Junho Violeta: Divinópolis registra quase 1.400 violações contra idosos em 2026

Jonny Reisle
A campanha Junho Violeta chama a atenção para um problema que, muitas vezes, permanece invisível dentro das próprias famílias: a violência contra a pessoa idosa. Em Divinópolis, os números reforçam a necessidade de conscientização e de fortalecimento das redes de proteção. Dados do Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que o município já contabilizou 1.397 violações de direitos contra idosos apenas nos primeiros meses de 2026.
As violações englobam qualquer situação que atente contra os direitos humanos da vítima, incluindo maus-tratos, negligência, abandono, violência psicológica, violência patrimonial, exploração financeira e outras formas de agressão. Apesar da expressiva quantidade de ocorrências registradas, apenas 217 denúncias foram formalizadas no período, evidenciando uma diferença significativa entre os casos identificados e aqueles que chegam oficialmente aos órgãos responsáveis.
Aumento de casos
Os números também apontam crescimento em relação ao ano passado. Entre janeiro e junho de 2025, Divinópolis registrou 1.059 violações de direitos contra pessoas idosas. O aumento observado neste ano acompanha uma tendência percebida em todo o país, onde os registros de violência contra essa parcela da população seguem em alta.
Em Minas Gerais, já foram contabilizadas 67.834 violações contra idosos em 2026. Ao longo de todo o ano de 2025, o estado registrou 132.639 casos. Em âmbito nacional, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que mais de 1,6 milhão de denúncias de violência contra idosos foram registradas pelo Disque 100 entre janeiro de 2024 e abril de 2026. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, quase 250 mil denúncias foram contabilizadas, representando aumento de aproximadamente 19% em comparação ao mesmo período de 2025.
Motivação por trás do ato
Embora os números sejam elevados, especialistas e órgãos de proteção alertam que a realidade pode ser ainda mais preocupante. Isso porque muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades. O medo de represálias, a dependência financeira ou emocional em relação ao agressor e a dificuldade de acesso aos canais de denúncia estão entre os fatores que contribuem para a subnotificação.
Comentando sobre o assunto, a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Luana Ersinzon destacou que ocorrências muitas vezes são negligenciadas.
— Muitas vezes, a violência se manifesta de forma silenciosa, por meio da negligência, do controle da vida financeira ou da restrição da autonomia do idoso. Por isso, é fundamental que familiares, vizinhos e profissionais estejam atentos aos sinais e compreendam que a proteção da pessoa idosa é uma responsabilidade de toda a sociedade — comentou.
Conscientização
A campanha Junho Violeta tem justamente o objetivo de ampliar o debate sobre o envelhecimento com dignidade e estimular a sociedade a identificar situações de violência. Neste ano, o tema nacional é “a liberdade não tem prazo de validade”, destacando a importância de garantir autonomia, respeito e qualidade de vida às pessoas idosas.
Além de conscientizar a população, a mobilização busca incentivar familiares, vizinhos, profissionais da saúde e toda a comunidade a observarem sinais de possíveis abusos e a denunciarem situações de risco. Entre os tipos de violência mais recorrentes estão a negligência, os abusos psicológicos, a violência física e a exploração financeira, frequentemente praticados por pessoas próximas à vítima.
Iniciativa essencial
Ao longo do mês, diversas ações educativas, campanhas informativas e atividades de sensibilização são promovidas em todo o país para ampliar o conhecimento sobre os direitos da pessoa idosa e fortalecer os mecanismos de proteção. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para reduzir a subnotificação e encorajem vítimas e testemunhas a procurarem ajuda.
Denuncie!
Casos de violência podem ser denunciados por meio do Disque 100, que funciona 24 horas por dia e aceita denúncias anônimas. Também é possível procurar a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Ministério Público e os serviços da rede de assistência social. A denúncia é considerada uma ferramenta essencial para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
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