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Mercado reage às novas medidas impostas pelos EUA ao aço e alumínio

Mercado reage às novas medidas impostas pelos EUA ao aço e alumínio

Da Redação 

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de dobrar de 25% para 50% a tarifa sobre as importações de aço e alumínio é mais do que uma medida de proteção à indústria americana, é um duro golpe na competitividade dos produtores estrangeiros, especialmente os brasileiros. E Minas Gerais, maior polo siderúrgico do país, sente esse impacto de forma imediata.

Produção

Com 9,346 milhões de toneladas de aço bruto produzidas em 2024, o estado lidera a produção nacional e depende fortemente das exportações para manter o ritmo das operações e dos empregos no setor. 

— A imposição de novas barreiras ao mercado americano, um dos principais destinos do aço brasileiro, ameaça a sustentabilidade de diversas plantas industriais mineiras, além de pressionar os custos e a rentabilidade das empresas — avalia o economista Lazaro ribeiro. 

Protesto

Mais do que nunca, o setor precisa de articulação entre iniciativa privada, governos e entidades de classe para transformar um cenário adverso em oportunidade de adaptação e reposicionamento no comércio internacional. E seguindo esta estratégia, antes mesmo de saber sobre as novas taxações, pelo menos 18 siderúrgicas de Sete Lagoas e região paralisaram suas atividades por 12 horas na última terça-feira,3. Realizando um movimento de alerta sobre as condições do mercado do aço no Brasil, que, segundo os empresários, é prejudicado pela facilidade de entrada de produtos importados no país e falta de incentivos públicos.

Paralisação 

A paralisação ocorreu entre às 6h e 18h e, durante o período, deixaram de ser produzidas aproximadamente 2.500 toneladas de ferro gusa, matéria-prima para a produção de aço. Sendo que o movimento ocorre em um momento de excesso de oferta de produção no mercado interno. Desde 2022, o aumento da entrada de aço importado no Brasil, especialmente o chinês, que recebe subsídios do governo asiático, pressiona a siderurgia nacional. Com preços mais baixos, ele derruba os valores do mercado brasileiro, por isso tem sido apontado como um dos principais vilões da siderurgia no país.

Desafio

O aumento da tributação afeta diretamente as empresas brasileiras, do setor siderúrgico, que exportam para o mercado norte-americano. Segundo Lazaro, a elevação da tarifa representa um desafio significativo.

— Uma vez que há esse aumento, isso incide diretamente sobre o custo e, consequentemente, no preço final dos produtos exportados para os EUA. Entre os itens afetados, os produtos relacionados ao aço e ao alumínio certamente sentirão mais alto o impacto — argumenta Ribeiro.

Com a nova tributação, as empresas brasileiras podem perder competitividade em relação a fornecedores de outros países que não enfrentam essa mesma barreira tarifária, principalmente do Reino Unido, que já tem acordo uni bilateral firmado em abril último.

— O setor metalúrgico, que já lida com oscilações cambiais e custos logísticos elevados, precisará buscar alternativas para minimizar os impactos e possíveis prejuízos— destaca o economista.

Aço Brasil 

Em nota, a entidade representativa das empresas brasileiras produtoras de aço, o Instituto Aço Brasil também se manifestou sobre o novo anúncio nos EUA. 

 De acordo com o Aço Brasil, o aumento da taxa a todos os países, exceto o Reino Unido, agrava as condições de um setor que, atualmente, conta com um excedente de 620 milhões de toneladas de matéria-prima.

A entidade pede uma atuação do governo federal para restabelecer o acordo bilateral entre EUA e Brasil, vigente desde 2018. A parceria permitia a exportação do aço brasileiro à indústria norte-americana em um sistema de cotas, sem cobranças adicionais. 

— O não reestabelecimento do acordo será prejudicial a ambos os países, razão pela qual o Aço Brasil mantém sua confiança na continuidade do diálogo entre os dois governos, de forma a retomar o fluxo de produtos de aço para os Estados Unidos — frisa.

Fiemg

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) recebeu com preocupação a nova decisão do governo dos Estados Unidos. A medida impacta diretamente a competitividade da indústria brasileira e mineira, comprometendo empregos e investimentos no setor.

A entidade defende que o Brasil, por sua parceria estratégica e histórico de cooperação com os Estados Unidos, deve ser tratado de forma diferenciada nesse processo, sendo importante que prevaleça o diálogo e o bom senso.

Negociações 

Segundo o presidente do órgão em Minas, Flávio Roscoe, é fundamental que os governos do Brasil e dos Estados Unidos cheguem, com urgência, a uma solução negociada que assegure condições equitativas para o comércio bilateral e proteja os interesses da indústria brasileira.

Para o líder empresarial, as tarifas têm efeito direto nas exportações brasileiras e, com essa segunda rodada de elevação, pode afetar boa parte do parque siderúrgico. 

— Neste momento, já temos uma invasão dos produtos chineses, também em função da guerra comercial. A decisão impacta diretamente a competitividade brasileira e pede bom senso. Sem acordo, haverá problemas graves para o setor siderúrgico. Mas acredito que, se a gente negociar alíquotas diferenciadas para o Brasil, ao invés de perder espaço para o mercado americano, iremos ganhar espaço — afirma Roscoe, reforçando que, por isso, é importante que haja uma negociação entre o governo americano e o brasileiro.

Cautela

Já o empresariado divinopolitano do setor, recebeu com surpresa a decisão do governo dos Estados Unidos.

O diretor industrial, Ronan Eustáquio da Silva Junior, disse que no primeiro mandato dele, aconteceu a mesma coisa, mas depois em negociações com o governo brasileiro, tudo mudou. Na ocasião, segundo ele, os governos negociaram o estabelecimento de cotas de exportação para o mercado norte-americano de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados/placas e 687 mil toneladas de laminados. 

— Tal medida flexibilizou decisão anterior de Trump que havia estabelecido alíquota de importação de aço para 25%. E no momento, o melhor a fazer é torcer para que ambos, os governos, entrem em uma nova negociação, como a anterior, o que eu acho bastante provável – opinou.

O empresário, que é também o presidente do Sindicato das Indústrias Siderúrgicas do Oeste Minas (Sindigusa), revelou que, no momento, tudo está dentro da normalidade no setor e a cautela é a palavra de ordem. 

— Primeiramente é que, metade da produção do gusa dos Estados do Unidos, somos nós que fornecemos. Quanto ao aço e ao alumínio, vamos aguardar as negociações vindouras — finalizou.

Empregos

O aço é o principal item da pauta de exportação do município, mas enfrenta uma ameaça à sua competitividade no mercado externo, o que pode comprometer os empregos no setor.

— E Divinópolis também vai ser afetada, uma vez que o principal item na pauta de exportação é o aço, e isso é realmente uma ameaça à competitividade do preço do aço dentro do mercado internacional, o que faz com que possa afetar o desempenho das exportações e, como consequência, podemos enfrentar uma possível ameaça aos empregos internamente — ressalta Lazaro.

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