Carregando clima…
Notícias

Acordo define reparação de danos por deslizamento de rejeitos em Mina 

Acordo define reparação de danos por deslizamento de rejeitos em Mina 

Da Redação

Os danos causados pelo deslizamento da pilha de rejeitos Satinoco, ligada à Mina Turmalina, em Conceição do Pará, no ano passado, resultou em um acordo entre o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a mineradora Jaguar Mining. O termo prevê cerca de R$ 42 milhões em medidas de reparação, que incluem a recuperação ambiental da área atingida, a garantia de estabilidade das estruturas e o apoio social às famílias impactadas.

Entre as obrigações do acordo está a elaboração de um Plano de Ação de Emergência para a pilha Satinoco em até 90 dias. Nesse mesmo prazo, a empresa deve apresentar um laudo técnico que comprove se a estrutura é ou não suscetível à liquefação.

A medida busca garantir maior segurança às populações do entorno e estabelecer parâmetros técnicos claros para a recuperação da área afetada.

Relembre o caso

O caso aconteceu no dia 7 de dezembro de 2024, quando trabalhadores e 67 moradores de 17 casas foram evacuados após uma anomalia ser constatada em uma pilha de rejeitos da Mina Turmalina, localizada no povoado de Casquilho, em Conceição do Pará.

O deslizamento de rejeitos e a movimentação de terra atingiram um imóvel e parte de um posto de combustíveis, mas não houve registro de feridos. Em nota, a Jaguar Mining informou que a ocorrência foi identificada durante inspeção de rotina, e que os órgãos fiscalizadores e regulatórios foram comunicados. A empresa destacou ainda que prestou suporte aos moradores da comunidade local, sem detalhar a natureza da anomalia.

A Mina Turmalina abriga uma unidade subterrânea de extração de ouro e uma usina de processamento.

Impactos 

O colapso da pilha ocorreu em 7 de dezembro de 2024 e afetou diretamente dezenas de famílias do povoado de Casquilho de Cima, que precisaram deixar suas casas. O retorno dessas pessoas só será autorizado após a conclusão de estudos técnicos que indiquem as áreas seguras para reocupação.

Entre os levantamentos obrigatórios está um estudo de ruptura hipotética (stack break), que deve delimitar a zona de risco e definir um perímetro de segurança. O parecer final será emitido por uma auditoria independente, com acompanhamento da Defesa Civil Estadual.

Fiscalização

Para assegurar a confiabilidade dos processos, o acordo estabelece a contratação de uma Auditoria Técnica Independente (ATI), ao custo de R$ 1,98 milhão. Embora financiada pela Jaguar Mining, a equipe será escolhida pelo MPF e MPMG a partir de uma lista com três instituições indicadas pela empresa.

A função da ATI será fiscalizar e avaliar todos os planos de estabilização e de recuperação ambiental apresentados pela mineradora. Relatórios periódicos e recomendações técnicas deverão ser produzidos para acompanhar a execução das medidas.

O MPF e o MPMG também terão atuação conjunta no acompanhamento das obrigações assumidas pela Jaguar Mining. O acompanhamento visa assegurar que todos os prazos sejam respeitados e que os compromissos estabelecidos tenham execução integral.

Recuperação ambiental

A mineradora se comprometeu a apresentar e executar um Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD). Também terá de realizar estudos para identificar se houve contaminação do solo e da água.

Além das obrigações técnicas, foi determinado o pagamento de R$ 30 milhões referentes a danos ambientais. Desse montante, R$ 10 milhões serão destinados a projetos socioambientais indicados pelo MPF e R$ 20 milhões a projetos escolhidos pelo MP, com prioridade para a região impactada.

No campo social, o acordo prevê medidas emergenciais e o pagamento de R$ 10 milhões adicionais em compensação pelos danos individuais homogêneos sofridos pelas famílias atingidas. A definição de como esse valor será distribuído ficará a cargo da própria comunidade, com apoio do MPMG e da ATI.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…