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Mais de cinco mulheres sofrem violência doméstica diariamente em Divinópolis

Dados de 2026 evidenciam a dimensão do problema, enquanto dois feminicídios em Minas Gerais reacendem o debate sobre prevenção e proteção

Por Jonny Reisle · Redação· 4 min de leitura
Mais de cinco mulheres sofrem violência doméstica diariamente em Divinópolis

Entre janeiro e setembro de 2026, Divinópolis registrou 1.516 ocorrências de violência doméstica, uma média superior a cinco casos por dia. Os números revelam a dimensão do problema no município e reforçam o alerta para situações que, nos casos mais extremos, podem terminar em feminicídio. Em Minas Gerais, foram contabilizados 105 feminicídios consumados no ano. Em Divinópolis, houve um caso consumado em março e uma tentativa em setembro.

Brutalidade

A gravidade desse cenário voltou a chamar a atenção nesta semana, após dois feminicídios registrados na segunda-feira, 19, em Minas Gerais. Em Carmo da Mata, Rafaela Gonçalves Vaz dos Santos foi morta a golpes de arma branca dentro de casa, na presença dos três filhos. Em Funilândia, na região de Sete Lagoas, Gersica de Souza Vieira, de 31 anos, foi morta a tiros pelo companheiro. Os episódios reacendem o debate sobre prevenção, denúncias e efetividade dos mecanismos de proteção às mulheres.

Para a advogada Telma Rodrigues, o enfrentamento à violência doméstica exige ações que ultrapassem o registro das ocorrências e a concessão de medidas judiciais. Segundo ela, a proteção precisa ser efetiva, com avaliação contínua dos riscos, fiscalização e respostas rápidas diante de ameaças.

— As medidas protetivas precisam sair do papel e se transformar em proteção efetiva. É necessário avaliar continuamente o risco, fiscalizar seu cumprimento, ampliar o monitoramento eletrônico quando indicado e garantir respostas rápidas diante de ameaças e descumprimentos — afirma.

Telma defende, particularmente, o fortalecimento do monitoramento eletrônico como ferramenta para prevenir novos episódios de violência. 

— Pouco adianta ‘apenas’ conceder a medida: é preciso garantir que ela proteja a vida da mulher. Eu, particularmente, aposto no rigor e ampliação do monitoramento eletrônico — ressalta.

Denúncias

A identificação dos sinais de violência e a denúncia são outros pontos considerados fundamentais pela advogada. Segundo ela, comunicar as autoridades permite registrar o histórico de agressões, avaliar os riscos e mobilizar a rede de proteção antes que a situação se agrave. Familiares, amigos, vizinhos e profissionais que tenham conhecimento de episódios de violência também podem contribuir para interromper esse ciclo.

— Precisamos parar de temer a denúncia anônima (180), insistindo nos velhos moldes de ‘em briga de marido e mulher, não se mete a colher’, e relatar todo o tipo de violência identificada. A violência doméstica não é um problema privado, e a omissão pode custar vidas. Inclusive na sua família — alerta.

Saída dificultada

A advogada também chama a atenção para as dificuldades enfrentadas por mulheres que tentam deixar relacionamentos abusivos. Medo, ameaças e dependência financeira podem dificultar o rompimento, mesmo quando as agressões são recorrentes. Por isso, ela defende acolhimento e suporte para que a saída aconteça com segurança.

— Romper esse ciclo exige acolhimento, apoio psicológico, orientação jurídica, segurança e condições financeiras para recomeçar. Por isso, não devemos perguntar por que ela não foi embora, mas como podemos ajudá-la a sair com segurança — reforça. 

A confiança para relatar a violência e buscar ajuda também é essencial. 

— A rede de apoio é tão fundamental quanto essa vítima confiar esse sofrimento a alguém, pedir ajuda, buscar socorro enquanto há tempo. Porque os sinais estão presentes desde o início — explica. 

Dois crimes em um dia

Em Funilândia, Gersica de Souza Vieira já era acompanhada pela Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, e o companheiro, João Paulo Magela Teixeira, de 28 anos, tinha registros anteriores de agressões contra ela. Após matar a vítima a tiros, ele teria disparado contra policiais que chegaram à propriedade e morreu no confronto. Armas e celulares foram apreendidos para auxiliar nas investigações.

Em Carmo da Mata, Rafaela Gonçalves Vaz dos Santos foi morta a golpes de arma branca na manhã de segunda-feira, no Residencial Belo Horizonte. O principal suspeito é o ex-companheiro, Ualace Oliveira, que era procurado pelas autoridades. Os três filhos estavam na residência durante o ataque, e uma das crianças teria presenciado as agressões e tentado proteger a mãe. Até a última atualização, não havia confirmação da localização do suspeito.

Mulheres em situação de violência ou testemunhas podem buscar orientação e denunciar pelo Disque 180, inclusive anonimamente. Em emergências, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190. A denúncia de ameaças e agressões pode ajudar a mobilizar a rede de proteção e evitar novos crimes.


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