vítima. A filha, ao chegar em casa, encontrou a mãe lesionada e, a pedido dela, procurou ajuda.
Quando a adolescente de 13 anos retornou para casa, encontrou a mãe morta. A investigação apontou que Lucélia foi atingida por diversos golpes desferidos com um banco de madeira. Segundo o delegado, a força das agressões foi tamanha que o banco chegou a quebrar.
— Ela pediu para que a menina procurasse ajuda, um adolescente de 13 anos. E quando ela retornou para casa, ela se deparou com a mãe morta. O banco chegou a quebrar tão forte que foram os golpes — relatou.
Fuga e buscas
Após a agressão, Juares fugiu e passou a ser procurado pelas forças de segurança. Ao longo dos meses, diversas denúncias indicaram possíveis aparições do foragido e invasões em áreas rurais de Divinópolis e da região. As informações foram verificadas pelas equipes, mas ele permaneceu fora do alcance das autoridades até esta quinta-feira.
Moradores das comunidades do Choro, dos Lopes e de outras localidades rurais relataram furtos em propriedades, invasões de residências, danos materiais e possíveis presenças do suspeito em áreas de mata. Também foram encontrados barracos improvisados em regiões de vegetação e levantadas suspeitas de que o homem poderia estar recebendo apoio para permanecer escondido.
A Polícia Civil também investiga uma denúncia de importunação sexual realizada contra ele no dia 16 de julho. Segundo a ocorrência, uma mulher de 24 anos denunciou ter sido vítima do crime pelo Juares Marques enquanto aguardava o ônibus escolar na comunidade da Jararaca. Ela conseguiu escapar e acionar a Polícia.
Com a prisão em Santo Antônio do Monte, Juares será submetido aos procedimentos legais relacionados aos crimes pelos quais é investigado. A Polícia Civil continuará apurando a possível participação de pessoas que tenham oferecido apoio durante a fuga, além das investigações já existentes por roubo, importunação sexual e furtos.
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