ICMS sobre combustíveis e gás fica mais caro em janeiro

Jorge Guimarães
O ano nem chegou ao fim e o brasileiro já se vê diante da confirmação de novos aumentos para o início de 2026. Além das tradicionais despesas de começo de ano, como o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), e das compras relacionadas ao período escolar, que envolvem materiais e matrículas, o consumidor terá mais um desafio no orçamento: o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidirá diretamente sobre itens essenciais, como gasolina, diesel e gás de cozinha, pressionando ainda mais o custo de vida.
Aumento
O reajuste, sobre os combustíveis, foi autorizado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, nesta segunda-feira, dia 8, quando foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e representa o segundo aumento em menos de um ano, já que em fevereiro o tributo também passou por correções.
De acordo com a medida, o ICMS incidente sobre a gasolina terá uma alta de R$ 0,10 por litro, passando a ser fixado em R$ 1,57, nas refinarias. O mesmo valor será aplicado ao etanol anidro, utilizado na composição da gasolina vendida nos postos. Para o diesel, o reajuste será de R$ 0,05 por litro, elevando a cobrança para R$ 1,17. Já para o gás de cozinha, o tributo que incide sobre o valor final terá um aumento de R$ 1,05.
Decisão
Vale destacar que a decisão do reajuste não tem relação com a política de preços da Petrobras. O aumento do ICMS foi definido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne representantes dos governos estaduais e do governo federal, sendo responsável por estabelecer regras e alíquotas referentes ao tributo.
Desta forma, a medida trata exclusivamente da arrecadação tributária e não de estratégias comerciais ou de produção da estatal. Enquanto a Petrobras define seus preços de acordo com critérios de mercado e de custos operacionais, o Confaz atua na esfera fiscal, com foco na divisão e regulamentação das receitas obtidas pelos estados.
Impacto
Esses produtos impactam não apenas os gastos diretos das famílias, mas também toda a cadeia de consumo, já que o transporte e a logística se tornam mais caros, refletindo em diversos outros setores da economia.
— Com isso, o início de 2026 tende a ser marcado por um aperto no bolso da população, que precisará redobrar a atenção no planejamento financeiro para enfrentar esse conjunto de despesas. A expectativa é de que consumidores e empresários sintam os efeitos de forma significativa, reforçando a importância de organização e cautela no consumo — avalia o economista Lazaro Ribeiro.
Divinópolis
Em ritmo de espera e atentos a possíveis novos aumentos até o fim do ano, os consumidores não demonstraram grande preocupação em relação ao preço da gasolina e do diesel no último mês. Segundo pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 14 pontos de venda na cidade, o valor médio da gasolina permaneceu estável em R$ 5,86, variando entre R$ 5,59, no posto mais barato, e R$ 6,19 no mais caro.
No caso do diesel, o cenário foi um pouco mais favorável: houve uma redução de 2% nos preços, que caíram de R$ 5,94 para R$ 5,81. Já o gás de cozinha manteve a mesma média de R$ 96,49, apresentando valores que vão de R$ 84,99 a R$ 115, dependendo da forma de aquisição, se o botijão é retirado diretamente no depósito ou entregue em domicílio.
— A estabilidade registrada, mesmo diante de um ambiente de incertezas no mercado de combustíveis, contribuiu para que o consumidor mantivesse uma postura de cautela, mas sem grandes sobressaltos neste período — pontuou Ribeiro.
Efeito cascata
Para o economista Lázaro Ribeiro, a estabilidade momentânea nos preços de combustíveis e gás de cozinha traz algum alívio, mas não elimina a apreensão quanto a futuros reajustes. Ele destaca que, historicamente, qualquer elevação nesses itens essenciais gera um efeito em cascata na economia.
— Os combustíveis impactam diretamente nos custos de transporte e de fretes, o que rapidamente se reflete nos preços dos alimentos, nas passagens e em diversos serviços do dia a dia. Isso acaba pressionando a renda das famílias e reduzindo o poder de compra do consumidor — analisa.
Ribeiro ressalta ainda que o impacto não se restringe apenas ao bolso do consumidor final, mas alcança toda a estrutura produtiva do país.
— Trata-se de um efeito dominó: o aumento no combustível eleva custos logísticos, que por sua vez afetam o preço dos produtos nas prateleiras. É uma reação em cadeia que mexe com setores estratégicos e compromete a previsibilidade da economia — conclui.
Concorrência
O economista ressalta ainda que esse aumento será inevitável, mas a dimensão do impacto no valor médio das bombas ainda não pode ser mensurada com precisão.
— O que veremos na prática vai depender muito da concorrência entre os postos, já que em algumas localidades a disputa tende a segurar parte do repasse ao consumidor — explica o economista.
Ribeiro acrescenta ainda que outros fatores também influenciam diretamente na formação do preço final, como a logística de distribuição, a carga tributária incidente e até mesmo os custos operacionais de cada revendedor.
— É um conjunto de variáveis que precisa ser considerado, pois o valor que chega às bombas é resultado de toda essa engrenagem, e não apenas de um único reajuste — finaliza.
Leia também
Projeto cria selo para premiar boas práticas municipais
Divinópolis tem semana com dias mais quentes
Lohanna protocola denúncias após falas contra pessoas em situação de rua
Setembro registra nova onda de violência em Divinópolis
Sindicatos protestam na ALMG contra avanço da privatização da Copasa: “Vamos resistir até o fim”
Acordo define reparação de danos por deslizamento de rejeitos em Mina
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em setembro de 2025
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…






