Presidente da OAB em Divinópolis alerta para golpe do falso advogado

Falsários utilizam dados de profissionais para convencer vítimas a transferir dinheiro
Da Redação
Após anos de tramitação na Justiça, o cliente recebe a tão sonhada notícia: tem um valor a receber. Basta fazer um pagamento para efetuar a transação e receber o recurso. Tudo, porém, não passa de um golpe.
O Agora conversou com a presidente da 48ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Divinópolis, Ellen Lima. Ela alerta para a importância da população ficar vigilante ao crime.
Os golpistas conseguem acessar processos e utilizam os dados dos advogados, como a foto. Eles então ligam para o cliente fingindo ser um assistente do profissional e informa que ele tem um valor a receber, porém precisa efetuar o pagamento para liberação.
— Quando a pessoa desconfia, eles mandam print do processo. Eles sabem falar tudo que está no processo, informações que só o advogado saberia — ressalta.
A presidente alerta que os advogados não cobram taxas nesse sentido.
— Geralmente, isso é ajustado previamente em contrato e descontado depois que a pessoa recebe — orienta Ellen.
Por isso, a melhor alternativa é desconfiar.
Passos
Caso transfira o valor, o cliente deve prontamente registrar um boletim de ocorrência. Já o advogado deve registrar um notícia-crime relatando o uso indevido de seus dados. Provas como prints de conversas, ligações e do histórico de quem acessou o processo pela internet devem ser anexados. Todo o material é encaminhado à Polícia Civil (PC) para investigação.
Prevenção
Para Ellen, os próprios advogados devem orientar seus clientes sobre os golpes que têm ocorrido em Divinópolis e no estado.
— A melhor forma de prevenção é a informação. Temos que ficar atentos para não sermos vítimas — alerta.
Estado
O presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun, tem se reunido com os órgãos competentes, como o Ministério Público (MP), para estudar medidas cabíveis de prevenção. Segundo ele, na abordagem às vítimas, os golpistas usam fotos e dados de advogados, além de informações contidas nos processos judiciais em que os profissionais atuam. Nas mensagens enviadas pelo WhatsApp ou por e-mails, os criminosos assumem indevidamente a identidade do profissional ou informam que trabalham com ele no mesmo escritório.
Em seguida, inventam uma história para tentar extorquir as vítimas: dizem que precisam de adiantamento em dinheiro para pagamento de custas processuais, para liberação de documentos, de valores de indenização ou outra desculpa que pode parecer verdadeira. Muitas vezes, os golpistas chegam a enviar cópia da ação judicial ou informações precisas a respeito do caso.
De acordo com Chalfun, o crime, que já se alastrou por outros estados brasileiros, tem se disseminado em Minas Gerais de forma intensa.
— Recebo centenas de mensagens diariamente de pessoas que estão sendo lesadas. Acredito que hoje é o golpe mais aplicado pelo WhatsApp no estado — comenta.
Segundo ele, além do prejuízo financeiro das vítimas, os advogados também estão ficando em uma situação complicada pelo uso indevido de suas identidades.
Chalfun solicitou uma investigação para punir os criminosos, identificar eventuais quadrilhas e detectar possíveis brechas pelas quais os golpistas conseguem acessar informações sensíveis dos processos judiciais.
O MP, inclusive, conta com a Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), área especializada na coibição desse tipo de ilícito. De acordo com o órgão, o golpe será apurado com prioridade para se chegar aos autores e aplicar as sanções adequadas.
— Essa fraude coloca em risco o sistema de Justiça e isso atinge a todos — destacou.
Conforme informações de advogados, a maioria das vítimas é parte em ações previdenciárias ou trabalhistas, portanto idosos e operários, público considerado mais vulnerável. As pessoas acreditam que estão realmente falando com o advogado delas e depositam os valores solicitados. Muitas vezes, os pagamentos são feitos aos poucos até chegar a somas altas, como R$ 50 mil.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
