Lula volta a Divinópolis 16 anos depois para entregar a obra mais esperada da região

Gisele Souto
A data era 20 de outubro de 2006. O motivo da visita, campanha eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais. Faltavam apenas nove dias para a votação. Lula chegava a Divinópolis — penúltima vez — acompanhado do então vice da sua chapa, José de Alencar — morreu em 30 de março de 2011 — para uma carreata. Ainda no aeroporto, foi recebido pelo então prefeito, Demetrius Pereira, políticos, como Fernando Pimentel e Jaime Martins, à época, deputado federal, ministros e dezenas de prefeitos. Ainda no aeroporto Brigadeiro Cabral, o petista foi recebido por uma multidão, parou para dar atenção e teve até dificuldade para chegar ao carro que traria o grupo à região central da cidade. Devido à quantidade de veículos e a lentidão no trânsito, o percurso foi mais demorado do que o esperado. A recepção foi na conhecida "Savassinha", próximo à agência dos Correios, onde foi montado um palanque e uma multidão aguardava a comitiva.
Entre discursos e promessas, uma marcaria para sempre a história de Divinópolis. A aquisição de uma universidade federal. No momento de sua fala, Demetrius Pereira, fez o pedido, ao então candidato Lula, que no seu momento de discurso, disse o seguinte: "Pode comprar o terreno, que te dou a universidade". Manchete do Jornal Agora, no dia seguinte, 21 de outubro.
Lula foi reeleito, e a promessa começou a ser cumprida. Quatro anos depois, em 2010, ele voltava a Divinópolis, como presidente, para a inauguração oficial da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) — já em funcionamento desde 2008 — já na gestão do então prefeito, Vladimir Azevedo. A instituição de ensino ganhou o nome de Dona Lindu, em homenagem a sua mãe.
Se tornou realidade
A promessa, então, começou a virar realidade. A UFSJ iniciou suas atividades em 2008, no contexto da expansão e interiorização das universidades federais brasileiras. De lá para cá, passou a ser referência na região e em Minas Gerais. Abriga estudantes de várias regiões do país e até do exterior. Muitos profissionais que passaram pela instituição estão consolidados no mercado com suas profissões. E não é pouca gente.
Com base na oferta anual aproximada de vagas dos cursos de graduação, e considerando estimativas de conclusão de 100% para Medicina, 80% para Enfermagem, 70% para Farmácia e 60% para Bioquímica, projeta-se que, desde sua inauguração há 18 anos, até o final do ano passado, o campus tenha formado aproximadamente 4.570 profissionais. Desse total estimado, cerca de 1.080 são médicos, 1.152 enfermeiros, 1.260 farmacêuticos e 1.080 bioquímicos. Os números, conforme a sua direção, evidenciam a relevante contribuição do campus para a formação de recursos humanos qualificados e para o fortalecimento da assistência, do ensino e da pesquisa na área da saúde em Minas e no Brasil.
Atualmente, considerando a oferta regular de vagas e a duração dos cursos, estima-se que a instituição mantenha aproximadamente 1.660 estudantes em formação simultaneamente. Desse total, cerca de 400 alunos estão matriculados em Bioquímica, 400 em Enfermagem, 500 em Farmácia e 360 em Medicina. Estatística que reflete a expressiva capacidade de formação de profissionais para a área da saúde, que a partir de agora terão um local de extrema relevância para colocar em prática o que aprenderam: o Hospital Universitário, que já está funcionando.
O hospital
Finalmente aberto e funcionando, após 16 anos do lançamento da sua pedra fundamental, em 2010, o Hospital Regional como é conhecido, agora HU, começou a receber pacientes desde esta terça-feira, 16. E é para entregar a obra mais aguardada da macrorregião da Saúde, no Centro-Oeste de Minas, que o presidente Lula desembarca na cidade nesta sexta-feira, 19. Até o fechamento desta reportagem, por volta das 11h de ontem, não havia confirmação oficial por parte do cerimonial da Presidência sobre o horário da chegada do chefe do Executivo nacional à cidade e ao hospital, mas a princípio está agendado para as 12h30.
A quatro mãos
O pleno funcionamento da unidade de saúde, só será possível com o governo federal, com a gestão, por meio da UFSJ, e principalmente, a manutenção. No entanto, é preciso ressaltar, que antes disso, houve a participação de peças e pessoas fundamentais, que sem elas, não se chegaria neste estágio, mesmo que demorado. O governo de Minas, que construiu o prédio e até inaugurou, o ex-prefeito Vladimir Azevedo que comprou o terreno, quando tudo começou, com ajuda importante do deputado Domingos Sávio. Mas, teve muito mais colaborações, como da gestão Gleidson Azevedo que fez inúmeras cobranças, junto aos seus irmãos, Eduardo Azevedo e Cleitinho, da deputada Lohanna França, autora do projeto que transferiu o terreno ao Estado, de Gleide Andrade, elo articulação entre os prefeitos e Brasília, e de alguns vereadores, como Rodyson do Zé Milton, sempre atento a necessidade de melhorias de acesso ao hospital, e Vitor Costa, presente nas agendas na capital federal. O resultado da união de forças foi a conquista crucial para a população, em especial a que depende da saúde pública, na maioria das vezes desassistida.
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