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Motoristas rejeitam proposta e greve deve ser decretada 

Motoristas rejeitam proposta e greve deve ser decretada 

Oferta de reajuste do consórcio foi de 4%; paralisação acontece depois do Carnaval

Lucas Maciel

A situação do transporte público de Divinópolis tem gerado preocupações crescentes desde dezembro do ano passado, quando o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Divinópolis (Sinttrodiv) enviou a pauta de reivindicações esperada pela categoria ao Consórcio Transoeste. 

Contudo, foi com a aproximação da data-base, prevista para 1º de março —mas foi expandida graças a esse impasse — que a situação começou a ganhar maior relevância e, com isso, alertar a população sobre a possível crise no setor. 

Conforme divulgado pelo Agora, houve mais uma rodada de negociações entre o sindicato e o Consórcio TransOeste na última segunda-feira, 24. A proposta apresentada pela empresa foi de um reajuste salarial de 4%, mas a oferta foi considerada insatisfatória para o sindicato, que entende que esse valor está bem abaixo do esperado e distante das necessidades reais da categoria.

A expectativa então recaiu sobre a assembleia, que aconteceu nesta quarta-feira, 26, e já indicou o caminho para uma paralisação da categoria.

Assembleia

De acordo com a legislação vigente, a proposta apresentada pelo Transoeste, mesmo que já considerada baixa pelos representantes do sindicato, foi levada à assembleia dos trabalhadores. 

Durante a reunião, os motoristas discutiram a oferta de 4% de reajuste salarial, mas, após intensos debates, a proposta foi rejeitada de forma unânime já na primeira votação. A insatisfação com o valor apresentado foi clara, e a categoria deixou claro que essa proposta não atendia às expectativas, nem às necessidades básicas de reajuste para lidar com o aumento do custo de vida.

O Agora ouviu alguns motoristas que participaram do encontro. De acordo com Oilson Aparecido, a paralisação é uma medida necessária.

— Nosso salário está muito defasado e nós precisamos de um aumento. Somos pais de família e não podemos ficar desse jeito, temos que reivindicar os nossos direitos — comentou. 

Carlos Geraldo também votou favorável à greve e afirmou que a situação está insustentável, com os motoristas trabalhando insatisfeitos.

— Estamos com o salário defasado e, mesmo assim, continuamos trabalhando da mesma forma. Tiraram os cobradores, a carga de trabalho aumentou, e isso gerou insatisfação em toda a classe. O que todos nós, motoristas, queremos é um salário justo. Se isso for resolvido, voltaremos a trabalhar satisfeitos — destacou o motorista. 

Greve

Diante dessa negativa e da evidente falta de um acordo satisfatório, o sindicato, em conjunto com os motoristas, tomou a decisão de não apresentar nenhuma contraproposta à empresa. 

Ao invés disso, o sindicato anunciou, imediatamente após a assembleia, o decreto de estado de greve, uma medida extrema que visa pressionar o consórcio a atender de forma mais adequada às reivindicações da categoria. O presidente do sindicato, Erivaldo Adami, falou sobre a decisão. 

— A proposta da empresa foi rejeitada por 100% dos motoristas presentes, e a decisão foi não apresentar nenhuma contraproposta, mas sim declarar estado de greve. A diferença entre o que foi oferecido e o que estamos reivindicando é muito grande. Portanto, vamos parar o transporte, mas antes de qualquer coisa, vamos comunicar às autoridades, para que possamos realizar um movimento tranquilo e dentro da lei — afirmou Adami. 

A paralisação será realizada apenas depois do feriado, na semana do dia 10 de março. 

— A greve só vai acontecer depois do Carnaval. A gente quer mostrar para a população o valor que o motorista precisa ter — finalizou o presidente. 

Estado de greve

Uma greve tem amparo legal no Brasil, desde que siga os procedimentos estabelecidos pela legislação trabalhista. Trata-se de uma destas etapas prevista e serve como um aviso formal dado pelos trabalhadores, indicando que, se as demandas não forem atendidas, a greve será iniciada.

Ele é decretado pelo sindicato antes da paralisação e deve ser comunicado à empresa e às autoridades competentes. Durante esse período, os trabalhadores continuam trabalhando, mas mostram que, caso não haja acordo, a greve acontecerá. O objetivo do estado de greve é dar tempo para novas negociações e evitar que a paralisação aconteça de forma repentina. 

Além disso, garante que o movimento seja legal e organizado, com todas as etapas cumpridas conforme a legislação.

Jurídico

O Agora conversou com o advogado do sindicato, Marcelo Cristian, que explicou como esse processo funciona e a importância dessa medida para garantir que a greve seja realizada dentro da lei e de forma transparente.

— O departamento jurídico do sindicato atuará conforme a própria lei de greve. Quando a assembleia entra em estado de greve, a paralisação não pode acontecer de imediato, pois a lei exige no mínimo 72 horas de antecedência — explicou o advogado.

Diante disso, o sindicato comunicará às autoridades, como a Prefeitura, a Polícia Militar e as próprias empresas.

— A greve é a última opção que o sindicato tem, mas estaremos realizando isso de maneira legal, para que a paralisação aconteça e a população não sofra com isso— completou.

Marcelo Cristian também falou sobre o tempo em que a greve pode durar.

— A ideia é que dure pouco e chame a atenção das empresas para a necessidade dos trabalhadores. Mas ela não tem um limite fixo, o único requisito é o aviso com antecedência. Após as 72 horas, a greve pode ser decretada a qualquer momento — finalizou o advogado.

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